Cid confirma que Bolsonaro propôs ajustes em minuta do golpe

Ex-ajudante de ordens relata que ex-presidente leu e sugeriu alterações em documento com medidas como estado de sítio e prisão de ministros do STF
Cid confirma reunião com minuta golpista apresentada a Bolsonaro

O interrogatório de Cid marca o início da oitiva dos oito acusados apontados pela Procuradoria-Geral da República como integrantes do “núcleo crucial” da tentativa de impedir a posse de Lula

Foto: Ton Molina/STF

O tenente-coronel do Exército Mauro Cid confirmou nesta segunda-feira, 9 de junho, que participou de uma reunião em que foi apresentado ao então presidente Jair Bolsonaro um documento contendo proposta de medidas excepcionais, incluindo a decretação de estado de sítio e a prisão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de outras autoridades.

Primeiro réu a ser interrogado no núcleo central da trama golpista investigada pelo Supremo Tribunal Federal, Cid prestou depoimento ao ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal. Ele também é delator nas investigações conduzidas pela Polícia Federal.

De acordo com o militar, ocorreram ao menos duas reuniões nas quais Felipe Martins, ex-assessor de assuntos internacionais da Presidência, levou ao ex-presidente um documento com proposta de reverter o resultado das eleições de 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva.

Assista na íntegra:

“Foi levado esse documento ao presidente. O documento consistia em duas partes. A primeira parte eram os considerandos. Dez, onze, doze páginas, muito robusto. Esses considerandos listavam as possíveis interferências do STF e TSE no governo Bolsonaro e nas eleições. Na segunda parte, entrava em uma área mais jurídica: estado de defesa, estado de sítio e prisão de autoridades”, afirmou Mauro Cid em seu depoimento.

Segundo o militar, Bolsonaro chegou a ler a minuta do documento e propôs alterações ao conteúdo.

Durante a audiência, o ex-ajudante de ordens confirmou ainda as informações prestadas anteriormente em sua delação premiada à PF e declarou que não sofreu qualquer tipo de pressão para firmar o acordo. “Presenciei grande parte dos fatos, mas não participei deles”, afirmou.

O interrogatório de Cid marca o início da oitiva dos oito acusados apontados pela Procuradoria-Geral da República como integrantes do “núcleo crucial” da tentativa de impedir a posse de Lula. O cronograma das audiências se estende até 13 de junho e incluirá, entre outros, o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro.

Cid confirma que Bolsonaro propôs ajustes em minuta do golpe

Antes do interrogatório, Mauro Cid cumprimenta Jair Bolsonaro, seu ex-chefe

Foto: Ton Molina/STF

Veja a ordem dos depoimentos estabelecida pelo ministro Alexandre de Moraes:

  • Mauro Cid, delator e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro;

  • Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);

  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;

  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF;

  • Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;

  • Jair Bolsonaro, ex-presidente da República;

  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;

  • Walter Braga Netto, general do Exército e ex-ministro de Bolsonaro.

Durante os interrogatórios, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e os advogados de defesa dos réus poderão fazer perguntas. A expectativa é que os depoimentos se estendam até às 20h de cada dia.

As sessões serão transmitidas ao vivo pela TV Justiça , Rádio Justiça e pelo canal oficial do STF no YouTube . O tenente-coronel Mauro Cid, réu colaborador, será o primeiro interrogado.
Leia a íntegra da decisão .

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