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Resgate de corpos após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte, em janeiro de 2019
Foto: Corpo de Bombeiros MG/ Divulgação
O relator da comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha a negociação entre a mineradora Vale e o governo mineiro para pagamento de indenizações às vítimas do rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho, em janeiro de 2019, afirmou que o valor total que a empresa deve pagar é de R$ 54 bilhões.
O deputado Rogério Correia (PT-MG) destacou que a Vale chegou a fazer uma contraproposta de R$ 16 bilhões – valor bem abaixo do estabelecido pelo Ministério Público, a Defensoria Pública e o governo do estado de Minas Gerais.
“O governo de Minas apresentou uma conta de R$ 26 bilhões que seria o ressarcimento material para recuperação do rio, e também para aquilo que o governo gastou a mais, e o MP avaliou um ressarcimento moral para as pessoas atingidas de R$ 28 bilhões. O total seria de R$ 54 bilhões. Esse valor foi apresentado à Vale e transformado em ação judicial”, disse.

“Acionistas da Vale recebem bilhões de lucro todo ano, mas empresa fica pechinchando depois dos dois crimes que cometeu”, apontou Correia
Foto: Gustavo Sales/Câmara dos Deputados
Rogério Correia informou que o plano de trabalho da comissão inclui reuniões e audiências públicas para debater os termos do acordo com os atingidos e com especialistas em recuperação judicial.
Os deputados da comissão também querem obter um diagnóstico dos órgãos de licenciamento ambiental e fazer um levantamento das proposições legislativas ligadas ao tema. A comissão já fez um primeiro encontro com representantes do Ministério Público nesta sexta-feira, 27.
“É um absurdo uma empresa como a Vale, uma das maiores mineradoras do mundo, que foi privatizada com uma mamata, por R$ 3,8 bilhões, e entregaram de graça para esses acionistas que recebem bilhões de lucro todo ano. Uma empresa como a Vale que ganhou de graça uma empresa estatal poderosa e ficar pechinchando depois de dois crimes que cometeu, a Justiça devia ser célere nisso”, observou Correia, referindo-se à responsabilidade da Vale nos desabamentos das barragens de Mariana (em 2015) e Brumadinho (2019).

CPI da Câmara concluiu que o rompimento poderia ter sido evitado: “foi crime e não tragédia”
Foto: Isac Nóbrega/Presidência da República
No dia 25 de janeiro de 2019, uma barragem de mineração da Vale em Brumadinho (MG) se rompeu deixando um saldo de mais de 270 mortos. A lama de rejeitos de minério de ferro atingiu parte do centro administrativo da empresa, a comunidade Córrego do Feijão e o rio Paraopeba, afluente do São Francisco, e forçou o deslocamento de mais de 30 mil pessoas na região.
O deputado Rogério Correia destaca que, segundo a Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou o caso na Câmara, não se tratou de uma tragédia ou acidente, mas de crime, já que tanto a Vale quanto a empresa responsável pela fiscalização da área tinham pleno conhecimento dos riscos da barragem.
Com informações da Agência Câmara.