ONG irá cobrar ações do MP para efetivação de Lei antirracista

Lei que torna obrigatório o estudo da importância do negro na formação da sociedade brasileira é tratada como de “segunda classe” na opinião da Educafro
ONG irá cobrar ações do MP para efetivação de Lei antirracista

Alunas do Centro Educacional Maria Quitéria, na Bahia, cobram cumprimento da lei antirracista 10.639, que obriga o ensino da história e da cultura africana e afro-brasileira, sancionada em 2003

Foto: Vitalina Silva/ Acervo Pessoal

Já se passaram 21 anos da promulgação da Lei 10.639/03 e ações para promover uma educação antirracista no Brasil continuam a passos lentos. Diante disso, a Educafro se prepara para cobrar atenção dos Ministérios Públicos Estaduais à informação de que apenas 7,9% das secretarias municipais de Educação no Brasil abordam regularmente a temática étnico-racial na formação de professores e gestores escolares.

Ações de improbidade administrativa, inclusive, não estão descartadas para o diretor-geral da Educafro, o frei franciscano Davi dos Santos. Os Ministérios Públicos, seja o Federal ou os estaduais, são guardiães das leis e não têm agido de forma correta.

“Aponte-me uma Lei que beneficie os bancos e que não foi colocado em prática 100% no dia seguinte da sua promulgação. Não se consegue. Aponte-me uma Lei que beneficie o agronegócio e que não tenha sido colocada em prática no dia seguinte. Também não vai achar”, fala o religioso de forma indignada.

Para frei David, se os MPs agissem com “amor” com o povo negro, eles estariam exigindo o cumprimento da legislação assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu primeiro mandato.

O religioso vê relação entre a ausência da temática na formação dos professores e o racismo estrutural. “Apesar do debate sobre o racismo nos últimos 10 anos, quase nada mudou. O racismo sistêmico determina as relações de poder para oprimir ou para conceder direitos”, afirma.

A Educafro é uma ONG que trabalha para a inclusão de pessoas negras e de baixa renda nas universidades públicas e particulares. Ela também tem se notabilizado em outras frentes, como a ação contra o Carrefour pelo espancamento até a morte de um cliente negro e que resultou em um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da mercadista com o MPRS de R$ 115 milhões revertidos para ações de combate ao racismo.

MEC: ação antirracista

O Ministério da Educação (MEC) irá elaborar protocolos de prevenção e resposta ao racismo em todas as etapas da educação básica e no ensino superior. A pasta está com seleção pública aberta em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para instituir o grupo de consultoria responsável pelo projeto.

A medida faz parte da implementação da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étinico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq). As inscrições estão abertas até 5 de setembro.

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