Justiça
Quem são os Escravos da Fé liberados pelo STF
Censura prévia à documentário é derrubada; caminho para que público conheça a crise que colocou…

Gonet: a PGR sustenta que a mobilização da militância bolsonarista culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas em Brasília
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasi
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresentou, na noite de quarta-feira, 3, ao Supremo Tribunal Federal (STF), as alegações finais contra sete réus do chamado núcleo 4 da trama golpista que teria buscado manter Jair Bolsonaro no poder após a derrota eleitoral de 2022.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo utilizou a estrutura do Estado para disseminar desinformação sobre o sistema eletrônico de votação e para desacreditar, de forma antecipada, o resultado das urnas.
“À míngua de irregularidade real que pudesse abalar a estabilidade social, o uso indevido da estrutura do Estado foi essencial para a manipulação e distorção de informações sensíveis contra o sistema eletrônico de votação e as autoridades em exercício nos poderes estabelecidos”, escreveu Gonet.
A PGR sustenta que a mobilização da militância bolsonarista culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas em Brasília.
Ailton Gonçalves Moraes Barros
Angelo Martins Denicoli
Carlos César Moretzsohn Rocha
Giancarlo Gomes Rodrigues
Guilherme Marques Almeida
Marcelo Araújo Bormevet
Reginaldo Vieira de Abreu
Crimes imputados pela PGR:
Organização criminosa armada
Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito
Tentativa de golpe de Estado
Dano qualificado
Deterioração de patrimônio tombado
O núcleo 4 é a segunda ação penal mais avançada no STF. A mais próxima de um desfecho é a do núcleo 1, considerado pela PGR como o “crucial” ou “central” do complô. Esse grupo é formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete ex-integrantes de alto escalão de seu governo.
Na terça-feira, 2, o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação, leu o relatório do processo e defendeu a soberania da Justiça brasileira. Paulo Gonet, em sua manifestação, classificou como “imperativo” punir os envolvidos.
“Os atos que compõem o panorama espantoso e tenebroso da denúncia são fenômenos de atentado com relevância criminal contra as instituições democráticas. Não podem ser tratados como atos de importância menor, como devaneios utópicos, como aventuras inconsideradas”, afirmou o procurador-geral.
Jair Bolsonaro, ex-presidente
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin
Almir Garnier, ex-comandante da Marinha
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça
Augusto Heleno, ex-ministro do GSI
Mauro Cid, ex-ajudante de ordens
Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa
Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil
Na sessão de quarta-feira, 3, a defesa do general Augusto Heleno disse que ele não participou de articulações com Bolsonaro. Já os advogados do ex-presidente afirmaram que “não há uma única prova” contra ele e que foi “dragado” pela investigação.
O advogado de Paulo Sérgio Nogueira alegou que o general tentou demover Bolsonaro de qualquer tentativa de golpe. Já a defesa de Walter Braga Netto afirmou que ele pode ser condenado “a morrer na cadeia” com base em delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente.
Sessões ocorridas: 2 e 3 de setembro
Sessões previstas: 9, 10 e 12 de setembro
Os ministros votarão a partir da próxima semana. As penas podem ultrapassar 30 anos de prisão.