Tiroteio em escola austríaca deixa dez mortos e reabre debate sobre armas no país

Com armas legalizadas, ex-aluno mata nove e se suicida; comunidade lamenta e pressiona por revisão da legislação
Tiroteio em escola austríaca deixa dez mortos e reabre debate sobre armas no país

Tiroteio deixou saldo de dez mortos e 12 feridos em escola austríaca. Jovem de 21 anos matou oito estudantes e um professor e depois se suicidou

Imagem: CNN/ Reprodução

Um ataque a tiros ocorrido na manhã desta terça-feira, 10, deixou dez mortos e ao menos doze feridos em uma escola pública na cidade de Graz, a segunda maior da Áustria. O episódio, considerado o mais grave massacre na história recente do país, ocorreu por volta das 10h no colégio Borg Dreierschützengasse, localizado no bairro de Lend, região central da cidade.

De acordo com autoridades locais, as vítimas fatais até o momento são oito estudantes, um professor e o próprio autor dos disparos. Ele era um ex-aluno de 21 anos que se suicidou no banheiro da instituição após o ataque.

Segundo a polícia, o jovem portava duas armas de fogo, uma pistola e uma espingarda registradas legalmente. O jovem possuía licença de porte e não tinha antecedentes criminais.

O ataque aconteceu em duas salas de aula e durou cerca de 17 minutos. Foi interrompido pela chegada rápida das forças de segurança que chegou a um efetivo de 300 agentes. Até a unidade tática policial do Ministério Federal do Interior da Áustria, a Cobra esteve na operação.

Mesmo assim, a escola foi evacuada até o final da manhã e o perímetro declarado seguro por volta do meio-dia.

Os motivos sob investigação e a consternação

Tiroteio em escola austríaca deixa dez mortos e reabre debate sobre armas no país

Ataque aconteceu em duas salas de aula e durou cerca de 17 minutos

Imagem: Reprodução

A polícia confirmou que o agressor deixou um bilhete de despedida, mas o conteúdo não foi divulgado. Embora as autoridades ainda investiguem o motivo, há indícios de que o atirador buscava vingança por ter sofrido bullying na época em que estudava na escola.

O governo austríaco decretou três dias de luto nacional, com bandeiras a meio-mastro e um minuto de silêncio previsto para a manhã desta quarta-feira, 11.

“Trata-se de uma tragédia que atinge o coração do nosso país. Jovens que tinham toda uma vida pela frente, um professor que os guiava. Todos brutalmente arrancados do nosso convívio”, declarou o chanceler Christian Stocker, que cancelou todos os compromissos oficiais após o ocorrido.

A comoção ultrapassou as fronteiras do país. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, se declarou profundamente tocada pelo atentado.

“As escolas são espaços de esperança e futuro. É insuportável vê-las transformadas em cenário de violência e morte”, escreveu em publicação na rede social X, prestando solidariedade às vítimas e agradecendo aos serviços de emergência pelo trabalho “nestes momentos difíceis”.

Armas em foco

Tiroteio em escola austríaca deixa dez mortos e reabre debate sobre armas no país

Uma campanha especial de doação de sangue da Cruz Vermelha foi organizada em Graz após o massacre

Imagem: ORF/Daniel Neuhauser/Reprodução

O episódio reacende o debate sobre a legislação armamentista na Áustria, um dos países europeus com maior taxa de posse de armas.

Segundo o Small Arms Survey, levantamento internacional de 2017, o país possui aproximadamente 30 armas para cada 100 habitantes, ocupando a 14ª posição mundial nesse ranking.

A legislação austríaca permite que cidadãos com mais de 18 anos adquiram rifles e espingardas. Basta que os registrem junto às autoridades. Já pistolas, revólveres e armas semiautomáticas são acessíveis apenas a maiores de 21 anos que possuam licença de porte. Embora uma avaliação psicológica possa ser exigida para a obtenção da licença, ela não é obrigatória em todos os casos.

Especialistas e entidades ligadas à educação e à saúde mental já começam a pressionar o Parlamento por mudanças na política de concessão de armas, especialmente no que se refere a critérios psicológicos e acompanhamento de jovens em situação de vulnerabilidade.

Enquanto isso, Graz amanheceu mergulhada em luto. Flores e velas começaram a ser deixadas na entrada da escola ainda nas primeiras horas da tarde. Pais, alunos, professores e moradores locais tentam compreender uma tragédia que abalou profundamente a cidade e toda a Áustria.

Comentários