PDT ingressa com recurso junto ao STF contra política de juros do Banco Central

Após críticas aos sucessivos aumentos na taxa de juros pelo Comitê de Política Monetária (Compom), o partido informa que recorreu ao STF alegando decumprimento da Constituição
PDT ingressa com recurso junto ao STF contra política de juros do Banco Central

Carlos Lupi (PDT), ministro da Previdência Social do governo Lula

Foto: PDT/ Divulgação

O Partido Democrático Trabalhista (PDT) informa que protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) questionando a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) devido ao último aumento na taxa de juros do país. No início de dezembro, o Copom decidu pelo aumento de 1 ponto percentual na taxa Selic, ficada em 12,25% ao ano.

Segundo o partido, a política monetária conduzida pelo Copom está desalinhada dos objetivos constitucionais, como a promoção do pleno emprego, a redução das desigualdades sociais e o desenvolvimento nacional. Para o partido, a elevação da Selic aprofunda as desigualdades, beneficia o mercado financeiro e prejudica a economia real.

“O Banco Central não pode operar como uma ilha técnica apartada da Constituição. Suas decisões devem refletir não apenas a estabilidade monetária, mas também a concretização de direitos fundamentais e objetivos republicanos, como o desenvolvimento inclusivo e sustentável”, destaca o PDT no texto da petição ao Supremo.

A ADPF relaciona diversos dispositivos, a exemplo do artigo 170 da Constituição, que estabelece a valorização do trabalho humano e a livre iniciativa como fundamentos da ordem econômica; além do artigo 3º, que inclui a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades como objetivos prioritários do Estado.

Para o PDT, a política monetária atual desconsidera os impactos sobre o mercado de trabalho, a dívida pública e a qualidade de vida da população. “Não há sequer um parágrafo na ata do Copom que mencione os impactos dessas decisões sobre a vida do cidadão comum”, diz o documento.

A petição reproduz ainda trechos da ata da reunião do Copom que evidenciam uma lógica contrária ao crescimento do país. Na ata, por exemplo, está evidente que para o Copom o crescimento do PIB e a formalização de postos de trabalho são encarados como “riscos” ao controle da inflação.

“O dinamismo econômico, a redução do desemprego e o aumento da formalização devem ser encarados como metas fundamentais, e não como ameaças a serem combatidas”, alerta.

A manutenção de juros elevados prejudica o crescimento econômico, provoca retração ao consumo, os investimentos produtivos e a geração de empregos, além de agravar a financeirização da economia, destaca o PDT, apontando que o Copom prioriza interesses especulativos, o que “perpetua a concentração de renda e acentua desigualdades”.

“Esse modelo beneficia exclusivamente grandes investidores, enquanto trabalhadores e pequenas empresas enfrentam o aumento do desemprego e a contração do crédito”, diz a petição.

Ainda segundo o diretório nacional dos trabalhistas, o aumento da Selic eleva significativamente o custo do serviço da dívida, pressionando as contas públicas e limitando a capacidade do governo de investir em áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura. O aumento de 1% na Selic, por exemplo, infla a dívida pública em até R$ 100 milhões, de acordo com a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).

Para o PDT, não existe uma metodologia clara para a definição da Selic. O Copom, aponta, opera com ampla discricionariedade, sem parâmetros objetivos que conectem suas decisões às necessidades reais da economia brasileira, o que “abre espaço para decisões arbitrárias que priorizam a conveniência do sistema financeiro”.

Quando assumiu o ministério da Previdência Social no governo Lula, Carlos Lupi (PDT) anunciou como seria sua gestão e criticou a taxa de juros praticada à época. “É preciso diminuir drasticamente a fila e agilizar os direitos dos trabalhadores. Também vamos precisar de recursos para atualizar todo o sistema de informação e aperfeiçoar a informatização em um sistema integrado com o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal. Transparência e informatização são prioridades”, afirmou Lupi.

“O mercado tem que colaborar com isso. Por exemplo, diminuindo a taxa de juros do crédito consignado. Quero discutir essas taxas. Hoje a taxa de juros do Banco Central é de 13%, 13,5% ao ano. O consignado paga por mês mais de 2% de juros no consignado. Qual a colaboração que [esses setores do mercado] vão dar para diminuir o sofrimento dessas pessoas?”, concluiu. Atualmente, por conta das suas críticas à política monetária do Banco Central e do ajuste fiscal, Lupi pode deixar o governo.

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