5 mil mulheres indígenas pedem proteção em Brasília

Marcha e Conferência reúnem milhares de mulheres indígenas de diferentes biomas e territórios em protesto contra o PL da Devastação, o garimpo ilegal e da contaminação por agrotóxicos nas aldeias

5 mil mulheres indígenas pedem proteção em Brasília

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Começou nesta segunda-feira, 4 , em Brasília, a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas, que ocorre de 4 a 8 de agosto, com o tema “Mulheres Guardiãs do Planeta pela Cura da Terra”. O evento, realizado em parceria entre o Ministério das Mulheres, o Ministério dos Povos Indígenas e a Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga), em conjunto com a IV Marcha das Mulheres Indígenas reúne 5 mil indígenas em Brasília  reúne aproximadamente 5 mil mulheres indígenas de diferentes biomas, territórios e povos do Brasil.

Entre os temas debatidos está o Projeto de Lei (PL) 2.159/21, que flexibiliza o licenciamento ambiental e é chamado de “PL da Devastação” por críticos e ambientalistas. Aprovado pelo Congresso em 17 de julho, o texto aguarda sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para Sônia Guajajara, a proposta enfraquece a luta indígena pela preservação da floresta. “Temos aqui a presença de mulheres de todos os biomas para resistir. Ainda não aceitaram a nossa presença. É dever do Estado desenvolver políticas públicas de proteção às mulheres indígenas”, afirmou. A ministra propôs a criação de um grupo de trabalho interministerial para formular estratégias de proteção.

A presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joênia Wapichana, defendeu que o planejamento orçamentário inclua recursos para políticas voltadas às mulheres indígenas. “Precisamos dar um basta à violência”, disse.

Espaço de denúncia e fortalecimento das lutas

5 mil mulheres indígenas pedem proteção em Brasília

IV Marcha das Mulheres Indígenas reúne 5 mil indígenas em Brasília

Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Após mais de 32 horas de viagem de ônibus, a matriarca Pangroti Kayapó, de 60 anos, e a neta Nhaikapep, de 22, deixaram São Félix do Xingu, no Pará, para participar, em Brasília, da 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas.

Para as duas, o encontro é espaço de denúncia e de fortalecimento das lutas. Elas querem mostrar ao país como as atividades de garimpo ilegal continuam afetando a comunidade, localizada em território demarcado e historicamente defendido por suas ancestrais.

Nhaikapep, que estudou em escola não indígena, traduz para o português o apelo emocionado da avó, que fala apenas o idioma originário: “Para que a gente proteja a natureza, pedimos proteção para nós, para nosso ambiente e nossa cultura”. Ela alerta que os rios Fresco, Iriri e Xingu, que cortam terras kayapó, estão contaminados por metais pesados.

Desafios ambientais

A ministra Marina Silva destacou que o governo federal removeu invasores de oito terras indígenas nos últimos dois anos, mas reconheceu que o desafio ambiental é “muito grande”. “Aquelas que menos destruíram são as mais prejudicadas”, afirmou. Ela defendeu políticas que garantam o modo de vida tradicional dos povos originários e criticou líderes estrangeiros que não apoiam ações ambientais brasileiras: “Em lugar de fazer guerra contra o clima, fazem guerra tarifária”, disse, referindo-se ao presidente dos EUA, Donald Trump.

Marina também criticou o ex-presidente Jair Bolsonaro por se opor à demarcação de terras indígenas. Bolsonaro teve prisão domiciliar decretada.

Exposição de povos indígenas aos agrotóxicos

Entre as participantes estava Soraya Kaingang, de 44 anos, acompanhada de quatro filhos, um deles dormindo no colo. Ela viajou mais de 20 horas de Londrina, no Paraná, até Brasília. Moradora da Aldeia Apucaraninha, Soraya lamentou que, diferentemente de sua infância, as crianças hoje estão expostas aos agrotóxicos aplicados por produtores rurais não indígenas que avançaram sobre seu território.

“A gente produz milho, mandioca e feijão, mas está difícil. Vir até aqui é um jeito de contar nossas histórias”, afirmou.

*Com informações da Agência Brasil e Ministério dos povos Indígenas.

Comentários