Geral
Gaza enfrenta catástrofe humanitária e precisa de ajuda urgente
Médicos Sem Fronteiras alerta para risco de colapso da assistência após restrições impostas por Israel…

Foto: Divulgação
Prédio do Centro Administrativo do estado (Caff) foi esvaziado na manhã desta sexta-feira, após o rompimento da rede hidráulica que provocou curto e inundação
O rompimento de um cano de água próximo a uma central elétrica provocou um curto-circuito e a inundação de vários andares do Centro Administrativo Fernando Ferrari (Caff), em Porto Alegre, na manhã desta sexta-feira, 23.
O vazamento ocorreu no início da manhã no 12º andar do prédio que concentra quase todas as secretarias da administração estadual e tem 21 andares e um anexo.
Naquele horário, o local já concentrava um grande número de servidores, trabalhadores terceirizados e visitantes.
O complexo construído nos anos 1970 já passou por diversas reformas e interdições temporárias, mas os problemas estruturais e de segurança são cada vez maiores e mantém os servidores lotados no local em permanente estado de alerta.
Houve princípio de pânico quando a água atingiu uma central elétrica, provocando explosões. O prédio foi evacuado por iniciativa dos próprios servidores, antes da chegada de uma guarnição do Corpo de Bombeiros. Eles desceram pelas escadas dos 21 andares.
Localizado na avenida Borges de Medeiros, no centro histórico da capital, o prédio de 21 andares e duas alas concentra 13 secretarias de estado.
No local, há um anexo onde funciona toda a estrutura da Secretaria Estadual de Educação e a Casa da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, onde há uma sala de concertos com capacidade para 1,1 mil pessoas.
Projetado pelo arquiteto Luis Carlos Macchi nos anos 1970, o complexo concentra cerca de quatro mil servidores públicos e vem sendo parcialmente interditado ao longo de décadas. Diversos laudos apresentados por sindicatos de servidores ao Ministério Público do Trabalho já pediram a interdição total do complexo, por problemas estruturais e risco à vida de quem trabalha e frequenta o local.
Grande parte dos mais de 4 mil servidores lotados nas secretarias já havia subido para seus locais de trabalho quando o alerta foi dado por seguranças e pelos próprios servidores.
Alguns relataram que chegaram para trabalhar a partir das 8h e foram barrados. Eles afirmam que não houve uma ação imediata por meio das brigadas de incêndio para desligar a eletricidade, o é contestado pelo Palácio Piratini.
“Ninguém sabia explicar o que estava acontecendo, apenas que os elevadores estavam fora de serviço. Fomos conferir e nos deparamos com a inundação e o vazamento em frente a uma central elétrica”, relata uma funcionária.
“Já pedimos várias vezes, a todas as autoridades competentes, a interdição desse prédio devido às péssimas condições estruturais. Se omitiram. Nunca fizeram nada. Estão esperando acontecer a tragédia”, desabafa outra servidora.
A diretora-presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Rio Grande do Sul (Sindsepe/RS), Diva Costa, confirma que a entidade há anos denúncia as “péssimas condições estruturais do prédio” que ficaram mais evidentes durante a pandemia, quando foram feitas várias vistorias a pedido do MPT em razão de denúncias feitas pela entidade. “No entanto, nada de concreto é feito pelo poder público”.
Para a dirigente, os problemas do prédio refletem a política de desmonte do serviço público que há anos vem sendo implementado no RS e que, além de desvalorizar o funcionalismo, “sucateia o patrimônio material do estado”.
“Além dos servidores e servidoras, dos trabalhadores e trabalhadoras das empresas terceirizadas, o Caff recebe milhares de pessoas de todo o estado diariamente. Todos estão expostos a todo tipo de risco, porque o prédio não oferece as mínimas condições estruturais ou de segurança para essas pessoas”. Para quem trabalha diariamente naquele espaço, acrescenta, não há segurança do trabalho: “ali tudo acontece à revelia. Os serviços de manutenção foram terceirizados e totalmente precarizados”.
Essa é a realidade também do interior do estado, a exemplo das Coordenadorias Regionais de Saúde, “que funcionam em prédios sucateados, sem as mínimas condições de trabalho e segurança e muitas vezes ficam meses sem serviços de higienização”, enumera Diva.
Em nota, o governo do estado informou que o prédio foi interditado nesta manhã “como medida preventiva após a identificação de vazamento de água no 12º andar”.
“Por segurança, a rede elétrica foi desligada”, diz o comunicado. “O vazamento foi controlado e o conserto está em andamento. Após a realização do reparo, será feita nova avaliação para liberar o prédio. O expediente dos servidores que trabalham no Caff seguirá normalmente em home office”, conclui.