Atirador da Bahia tem 14 anos e usou arma do pai

O menino promovia discursos de ódio na internet e usou a arma do pai, que é policial reformado da Polícia Militar de Brasília
Atirador da Bahia tem 14 anos e usou arma do pai

O atirador de 14 anos publicava discursos de ódio contra nordestinos, gays, lésbicas e outras minorias no Twitter

Foto: Reprodução/Redes Sociais

O atirador que baleou e esfaqueou até a morte uma aluna cadeirante no interior de uma escola pública no Oeste da Bahia na última segunda-feira, 26, tem apenas 14 anos e era estudante da escola.

O menino promovia discursos de ódio na internet e usou a arma do pai, que é policial reformado da Polícia Militar de Brasília. As informações são da Polícia Civil de Barreiras, município em que ocorreu o crime.

Comovidos, os estudantes da escola promoveram uma homenagem com orações logo após o ataque em memória da vítima. Trata-se de Geane Silva Brito, 19 anos, que cursava o 9º ano na Escola Municipal Eurídes Sant’Anna e morreu no local.

Atirador da Bahia tem 14 anos e usou arma do pai

Colegas fizeram homenagem com orações à vítima do ataque

Foto: Acervo pessoal/Reprodução

Conforme divulgado pela polícia, o pai do atirador é um policial militar reformado de Brasília que havia se mudado recentemente para Barreiras.

O revólver usado pelo menino, segundo o pai em seu depoimento, estaria guardado embaixo de um colchão. A polícia vê inconsistências no depoimento.

“O pai disse que guardava a arma debaixo do colchão de uma cama e que o garoto não tinha acesso, mas não acredito nessa versão. Ele é um garoto bastante introspectivo que, nos últimos meses, passou a ficar muito tempo nas redes sociais. Os pais não sabiam os tipos de conteúdos que ele consumia na internet”, declarou o delegado Rivaldo Almeida Luz, após ouvir o pai do menor.

Ainda conforme as informações da Polícia Civil, o menino, cuja identidade não pode ser revelada por tratar-se de menor de idade, entrou pelo portão principal como os demais alunos.  A polícia também suspeita que o atirador teria passado em frente à unidade de ensino horas antes de cometer o crime.

Ataque foi anunciado no Twitter

Atirador da Bahia tem 14 anos e usou arma do paiFoto: Reprodução/TwitterO ataque, inclusive, havia sido anunciado às 3h22min da madrugada, quatro horas antes de acontecer, por meio de post do garoto em seu perfil no Twitter.

Atirador da Bahia tem 14 anos e usou arma do paiFoto: Reprodução/TwitterA rede social baniu o post da plataforma com a repercussão do caso. “Irá acontecer daqui 4 horas e eu tô bem de boa. Estou tão calmo, nem parece que irei aparecer em todos os jornais hoje”.

Mais cedo, a 1h26min, ele escreveu, “já está tudo comigo, agora é só esperar. Tudo pode acontecer nas próximas horas”.

No começo do mês de setembro o adolescente promoveu vários discursos de ódio com conotação preconceituosa contra minorias.

“Saí da capital para o merdeste, e nunca pensei que aqui fosse tão repugnante. Lésbicas , gays e marginais aos montes acham que são dignos de conhecer minha santidade. Os farei clamar pela minha misericórdia, sentirão a ira divina”, tuitou no dia 6 de setembro sob o codinome Hannya_88  ou @TheAlgizGod.

No mesmo dia postou: “Malditos vermes horríveis, vocês me causam vergonha de ser humano, como consequência, tornarei-me um símbolo de apatia, de punição e de que há resistência. E nem mesmo seus bebês infectados com seus bárbaros ensinamentos serão poupados, pois sou o contrário da misericórdia”.

Os apelidos usados pelo rapaz na plataforma invocam referências ao sânscrito e mitologia japonesa (hannya) e celta (algiz) e personagens de anime (desenho animado japonês adaptado de revistas mangá).

Como foi

Atirador da Bahia tem 14 anos e usou arma do pai

Foram encontradas pela polícia junto com o atirador, um revólver 38, uma faca de caça, uma touca ninja e uma bomba caseira

Foto: Polícia Civil

Eram passados vinte minutos da sete da manhã da segunda-feira, 26, quando o atirador de 14 anos, trajando roupa preta e escondendo o rosto com um capuz, entrou junto com os demais alunos pelo portão principal do Colégio Municipal Eurides Sant’Anna.  A sua roupa destoava do restante dos estudantes, que usavam o uniforme da escola: blusa branca e calça ou saia azul.

Um guarda da escola afirma que percebeu a entrada dele e correu para buscar ajuda depois que houve um disparo na sua direção.

O atirador carregava um revólver 38 carregado com seis balas, uma faca de caça e uma bomba caseira.

Na hora do ataque, 40 dos 400 alunos que estudam no turno da manhã estavam em formação “em guarda” na quadra de esportes, já que o colégio tem gestão compartilhada com a Polícia Militar.

O revólver do atirador negou fogo pelo menos duas vezes. Nisso, parte dos estudantes do pátio correram para os fundos da quadra e outros para a rua. Geane, de cadeira de rodas, ficou para trás.

Ela foi assassinada ali mesmo, onde seu algoz terminou de descarregar o revólver. Depois, não satisfeito, desferiu vários golpes de faca na menina.

ovem dispara arma em escola e mata aluna cadeirante

A estudante Geane da Silva Brito, 19 anos, foi baleada, recebeu golpes de faca e morreu no local.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Ainda não se sabe quem baleou o atirador

De acordo com a polícia, o colégio não tem câmeras de segurança, mas os investigadores procuram imagens de residências vizinhas. As aulas foram suspensas até o dia 3 de outubro.

Outra informação que foi confirmada pela investigação é que o atirador estava matriculado no colégio no período vespertino desde maio deste ano, mas acumulava faltas.

O adolescente também foi baleado durante o crime e socorrido na hora. Conforme o tenente coronel Fábio Santana, da Polícia Militar de Barreiras, os policiais que trabalham na escola estavam desarmados e os tiros que acertaram o menor “possivelmente partiu de uma pessoa que passava nas imediações no momento do ataque e que essa pessoa ainda não teria sido identificada”.

O jovem foi atendido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado para o Hospital Geral do Oeste. Ele passou por uma cirurgia e o quadro de saúde é considerado estável.

Discurso de ódio

A Polícia Civil investiga algumas publicações em redes sociais atribuídas ao adolescente de 14 anos caracterizados como discurso de ódio. Conforme a polícia apurou até agora, o jovem atirador mantinha contato com Henrique Lira Trad, de 18 anos, que foi preso no dia 19 de agosto após tentar  invadir escola em Vitória (ES). A intenção de Lira era matar até 7 pessoas. Ele invadiu a escola com flechas, facas e uma bomba caseira.

Uma das linhas de investigação passa pelas ligações do atirador com organizações e outras pessoas que compartilham dos mesmos ideais do menor que executou o ataque.

Autoridades

Em nota, a Prefeitura de Barreiras lamentou o caso e disse que a Secretaria de Educação e a Polícia Militar acompanham e oferecem apoio e assistência aos estudantes e seus familiares.

“Em tempo, solidarizam-se com a família da aluna vitimada, expressando os mais profundos sentimentos neste momento de profunda dor e consternação”, afirma um trecho da nota.

A Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC) também se manifestou por meio do Núcleo Territorial da Bacia do Rio Grande (NTE 11).

O órgão informou que uma equipe do NTE e psicólogos da SEC foram colocados à disposição para prestar atendimento e apoio socioemocional à comunidade escolar e aos familiares da vítima.

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