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Na manhã desta segunda-feira, 25, representante do povo Yanomami (Associação Hutukara), Júnior Hekurari Yanomami denunciou, em audiência na Comissão de Direitos Humanos do Senado, invasões e violência de garimpeiros nas comunidades indígenas e clamou por ajuda aos senadores. A noite, em vídeo, anunciou o estupro e morte da menina de 12 anos e o desaparecimento de outro adolescente.
Foto: Pedro França/Agência Senado
Garimpeiros estupraram e mataram uma menina indígena Yanomami de 12 anos na região de Waikás, em Roraima. A denúncia foi feita na noite de segunda-feira, 25, pelo presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’Kwana, Júnior Hekurari Yanomami, por vídeo na internet. Poucas horas antes, ele usara a palavra “clamor” na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado, pedindo providências para a retirada de “23 mil ou 24 mil garimpeiros que estão no território indígena”, na exploração de garimpos ilegais.
“Eles violentam mulheres, adolescentes e crianças. Já temos meninas de 13 e 14 anos grávidas de garimpeiros. Meninas de 15 anos já têm filhos de garimpeiros nascidos, com 1 ano de idade. Viemos clamar aos senhores”, exclamou Júnior Hekurari na audiência pela manhã no Senado.
E continuou: “Eles destruíram nossas florestas, nossos rios, que são fontes de nossa alimentação. Vivemos sozinhos na mata, ameaçados. As famílias não podem denunciar, e as lideranças estão reféns. O governo federal silencia. A Funai (Fundação Nacional do Índio) está distante, com garimpos há 10 km de distância de seu posto no território e helicópteros dos garimpeiros passando. O Ministério da Justiça em nenhum momento respondeu nossos relatórios com denúncias”.
A menina assassinada nessa segunda-feira foi sequestrada na comunidade indígena Arakaca, segundo Júnior. “Os garimpeiros invadiram a comunidade e levaram também um adolescente de 11 ou 12 anos de idade”, disse no vídeo que postou na internet na noite de ontem.
“Os garimpeiros violentaram ela e ocasionaram o óbito. O corpo está na comunidade. Também me informaram que o adolescente levado está desaparecido dentro do rio. Comunico para que Exército e Polícia Federal vá à comunidade e amanhã (hoje) também irei buscar o corpo da adolescente. Tô muito triste que esteja acontecendo isso com meu povo”, lamentou.
No Senado, o clamor de Júnior Hekurari foi feito em audiência presidida pelo senador Paulo Paim (PT/RS), que foi um dos autores do requerimento na CDH.
A proposta que resultou do evento foi a criação de um grupo de parlamentares, provavelmente misto com a Câmara de Deputados, “que se comprometa a ir à região em diligência para buscar entendimentos sobre a questão”. A audiência foi solicitada pelos próprios indígenas que procuraram Paim na semana passada e, em reunião virtual, relataram as atrocidades provocadas por garimpeiros ilegais.
Esse número significa um crescimento de 1.110% de todos os óbitos em confrontos nas áreas rurais do país em relação a 2020.
A estatística faz parte do relatório de violência da Comissão Pastoral da Terra lançado em 18 de abril, que denunciou dois massacres em sete meses: um, no dia 20 de março, provocados por militares venezuelanos contra os Yanomami que vivem no país vizinho; outro, em agosto, que matou quatro pessoas Moxihatëtëa, povo isolado que vive no mesmo território na parte brasileira, em um garimpo ilegal denominado “Faixa Preta”.