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No dia 18 de janeiro começam ser leiloados os bens do ex-contador da Ulbra, Aérnio Dilkin Penteado Júnior, cuja soma ultrapassa R$ 2 milhões. A data foi determinada após a decisão da última quarta-feira, 9 de dezembro, do juiz federal Artur César de Souza, que negou um recurso de Penteado Júnior solicitando a exclusão de seu nome do rol de responsáveis pela dívida da Ulbra.
Além de Penteado Júnior, estão listados como causadores do passivo da instituição o ex-Reitor Ruben Becker; seu filho e ex-vice Reitor Leandro Becker; o ex-presidente da Celsp, Delmar Stahnke; e os sócios que dividiam a contabilidade da Ulbra com Penteado Júnior: seu pai, Aérnio Dilkin Penteado e Graziela Graciolli de Lima Maria.
O leilão dos bens dos responsáveis será utilizado para o pagamento da dívida da Universidade que já ultrapassa R$ 3 bilhões. Até agosto, a União havia arrecadado pouco menos de R$ 1,5 milhão com a venda do patrimônio da Ulbra. Os balancetes de setembro, outubro e novembro serão divulgados ainda este mês pela auditoria.
Trezentos carros de Becker já foram vendidos
Durante o mês de dezembro estão sendo comercializados lotes de 30 carros que pertenciam a Ruben Becker. Não se trata de um leilão nos moldes convencionais já que leva em consideração um pedido de entidades de classe do município de Canoas para evitar a divisão do patrimônio do município. O Museu do Automóvel era considerado o maior do gênero na América Latina.
Para viabilizar a venda em lotes as negociações ficaram a cargo dos leiloeiros, que têm como data limite o dia 15 de dezembro. Depois disso, a venda será feita da maneira tradicional, com lances individuais e por unidade. Até o momento, cerca de 300 carros já possuem novos donos. No entanto, a venda ainda não foi homologada, pois um dia antes da primeira lista de compradores ser entregue ao juízo o ex-Reitor Ruben Becker entrou com uma ação de exceção de suspeição pedindo o afastamento de Pinho Machado do processo. O conteúdo dos documentos encaminhados pelo advogado de Becker, Geraldo Moreira, estão sob sigilo. Sabe-se, no entanto, que a alegação é de que o juiz federal estaria impedido de julgar o processo por ter sido empregado da Ulbra. Pinho Machado lecionou no curso de Direito da Ulbra no início de sua carreira.
Até a decisão final sobre a continuidade ou não do processo em suas mãos, Pinho Machado não está despachando sobre o caso, à exceção de questões urgentes como a recente determinação de uso de verba para o pagamento da folha salarial dos servidores. A expectativa da Justiça Federal é que o impasse seja solucionado na próxima semana, já que dia 18 de dezembro inicia o recesso de fim de ano.
PF analisa material apreendido na Operação Kollektor *
Enquanto o processo na Justiça Federal está temporariamente parado, a equipe responsável pela investigação da Operação Kollektor iniciou a análise do material apreendido na manhã de quarta-feira (9 de dezembro) na casa de 14 ex-gestores da Ulbra. Entre os documentos arrecadados estão cópias de contratos, escrituras de imóveis e comprovantes de movimentações bancárias que superam R$ 4 milhões.
Também foram apreendidos 60 mil reais, 15 mil dólares e 10 mil euros, além de mais de uma centena de peças de jóias e 25 relógios importados, que ficarão depositados à disposição da Justiça Federal. Os dados e documentos contidos nos computadores apreendidos (17 notebooks e 14 CPU’s) serão analisados pela perícia da Polícia Federal. A Operação Kollektor investiga esquema de desvio de dinheiro da Ulbra mediante a utilização de empresas fantasmas, ou inexistentes, criadas com a finalidade exclusiva de saquear a Instituição.