MEC cancela criação de novos cursos de medicina

O edital para abertura de novas vagas em cursos de medicina já foi adiado quatro vezes desde 2023. Ministério da Educação alega saturação na criação de vagas

MEC revoga criação de novos cursos de medicina

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O Ministério da Educação (MEC) revogou o Edital 1/2023, referente à seleção de propostas para autorização de novos cursos de Medicina em instituições privadas no país.

A decisão foi tomada após avaliação do novo cenário da formação médica no país, marcado pela recente expansão de cursos e vagas de medicina, muitos provocados pela judicialização dos pedidos de autorização e do aumento de vagas em cursos já existentes.

Segundo o MEC, a revogação tem por objetivo preservar a qualidade do ensino, assegurar campos de prática adequados no Sistema Único de Saúde (SUS) e garantir coerência com a política pública instituída pela lei do Mais Médicos.

O ato foi publicado no Diário Oficial da União na noite de terça-feira, 10, em edição extra. O edital, que já havia sido adiado quatro vezes desde 2023, previa a abertura de 5.700 vagas em todo o país. No Rio Grande do Sul, eram previstas 240 vagas distribuídas em quatro novos cursos.

Cursos com nota baixa

O resultado da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) levou ao debate público a qualidade da formação médica no país. Cerca de 30% dos 351 cursos de medicina avaliados ficaram nas faixas consideradas insatisfatórias. A maioria dessas instituições são privadas com fins lucrativos.

“Embora esses elementos tenham surgido após a elaboração do edital de seleção, e não reflitam diretamente sobre os procedimentos de autorização de novos cursos, eles revelam alteração significativa do contexto fático, social e regulatório no qual se insere a política de formação médica no país, reforçando a importância da centralidade da qualidade da oferta e da adequação da formação às necessidades do SUS”, diz o MEC.

Leia também

Enamed acende alerta sobre risco à vida em UTIs

*Luigi Pinzetta é estagiário de jornalismo sob supervisão de Valéria Ochôa.

Comentários