Fenaj e Sindjors emitem nota de repúdio a ataques sofridos pelo Extra Classe

O documento refere a ameaças e ataques a profissionais e ao jornal por denunciar esquema de irregularidades e fraudes na emissão de diplomas de mestrado e doutorado no ensino superior

Fenaj e Sindjors emitem nota de repúdio a ataques sofridos pelo Extra Classe

Foto: Reprodução

Nesta terça-feira, 2, dezembro,  o  Sindicato de Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJoRS) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) publicaram nota em que repudiam os ataques e intimidações dirigidos aos profissionais do Jornal Extra Classe, especialmente o repórter Marcelo Menna Barreto.

O documento refere também que o jornal  vêm denunciando irregularidades e fraudes na emissão de diplomas de mestrado e doutorado no ensino superior, “amparados por documentação consistente e pelas apurações da série de reportagens Fábrica de Diplomas”.

A nota diz ainda:  “Atacar jornalistas por cumprirem seu dever de investigar e informar é atacar o próprio direito da sociedade à informação de qualidade. Reafirmamos, nesse contexto, a importância da retomada da exigência do diploma em Jornalismo, medida que fortalece a profissão, combate a desinformação e protege a integridade do trabalho jornalístico”.

Segundo Fenaj e Sindjors, “o ataque ao trabalho jornalístico responsável ataca toda a sociedade. O SindJoRS e a Fenaj seguirão vigilantes e atuantes diante de qualquer tentativa de intimidar jornalistas ou de cercear o jornalismo profissional”.

Reação do MEC

A série investigativa Fábrica de Diplomas, produzida pelo Extra Classe desde 1º de agosto, provocou uma reação direta do Ministério da Educação (MEC) na última segunda-feira, 24.

Ofício assinado pelo secretário de Educação Superior, Marcus Vinicius David, e pelo coordenador-geral de Assuntos Internacionais da pasta, Virgílio Almeida de Pereira, foi encaminhado aos “dirigentes das Instituições de Educação Superior” para notificá-los sobre “possíveis irregularidades de diplomas falsos” envolvendo entidades estrangeiras inexistentes e recomenda especial “cautela” na verificação de documentos.

O ofício faz referência explícita à matéria Diploma falso em nome da Fuusa expõe esquema de IES fictícias. Nela, o Extra Classe revela que diplomas supostamente expedidos pela Florida University – USA (Fuusa) vêm sendo usados para requerer registro profissional e reconhecimento acadêmico no Brasil.

A reportagem ainda estabeleceu uma série de vínculos entre outras supostas IES que não constam em registros oficiais do sistema educacional norte-americano e que atuam no Brasil oferecendo cursos de mestrado e doutorado.

O ofício do MEC cita as Faculdades de Teologia e Filosofia Fides Reformata (Fateffir), Unifateffir, Emil Brunner World University (EBWU), Veni Creator Christian University, Ivy Enber Christian University, São Luiz University e a paraguaia Universidad del Sol (Unades). Saiba mais.

Entenda o caso

Desde 1º de agosto, o Extra Classe vem revelando um esquema que pode se transformar em um dos maiores escândalos do ensino superior no país. A série Fábrica de Diplomas mostra como golpistas exploram brechas na plataforma Carolina Bori, do Ministério da Educação (MEC), para validar diplomas de mestrado e doutorado emitidos por instituições irregulares ou inexistentes.

O esquema, criado para reconhecer títulos estrangeiros, se transformou em um negócio milionário que movimenta milhões de reais e prejudica tanto o poder público quanto profissionais que buscam progressão na carreira.

O caso da Facultad Interamericana de Ciencias Sociales (FICS), do Paraguai, foi o ponto de partida. Usando documentos do Instituto Interamericano de Ciencias Sociales (ISICS), proibido de funcionar desde 2018 naquele país, a organização conseguiu ter 917 diplomas registrados na Carolina Bori – 124 doutorados e 791 mestrados, 841 reconhecidos por universidades brasileiras. Depois, outros casos e instituições foram aparecendo e variações do mesmo esquema.

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Acesse toda a série Fábrica de Diplomas pelo link ou QR Code abaixo:

 

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