Instituto paraguaio nega vínculo com faculdade suspeita de golpes no Brasil

A nota nega “categoricamente” qualquer vínculo com a instituição que se “autodenomina Faculdade Interamericana de Ciências Sociais” e diz que dados do Sistema Universitário Paraguaio não registram a FICS

Instituto paraguaio nega vínculo com faculdade suspeita de golpes no Brasil

Foto: Reprodução/Divulgação

O Instituto Superior Interamericano de Ciencias Sociales (ISICS) negou, nesta quinta-feira, 14, qualquer vínculo com a Facultad Interamericana de Ciencias Socialles (FICS), investigada no Brasil pela oferta de cursos de mestrado e doutorado.

A manifestação foi publicada em Comunicado a la Opinión Pública no site da instituição paraguaia, que até a semana passada estava em construção. O documento inaugura o espaço oficial de comunicação do ISICS.

Segundo o texto, o ISICS não oferece titulação acadêmica no momento porque aguarda alterações na lei de fundação para atender ao Consejo Nacional de Educación Superior (Cones).

“Atualmente, esta lei nos autoriza apenas a implementar planos de estudo e programas na área de Relações Internacionais, bem como a emitir títulos de bacharelado e mestrado nessa área do conhecimento”, afirma o comunicado.

A nota nega “categoricamente” qualquer vínculo com a instituição que se “autodenomina Faculdade Interamericana de Ciências Sociais” e diz que dados do Sistema Universitário Paraguaio não registram a FICS. “Não reconhecemos e condenamos por suas ações”, declara.

Diretor não reconhecido pelo Instituto

O ISICS também afirma que Ismael Fenner, que assina carta como diretor-geral da FICS endereçada a estudantes brasileiros, não tem qualquer relação com a instituição.

O documento informa que “o Senado do Paraguai aprovou o projeto de lei que atualiza a regulamentação da FICS como instituição de Ensino Superior” em 4 de agosto.

Segundo o instituto, Fenner “não consta entre os diretores, docentes ou administrativos” e “não possui qualquer poder ou documento que lhe confira a representação que alega, seja nacional ou internacionalmente, e que cita indevidamente a Lei nº 2.972/2006”.

A lei citada é a de fundação do ISICS e, segundo o comunicado, é utilizada de forma indevida pela FICS em propagandas e manifestações no Brasil.

Questionamentos

No dia 11, a assessoria da FICS justificou ao Extra Classe que a regulamentação paraguaia permitiria validar todos os diplomas da faculdade internacionalmente, inclusive no Brasil. A medida, segundo a instituição, resolveria questões que levaram a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) a cancelar títulos de mestrado e doutorado obtidos por alunos da FICS.

O Extra Classe também teve acesso a um e-mail enviado a Domingo Guzmán Melgarejo, diretor-geral do ISICS. O remetente acusa a FICS de enganar “milhares de brasileiros” e aponta divergências entre documentos do Senado do Paraguai — que citam Christian Acevedo — e a carta da FICS, assinada por Fenner.

Outro ponto levantado é a ausência de referência a cursos de mestrado e doutorado no texto legislativo que altera a Lei nº 2.972/2006.

Denúncias e resposta

O jornal tem registrado, nas últimas semanas, denúncias contra a FICS e outras supostas instituições estrangeiras, suspeitas de vender diplomas stricto sensu irregulares em um esquema internacional de fraudes. O Extra Classe questionou a Assessoria Acadêmica do ISICS e aguarda resposta.

A FICS, por meio de nota, alegou que Fenner detém 65% da marca da instituição, com base em registros de cartório de 2016, o que lhe daria plenos direitos de uso. A instituição classificou como equivocadas as informações que contestam esse direito e afirmou que tais alegações configuram apropriação indevida da marca, falsidade ideológica e falsificação de documentos.

Segundo a FICS, foi apresentada denúncia ao Ministério Público para apurar suspeitas de usurpação institucional, uso indevido da marca, produção de documentos falsos e apropriação indevida.

Leia a série de matérias sobre fraude nos diplomas:

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