Educação
Começam as negociações coletivas da educação básica e superior
Nas tratativas com o Sinepe/RS e Sindiman/RS, está a renovação de quatro Convenções Coletivas, com…

A transação financeira da holding mineira acontece em um momento de transformações no marco regulatório da EaD no país
Foto: Cogna/ Divulgação
O grupo educacional Cogna fechou um acordo de financiamento de US$ 100 milhões (equivalente a R$ 570 milhões) com a International Finance Corporation (IFC), instituição do Banco Mundial voltada ao setor privado. A operação tem como objetivo principal a expansão e modernização da infraestrutura de educação digital da companhia ao longo dos próximos três anos.
A transação financeira, com valores atrelados à moeda brasileira, acontece em um momento de transformações significativas no marco regulatório do ensino superior a distância no país. O Ministério da Educação (MEC) implementou novas diretrizes que regulamentam os cursos semipresenciais, estabelecendo maior carga horária presencial obrigatória.
De acordo com Frederico Villa, vice-presidente financeiro da Cogna, as negociações com a IFC tiveram início há aproximadamente dois anos. Na época, porém, a empresa enfrentava níveis elevados de endividamento que inviabilizaram o acordo.
Atualmente, o cenário financeiro da companhia, declara Villa, apresenta maior solidez, com alavancagem de 1,3 vez o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
A holding opera no Brasil as instituições de educação superior sob a marca Anhanguera, que unificou a Fama, LFG, Pitágoras, Unic, Uniderp, Unime, Unopar e outros; a Pitágoras, com atuação também no ensino básico e superior, além da Unime, Unopar, Unic, Uniderp, Unime, Ceama, Unirondon, Fais, Fama, União.
Os recursos captados serão integralmente direcionados para o aprimoramento da plataforma de Ensino a Distância (EaD) que atualmente serve quase 1 milhão de estudantes da Kroton, braço da Cogna no ensino superior.
A plataforma, segundo a empresa, incorpora tecnologias avançadas que incluem ensino adaptativo para se ajustar às necessidades individuais de cada estudante.
Uma das principais justificativas para o investimento é o enfrentamento da alta taxa de evasão nos cursos de ensino a distância. Estatísticas do setor indicam que aproximadamente 60% dos estudantes não concluem seus cursos, principalmente devido à dificuldade de engajamento com metodologias tradicionais baseadas em aulas gravadas e materiais em PDF.
O financiamento apresenta taxa de CDI acrescida de 1,45% ao ano, com prazo de amortização de seis anos e pagamentos semestrais iniciando no segundo ano do contrato. Villa enfatiza que a escolha pela IFC não foi motivada por vantagens financeiras, já que outras instituições ofereciam condições similares.
“Essa captação não tem um propósito financeiro. Poderíamos ter fechado com uma outra instituição financeira com as mesmas condições. A IFC vai nos ajudar em projetos ligados à empregabilidade e para dar mais acesso à educação, há um viés social”, explicou o executivo.
Villa avalia positivamente as mudanças implementadas pelo novo marco regulatório do ensino a distância, que estabelece maior rigor nas regras dos cursos. Ele projeta que o aumento de custos será pequeno e que o grupo possui capacidade para absorver os reajustes necessários e repassá-los às mensalidades.
Segundo o executivo, não foi registrado queda na demanda de matrículas durante o processo de vestibular de inverno, período em que as novas regras passaram a vigorar para os ingressantes. Isso, para ele, é sinal de uma adaptação bem-sucedida às mudanças regulatórias.