Fraco desempenho dos Cursos de Medicina no Enade se concentra nas IES empresariais

Mais de um quarto dos cursos privados tem desempenho insatisfatório. Só seis cursos de medicina alcançam nota máxima no CPC — cinco são privados sem fins lucrativos

Fraco desempenho dos Cursos de Medicina no Enade se concentra nas IES empresariais

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes de 2023 (Enade) divulgados no último dia 11 mostram um cenário preocupante para os cursos de medicina oferecidos por Instituições de Ensino Superior (IES) privadas no Brasil. Enquanto a maioria apresenta notas baixas, um pequeno grupo se destaca com avaliação máxima. Em comum: graduações vinculadas a universidades sem fins lucrativos.

Os dados do Ministério da Educação (MEC) revelam que 27% dos cursos privados de medicina obtiveram conceitos 1 ou 2 no Índice Geral de Cursos (IGC). Em uma escala que vai até 5, esse desempenho coloca essas faculdades abaixo da média nacional (4,02) e acende um alerta sobre a qualidade do ensino médico em parte do setor particular.

A média nacional foi puxada por IES públicas que registraram apenas 6,1% das notas mais baixas.

No total o Enade 2023, avaliou 190 cursos de medicina em instituições privadas com e sem fins lucrativos e confessionais. As graduações de IES públicas totalizaram 113.

O Enade ainda apontou que, entre os cursos mal avaliados, muitos estão localizados em regiões afastadas dos grandes centros. É onde há menor oferta de hospitais de ensino e oportunidades de estágio. Isso afeta diretamente a formação prática dos estudantes.

Confira a o documento completo do Relatório Síntese da Área de Medicina.

Apenas seis instituições obtiveram nota máxima no CPC

Os resultados escancaram uma desigualdade estrutural na formação médica no Brasil. Enquanto 72,5% dos cursos de medicina ofertados por instituições públicas alcançaram notas 4 ou 5, apenas 28,9% das instituições privadas chegaram a esse nível.

Considerando só a avaliação do desempenho dos graduandos, 45 cursos de medicina no país saíram com a nota máxima.

Mas, o recorte do Conceito Preliminar de Curso (CPC) chama a atenção: apenas seis graduações de medicina conquistaram a nota máxima; cinco são de instituições privadas sem fins lucrativos e uma estadual.

Para especialistas, a qualidade do ensino superior não se explica apenas pela divisão entre público e privado, mas pelo modelo de gestão adotado.

Universidades públicas mantêm sua excelência mesmo com restrições orçamentárias. Já entre as privadas, destaca-se o desempenho das instituições sem fins lucrativos, que reinvestem recursos na formação. Em contraste, o crescimento de cursos mantidos por grupos com fins puramente lucrativos tem sido associado a padrões mais baixos de qualidade.

“As estratégias e recursos mobilizados para a educação em todos os níveis, devem sempre contribuir para a qualidade”, afirma o presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), César Callegari.

Em março o Extra Classe registrou a polêmica aberta pela também integrante do CNE, a cardiologista Ludhmila Hajjar. que chamou de “máfia das liminares” o processo que tem culminado com a abertura desenfreada de cursos de medicina no Brasil.

Segundo a conselheira, faculdades têm conseguido na Justiça a autorização para oferecer cursos sem atender aos critérios técnicos exigidos pelo MEC, comprometendo a qualidade do ensino médico no país.

Veja os cursos com nota máxima no CPC

Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) – Pública

  • Universidade do Oeste Paulista (Unoeste/ SP) – Privada
  • Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP/SP) – Privada
  • Centro Universitário Governador Ozanam Coelho (UNIFAGOC/MG) – Privada
  • Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein (FICSAE/SP) – Privada
  • Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium (UniSalesiano/SP) – Privada

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