Ensino superior tem crescimento, mas crise no financiamento ameaça permanência dos alunos

Cursos presenciais perdem espaço no ensino privado, mas resistem no setor público; IES privadas registraram maior número de matrículas de idosos em 10 anos

Ensino superior tem crescimento, mas crise no financiamento ameaça permanência dos alunos

Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil

O ensino superior brasileiro registrou um crescimento de 5,6% nas matrículas entre 2022 e 2023. Ele foi impulsionado principalmente pela modalidade de Ensino a Distância (EAD). Foram 13,4% de avanço no período. Os dados são do Mapa do Ensino Superior no Brasil 2025, divulgado pelo Instituto Semesp.

O documento também aponta desafios como a crise no financiamento estudantil e a alta evasão. Enquanto o EAD segue em expansão, os cursos presenciais continuam em queda, embora o ritmo de declínio tenha diminuído.

EAD domina no setor privado

Os dados mostram que a rede privada concentra 79,3% das matrículas no ensino superior, sendo que 95,9% dos alunos de EAD estudam em instituições privadas. Por outro lado, o ensino público mantém sua relevância nos cursos presenciais, que ainda representam 50,7% das matrículas totais no país.

Outro dado que chama atenção é a crescente concentração de alunos em poucas instituições privadas. Apenas 3,5% das mantenedoras detêm 69,4% do total de matrículas, uma tendência que pode impactar a diversidade e a qualidade da educação superior no país.

Crise no financiamento e evasão preocupam setor

O Mapa do Ensino Superior 2025 também destaca a crise nos programas de financiamento estudantil. O número de contratos do FIES caiu drasticamente, com apenas 22 mil assinados em 2024, e o Prouni teve uma redução significativa na adesão, com queda de 8,9% no número de alunos com bolsa integral e 18,1% nas bolsas parciais. Essa dificuldade de acesso ao financiamento impacta diretamente a permanência dos estudantes, especialmente no ensino privado e no EAD, onde a evasão chega a alarmantes 64,1%.

Para o diretor-executivo do Semesp, Rodrigo Capelato, o cenário exige mudanças urgentes. “A redução do FIES e a baixa adesão ao Prouni estão tornando o ensino superior inacessível para muitos estudantes. Se não houver uma revisão das políticas públicas, veremos um aumento ainda maior na evasão e uma restrição do ensino superior a uma parcela cada vez menor da população”, alerta.

O relatório evidencia uma crise nos programas, com redução no número de contratos e bolsas concedidas. Apesar disso, não detalha especificamente as melhorias necessárias para o FIES e o Prouni.

Já governo federal tem implementado medidas para aprimorar esses programas. Em 2023, foi anunciada a possibilidade de renegociação de dívidas do FIES, permitindo que estudantes inadimplentes regularizassem sua situação financeira.  Além disso, para 2025, o governo planeja oferecer 112.168 novas vagas para o FIES, destinando 50% delas a candidatos inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), visando ampliar o acesso ao ensino superior para estudantes de baixa renda.

Idosos ampliam presença

Conforme o levantamento, o número de idosos matriculados no ensino superior cresceu nos últimos dez anos, obtendo a melhor marca. Na realidade, foi o único em que houve aumento de matrículas nos cursos presenciais em instituições privadas entre 2013 e 2023.

Apesar do avanço, os idosos ainda representam uma parcela pequena do total de estudantes no ensino superior privado. Segundo o estudo, eles correspondem a 0,4% dos matriculados em cursos presenciais e 0,8% nos cursos a distância (EAD). No EAD o aumento desse segmento foi de 672% no mesmo período. Foram 154% a mais do que a segunda faixa com maior crescimento, no caso, o público de até 24 anos.

O crescimento das matrículas entre os idosos foi de 22% na última década, um dado que contrasta com a redução de estudantes em outras faixas etárias no ensino presencial. O estudo reforça a tendência de maior inclusão educacional dessa população e o interesse crescente por qualificação na terceira idade.

Os cursos mais procurados no Brasil

Entre os cursos presenciais, o destaque continua sendo Direito. De longe é o primeiro lugar, com 741.394 matrículas. Isso representa 42,6% do total de alunos dessa modalidade.

Em seguida, aparecem Enfermagem (174.513), Psicologia (162.033), Administração (105.395) e Farmácia (83.931).

Já no EAD, Pedagogia lidera com 504.933 matrículas, seguido por Administração (174.513), Gestão de Pessoas (162.033), Ciências Contábeis (105.395) e Sistemas de Informação (83.931).

A pesquisa também revela um crescimento expressivo em cursos ligados ao agrossistema, como Agronegócio, Agrocomputação e Biotecnologia. Apesar de ainda representarem uma fatia pequena do total de matrículas, esses cursos tiveram um aumento de 26% nos últimos 10 anos e oferecem salários médios 9,4% superiores aos de outras carreiras.

 

 

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