Pedido de prisão de professora após greve contra terceirização de escolas no PR provoca revolta

Presidente do sindicato dos trabalhadores em educação é alvo de represália do governo após mobilização contra terceirização de escolas públicas
Pedido de prisão de professora após greve contra terceirização de escolas no Paraná provoca revolta

Após votação que aprovou a terceirização de escolas estaduais no Paraná, 70% dos professores entraram em greve

Foto: APP-Sindicato/ Divulgação

Entidades e parlamentares estão reagindo à solicitação de prisão da presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), a professora Walkiria Olegário Mazeto. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) já está sendo acionada. A informação é do presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo.

O pedido de prisão assinado pela procuradora do estado Mariana Carvalho Waihrich sob ordens do Executivo do Paraná marca o nível de acirramento das tensões entre o governador Ratinho Júnior (PSD) e os trabalhadores na educação pública paranaense.

O motivo, a recente votação e sanção do projeto de lei que prevê terceirização de 204 colégios do estado.

Segundo a ação que foi encaminhada ao desembargador Marcelo Wallbach Silva, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), há uma suposta desobediência da entidade sindical presidida por Walkiria que não encerrou a greve dos professores da rede estadual.

O movimento iniciou no último dia 3, quando a proposta de terceirização foi a votação em primeira vez na Assembleia Legislativa do Paraná.

Pedido de prisão de professora após greve contra terceirização de escolas no PR provoca revolta

Walkiria Mazeto, presidente do APP-Sindicato é alvo de represália devido à mobilização dos professores

Foto: APP-Sindicato/ Divulgação

Proposição sem fundamento

“Primeiro, o que ele (Ratinho Júnior) pediu não vai ser efetivado. Já há o movimento lá dos parlamentares, já tem também conversas com o próprio governador e nós (CNTE) estamos trabalhando contra essas medidas de ataque à liberdade e autonomia sindical”, afirma Araújo.

Uma moção de repúdio a atitude tomada já está em fase de coleta de assinaturas de entidades Brasil afora e, segundo o presidente da CNTE, irá mostrar o tamanho da indignação da sociedade.

Segundo a direção do APP-Sindicato, não é só o jurídico da entidade que está se movimentando contra a solicitação de prisão da presidente da entidade.

Em nota, a APP-Sindicato informa que “deputados estaduais, Defensoria dos Direitos Humanos e OAB/PR, estão tomando todas as medidas políticas e jurídicas necessárias para o cancelamento imediato desta proposição que não possui qualquer fundamento legal”.

Alvo da solicitação de prisão, a professora Walkiria, declara que “o pedido é descabido, desproporcional e criminosos. A greve é legal e legítima, provocou na sociedade o debate sobre os rumos da educação e incomodou o Estado em sua pretensão de privatização”.

Prática truculenta e mentirosa

Na visão de Walkiria, a medida mostra a forma truculenta de agir do governo Ratinho Júnior e é mais uma “prática antissindical” entre uma série já vivenciada no estado.

Sob a alegação do Executivo estadual de que a terceirização nas 204 escolas se dará somente na parte da gestão administrativa, a presidente do APP-Sindicato é categórica: “Consideramos mentirosa. As empresas precisam cumprir metas educacionais, que, uma vez cumpridas, rendem bônus por estudante”, conclui.

A greve dos professores do Paraná está no seu segundo dia. No dia da primeira votação para permitir o processo de terceirização, manifestantes chegaram a ocupar a Alep e foram reprimidos com bombas de gás lacrimogêneo. Pelo menos três pessoas acabaram feridas.

Segundo o APP-Sindicato, 70% dos professores do estado estão em greve. A Secretaria Estadual da Educação do Paraná (Seed-PR) diz que 95% dos professores estão trabalhando.

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