Ser Educacional anuncia incorporação da Laureate

Negociação que no RS envolve a UniRitter e a Fadergs resultará no quarto maior grupo educacional de ensino superior do país. Operação depende de aprovação do Cade
Centro Uninassau, em Recife, uma das unidades da Ser Educacional, atual quinto maior grupo educacional privado do país

Centro Uninassau, em Recife, uma das unidades da Ser Educacional, atual quinto maior grupo educacional privado do país

Foto: Uninassau/ Divulgação

Um dos maiores grupos privados de educação do Brasil e líder nas regiões Nordeste e Norte em alunos matriculados, o Grupo Ser Educacional anunciou nesta segunda-feira, 14, em comunicado aos acionistas, a assinatura de contrato com valor estimado em R$ 4 bilhões para a incorporação dos negócios no Brasil da Rede Internacional de Universidades Laureate. O montante engloba o pagamento em caixa de R$ 1,7 bilhão pela Ser, o recebimento de dívida líquida de R$ 623 milhões e entrega de 44% das ações da nova companhia à Laureate – que no Rio Grande do Sul controla a UniRitter campi Porto Alegre e Canoas, a Fapa e a Fadergs. Caso venha ser concretizada, a transação resultará no quarto maior grupo de ensino privado do país, com ações na Bolsa de Valores, em um ranking liderado atualmente pela Kroton, Estácio de Sá e Unip.

Quarta maior rede de ensino privado do país, a Laureate Brasil atua em oito estados e 13 cidades, com 50 campi universitários e aproximadamente 267 mil estudantes. Os ativos incluem as unidades do Centro Universitário FMU e da Universidade Anhembi Morumbi (UAM), em São Paulo; os Centros Universitários Ritter dos Reis (UniRitter) e Fadergs, no Rio Grande do Sul; a Universidade Salvador (Unifacs), na Bahia; a Universidade Potiguar (UnP) no Rio Grande do Norte; o Centro Universitário dos Guararapes (UniFG), em Pernambuco; a Faculdade Internacional da Paraíba (FPB), na Paraíba; o Centro Universitário IBMR (IBMR) no Rio de Janeiro, dentre outras.

Quinto maior grupo educacional privado do Brasil, a Ser Educacional está presente em 26 estados e no Distrito Federal, com uma base consolidada de aproximadamente 185 mil alunos, operando sob as marcas Uninassau (Centro Universitário Maurício de Nassau e Faculdades Uninassau), Uninabuco (Centro Universitário Joaquim Nabuco, Escolas Técnicas Joaquim Nabuco e Maurício de Nassau), Univeritas (Centro Universitário Universus Veritas,  Faculdades Univeritas, Univeritas/Universidade de Guarulhos, Unama (Universidade da Amazônia, Faculdades Unama) e Uninorte (Centro Universitário do Norte). Essas instituições oferecem 1.904 cursos.

Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, controlada pela Laureate

Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, controlada pela Laureate

Foto: Laureate/ Divulgação

Megaempresa de educação terá 450 mil alunos e 100 campi

O negócio criará o quarto maior grupo de ensino superior do Brasil, com aproximadamente 450 mil alunos nas modalidades de ensino presencial e a distância, mais de 100 campi universitários, mais de 500 polos de ensino a distância e ampliará a presença do grupo Ser para 26 estados e Distrito Federal.

O grupo anunciou que a nova companhia, já listada nas ações em bolsa do mercado educacional no Brasil, também passará a ter suas ações negociadas nos Estados Unidos, “e aprimorará seus padrões de governança corporativa” com a criação de diversos comitês estratégicos como o de integração e de auditoria, além dos já existentes, de forma a atender aos padrões de governança estabelecidos pela lei Sarbaes-Oxley (SOX) – legislação antifraudes corporativas em vigor nos EUA.

“O Grupo Ser Educacional, durante os seus 17 anos de trajetória, sempre buscou crescer de forma orgânica e por meio de aquisições. A negociação realizada, com a consequente incorporação da Laureate Brasil ao Grupo, traz benefícios para ambas as companhias e permitirá ao Grupo Ser dar um passo grandioso na consolidação do setor educacional brasileiro”, afirma o CEO da companhia, Jânyo Diniz. Ele destaca que a Laureate Brasil “é referência de oferta de cursos na área de saúde”, especialmente em Medicina, com mais de 800 vagas anuais. “Concluindo a incorporação, iremos agregar 11 instituições de ensino ao nosso portifólio e ampliar nossa presença em quase todos os estados do Brasil, consolidando o grupo como um player nacional”, comemora.

Jânyo Diniz, executivo da Ser Educacional: estratégia agressiva de fusões e aquisições

Jânyo Diniz, executivo da Ser Educacional: estratégia agressiva de fusões e aquisições

Foto: Uninassau/ Divulgação

O ACORDO – Nos termos da transação, o Ser Educacional ficará com 100% do capital social e votante de todos os ativos, pagará à Laureate R$ 1,7 bilhão em caixa na data de fechamento da transação e assumirá dívida líquida estimada em R$ 623 milhões. Adicionalmente, a Laureate receberá ações equivalentes a 44% das ações da nova companhia. Com isso a transação, uma vez concluída, resultará em um valor total, incluindo dívidas e outras obrigações, atribuído aos ativos da Laureate no Brasil, com base nas cotações do dólar e preço de fechamento das ações da Ser Educacional em 10 de setembro, de aproximadamente R$ 4 bilhões.

A negociação, que envolve parte em dinheiro e parte em ações, manterá como controlador da companhia o fundador e atual controlador do Grupo Ser Educacional, o paraibano Janguiê Diniz, que segundo a empresa continuará apontando a maioria dos membros do Conselho de Administração da companhia, bem como os seus executivos.

Como resultado da transação, Janguiê passará a ser detentor de 32,1% da companhia, mantendo seu direito de voto como acionista principal e maior acionista individual da nova companhia Ser Educacional.

O fechamento da operação depende de condições precedentes, dentre elas, aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Os termos da negociação estabelecem que a Laureate pode aceitar, no prazo de 30 dias contados da data da celebração do contrato, propostas vinculantes superiores a efetivada pelo Grupo Ser Educacional apresentadas por terceiros interessados (“Go-Shop”). Em caso de haver proposta superior nesse prazo, o Grupo Ser Educacional tem a preferência de igualar qualquer eventual nova proposta, e não havendo interesse nesse sentido, o Grupo Ser Educacional receberá R$ 180 milhões, a título de multa contratual.

Uma vez confimada a ausência de propostas superiores a apresentada pela Ser Educacional, a transação está prevista para ser concluída até o final de 2021.

EMPREGABILIDADE – Em comunicado, a Laureate Brasil informa que, “após uma criteriosa análise global das oportunidades estratégicas para a operação do grupo internacional no país, decidiu assinar um acordo de intenção de negócio com a Ser Educacional” no último domingo, 13. Segundo a companhia, o termo inclui 30 dias de análise de mercado, período em que o grupo norte-americano Laureate International Universities poderá receber novas propostas e negociar com outras empresas, tendo o grupo Ser Educacional a preferência na transação. “Não havendo novos interessados ou não chegando a nenhum acordo com outra companhia, a combinação dos ativos da Laureate Brasil com o grupo Ser Educacional será executada e submetida à aprovação dos órgãos reguladores competentes”.

De acordo com a multinacional, o processo em curso “não impacta os projetos que estão em andamento no país atualmente e o principal objetivo das instituições de ensino superior que compõem a rede Laureate Brasil continua sendo oferecer a melhor experiência na formação para todos os alunos, que não sofrerão qualquer impacto ao longo da jornada”. A empresa destaca que manterá o compromisso com a educação e a empregabilidade e se diz confiante que “uma aliança no setor educacional brasileiro agregará ainda mais valor ao seu papel de oferecer educação de qualidade, de um jeito ainda mais forte e eficiente”. No estado, as instituições controladas pela Laureate enfrentam problemas decorrentes da mercantilização do ensino e são marcadas por demissões de professores.

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