Ambiente
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Queima de combustíveis fósseis, desmatamento e exploração de recursos naturais provocam o aquecimento global
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgou, em janeiro, que 2025 foi um dos anos mais quentes já registrados. A análise reúne oito conjuntos de dados climáticos globais, baseados em medições feitas por satélites e por estações meteorológicas desde 1850.
No último ano, a temperatura média global ficou mais de 1,44 grau Celsius acima da média observada entre os anos de 1850 e 1900, valor que se aproxima do limite de 1,5 grau estabelecido pelo Acordo de Paris.
Assinado em 2015, por diversos países, o Acordo de Paris estabelece o compromisso de manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2 graus Celsius e limitar o aquecimento global a 1,5 grau. Para isso, é necessário reduzir 50% das emissões dos gases do efeito estufa até 2070 e zerar totalmente até 2100.
A elevação decorre do aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, associado sobretudo à queima de combustíveis fósseis, ao desmatamento e à exploração de recursos naturais.
Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), 1,44 grau Celsius de aquecimento é responsável por perdas amplas de ecossistemas, maior frequência de eventos extremos e redução da capacidade de adaptação humana.
Ainda, algumas mudanças causadas pela elevação da temperatura se tornam irreversíveis, conhecido como “ponto de não retorno”.
Entre os principais pontos de não retornos identificados pelo IPCC estão o degelo da Groelândia e da Antártida e a devastação da floresta amazônica.
O climatologista Carlos Afonso Nobre, membro titular da Academia Brasileira de Ciências e um dos cientistas mais respeitados, afirma que os países não estão próximos das metas estabelecidas no Acordo de Paris.
Pelo contrário, desde 2023, as emissões de gases de efeito estufa e a elevação da temperatura bateram recordes anuais.
“Agora, o que a ciência diz com clareza é que iremos atingir permanentemente os 1,5 grau Celsius até 2030”, alerta. “Isso porque os países continuam com as emissões altas, mesmo com as metas revisadas de reduzir 46% delas até 2030”.
Em cada Conferência das Partes (COP), os países estabeleceram as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que são os esforços de cada país para reduzir as emissões nacionais e adaptar-se aos impactos da mudança do clima.
Segundo Nobre, na COP30, realizada no Brasil no ano passado, a maior parte dos países não estabeleceu metas rigorosas. Entre os três maiores emissores, apenas a China apresentou metas revisadas. A Índia manteve compromissos anteriores. Os Estados Unidos não compareceram e ainda deixaram o Acordo de Paris pela segunda vez sob o Governo Trump.
Recentemente, Carlos Afonso Nobre foi o primeiro brasileiro eleito como “guardião planetário”, parte do grupo Planetary Guardians que reúne pesquisadores e ativistas engajados em estudos e análises sobre ação climática.
Um estudo publicado na revista científica Advances in Atmospheric Sciences indica que a temperatura média da superfície do mar ficou, em 2025, 0,49 grau Celsius acima da média de referência.
Os oceanos cobrem 71% da superfície do planeta e concentram cerca de 97% de toda a água da Terra. Eles absorvem mais de 90% do excesso de calor do sistema climático e até 30% dos gases de efeito estufa presentes na atmosfera.
Carlos Nobre explica que o aumento da temperatura do oceano leva à uma menor absorção dos gás carbônico excedente produzido pela queima de combustíveis fósseis e à acidificação da água. O que gera um impacto enorme na biodiversidade marinha.
Além disso, o fenômeno intensifica ciclones tropicais, altera regimes de chuva e favorece a elevação do nível do mar.
Na última década, o nível do mar subiu cerca de 4,7 milímetros por ano. A OMM aponta impactos diretos sobre áreas costeiras e sobre a pesca. No Brasil, mais da metade da população vive a até 150 quilômetros do litoral, o que equivale a cerca de 111 milhões de pessoas.
É a agência especializada das Nações Unidas (ONU) para meteorologia, hidrologia, clima, recursos hídricos e questões ambientais. A organização coordena a atividade científica global em previsões do tempo e pesquisas sobre poluição, mudanças e atividades do clima, diminuição da camada de ozônio e tempestades tropicais.
Também busca garantir a precisão constante das informações meteorológicas e de outros serviços de interesse público e do setor privado, como aviação internacional e transporte. A OMM foi fundada em 1950 e é composta por 189 membros, incluindo o Brasil.
*Luigi Pinzetta é estagiário de jornalismo sob supervisão de Valéria Ochôa.