Ambiente
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Praia de Fora tem mais de 250 mil unidades de pinus, espécie exótica invasora que será substituída por espécies nativas até 2027
Foto: Nosso Itapuã/ Divulgação
Com investimento de R$ 2,5 milhões oriundos da política pública de Reposição Florestal Obrigatória (RFO) da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema/RS), o projeto Nosso Itapuã começa a derrubada de pinus, uma espécie exótica invasora altamente danosa aos ecossistemas, que deve dar lugar à vegetação nativa do Parque Estadual de Itapuã, em Viamão. A iniciativa é da Universidade La Salle em conjunto com a CPFL Energia e a Sema, com previsão de ações até 2027”, explica o coordenador do projeto professor Maurício Pereira Almerão.
“Esse é um projeto de três anos, mas a demanda que existe na área é ainda maior. Estamos diante de um problema ambiental histórico e de larga escala. Restaurar o Parque de Itapuã é recuperar uma função ecológica, cultural e social que já estava se perdendo”, ressalta.
O principal desafio é conter o avanço do Pinus elliottii, uma espécie exótica invasora que compromete a biodiversidade ao impedir o crescimento de plantas nativas, especialmente no Morro do Araçá e na Praia de Fora – áreas hoje tomadas por extensos maciços da planta.
“A percepção sobre o pinheiro ser uma espécie exótica invasora é baixa entre a população do entorno do parque. Muitas pessoas o veem como um estorvo ou uma madeira ruim”, explica o biólogo Rafael Borges. “Não compreendem a dimensão do problema ambiental que ele causa, como a degradação do solo e a perda de biodiversidade”, esclarece.
“As pessoas falam muito sobre plantar árvores, mas quase nunca sobre os impactos de espécies exóticas invasoras. O Pinus ocupa o espaço de espécies nossas, espécies que são nativas, formam grandes adensamentos de árvores e invadem inclusive áreas originalmente de campo”, acrescenta a botânica e bióloga Mariana Vieira. A estimativa é que existam na Praia de Fora mais de 250 mil unidades de pinus, o suficiente para comprometer a regeneração natural da mata nativa se nada for feito.

Retirada da espécie invasora para o replantio de vegetação nativa e a recuperação dos ecossistemas originais conta com a participação de moradores locais, contratados pelo projeto para participar das atividades
Foto: Nosso Itapuã/ Divulgação
As ações do “Nosso Itapuã” já estão em curso desde março. Drones mapearam todo o território da Unidade de Conservação evidenciando as áreas mais afetadas, cerca de 13 mil indivíduos de pinus foram cortados em 107 hectares, 500 mudas de árvores nativas do parque foram plantadas e um viveiro de mudas nativas está sendo implantado. Para o manejo do Pinus, foram aplicadas técnicas como corte raso e anelamento. Ao mesmo tempo, a vegetação nativa está sendo monitorada. “A ideia é que a gente tenha a volta da vegetação nativa ali”, aposta Rafael. Além da execução técnica detalhada e baseada em ciência, o projeto também tem forte preocupação social. A população do entorno foi contratada para atuar no campo – no corte das árvores exóticas, no plantio das mudas nativas e na montagem do viveiro.
Mais do que remover árvores invasoras, o projeto propõe uma reconexão entre pessoas e território. Por meio de atividades de educação ambiental, escolas e moradores vizinhos ao parque serão convidados a participar do resgate da paisagem nativa. “Queremos que as pessoas olhem para o parque e sintam que aquilo também é delas”, afirma Mariana.
Para Rafael, a sensibilização pública é crucial: “A população local muitas vezes não tem noção de que aquelas árvores estão degradando a biodiversidade, empobrecendo o solo e matando a paisagem original.”
O Parque Estadual de Itapuã é um patrimônio ambiental e cultural do Rio Grande do Sul, destaca Rafael. “O que buscamos aqui é mudar o olhar das pessoas sobre a Unidade de Conservação e sobre o trabalho de restauração ambiental”, explica. O projeto, que também está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, se insere na Década da Restauração Ecológica (2021-2030) e se insere nas experiências nacionais e internacionais de enfrentamento à crise ambiental.