Ambiente
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Fotos: Vinicius Cavalcanti/Walter de Abreu/Divulgação
Em celebração ao Dia Mundial dos Oceanos, comemorado no último domingo, 8 de junho, o Museu Oceanográfico Prof. Eliézer de Carvalho Rios e o Museu Antártico, em Rio Grande (RS), recebem a mostra nacional Maré de Mudanças – Década dos Oceanos. Com entrada gratuita, a exposição interativa segue em cartaz até 13 de julho, das 14h às 18h, no complexo museológico da Rua Capitão Tenente Heitor Perdigão. As visitas acontecem de terça a sábado, das 8h às 12h e das 14h às 18h, e aos domingos, das 14h às 18h.
A mostra alerta para dados alarmantes. Os oceanos recebem cerca de 8 milhões de toneladas métricas de plástico por ano, segundo a revista Science. O Brasil é responsável por 1,3 milhão de toneladas – 8% da poluição plástica oceânica global – e ocupa o 8º lugar no ranking mundial de maiores poluidores, conforme estudo da Oceana.
Realizada pela LB Circular, com patrocínio do Instituto Aegea via Lei de Incentivo à Cultura, a mostra oferece ao público uma imersão sensorial em arte, ciência e sustentabilidade.
“O público pode aguardar uma experiência transformadora. A exposição nos convida a caminhar por dentro de instalações artísticas feitas com materiais reaproveitados, refletindo sobre o impacto do nosso consumo e conhecendo soluções criativas para o futuro dos oceanos”, promete Liu Berman, diretora da LB Circular, embaixadora do Movimento Reinventando Futuros e curadora geral da mostra.
Referência nacional em economia criativa, circular e gestão colaborativa, Liu defende que a economia circular atua “preventivamente e corretivamente” sobre as fontes de poluição hídrica. Ao transformar resíduos em recursos, redesenhar produtos para evitar descarte e regenerar ambientes, o modelo circular alinha-se diretamente aos esforços para manter rios e oceanos limpos.
“Quando o dado não toca, a arte atravessa”, explica. A exposição parte do entendimento de que informações científicas, por si só, não são suficientes para provocar mudanças. É necessário sensibilizar, conectar, emocionar — e a arte cumpre esse papel, ativando a imaginação e a empatia.
A programação inclui visitas guiadas, painéis interativos sobre mudanças climáticas, poluição plástica e pesca fantasma, e instalações como Latente, Entremear e Mar de Fantasmas. A mostra também apresenta um “Oceano Artificial”, com projeções 3D e vídeoarte sobre tecidos fluidos. Retroprojetores, infográficos e rodas de conversa reúnem pesquisadores, instituições e comunidades litorâneas. Cartilhas digitais de “Educação Oceânica e Circularidade” também fazem parte do projeto e serão disponibilizadas gratuitamente no site oficial da exposição.
“A exposição é também um convite à ação coletiva, mostrando que ainda há tempo de mudar, mas que essa mudança depende da nossa coragem de imaginar e construir futuros diferentes, mais justos e ecológicos”, defende Liu.

Liu Berman é referência nacional em economia criativa, circular e gestão colaborativa
Foto: Renata Larroyd/Divulgação
Provocada pelo Extra Classe sobre qual papel da arte na promoção da sustentabilidade neste momento de crise ambiental mundial, com efeitos diretos e crescentes na Região Sul do país, ela afirmou: “é o de convocar, curar e transformar”.
“A arte tem a potência de despertar aquilo que os dados não conseguem alcançar: o afeto, a empatia, a imaginação. Em tempos de colapso climático, quando eventos extremos já não são mais futuros distantes, mas realidades cotidianas como as vividas no Sul do país , a arte se torna essencial para reconstruir sentidos, unir comunidades e mobilizar consciências”, explica.
Já a sustentabilidade, segundo Berna, para além de um conceito técnico, “precisa ser entendida como um compromisso ético e coletivo com a regeneração da vida. É um caminho que exige coragem política, transformação econômica e, sobretudo, envolvimento cultural. E isso começa nos territórios , como o Sul do Brasil, que carrega cicatrizes e saberes potentes e se expande pelo planeta”.
“Neste momento, a intersecção entre arte e sustentabilidade é talvez a linguagem mais poderosa que temos: capaz de ativar o cuidado, recontar histórias, imaginar soluções e mobilizar pessoas para agir, antes que seja tarde”, conclui.
Ao longo da mostra, performances artísticas e intervenções visuais estarão alocadas dentro do Museu Antártico, assinados pelos artistas Renata Larroyd, Gyulyia, Arthur Boniconte (Midiadub), Via, Padre, Coletivo Flutua, Subtu, Iskor e Rodrigo Machado, do estúdio Buriti – autor da cenografia local.
O ambiente é pensado cuidadosamente nos eixos centrais da exposição: mudanças climáticas, biodiversidade, poluição e regeneração dos oceanos. A cenografia utiliza formas, texturas e cores inspiradas em corais e recifes da Baía de Todos os Santos e outras espécies essenciais para a vida marinha, trazendo elementos que traduzam a Década dos Oceanos.
O objetivo da programação, da ambientação às intervenções artísticas, é conectar arte, Ciência e educação a fim de conscientizar diferentes públicos – estudantes, docentes, famílias, instituições e corporações.
“Estou muito animado com essa exposição, acredito que ela terá grande impacto para todo mundo que for ver ao vivo as obras, vamos trazer temas preocupantes mas de uma forma leve. Quanto a minha obra é um tubarão baleia revestido com borracha de câmaras antigas, então para mim é um duplo desafio, tanto pela representação desse animal pela primeira vez na minha carreira, quanto pelo uso da borracha, material que infelizmente acaba frequentemente nas nossas águas”, afirma Subtu, que terá trabalhos expostos na mostra.
A escolha do local para sediar a mostra também não é por acaso. O Maré de Mudanças dialoga diretamente com os princípios que regem o Complexo de Museus e Centros Associados da Furg, reconhecido por sua atuação na difusão científica, preservação da biodiversidade marinha e formação cidadã.
“A iniciativa se alinha profundamente com os valores e a missão da Furg, que tem como vocação institucional o estudo e a preservação dos ecossistemas costeiros e oceânicos. A chegada da exposição aos museus da universidade fortalece sua atuação como polo nacional e internacional de excelência em Ciências do Mar, além de valorizar a integração entre ensino, pesquisa e extensão, com foco na educação ambiental e no engajamento social”, afirma Guy Barcellos, Coordenador Pedagógico do Museu Oceanográfico.
O acervo do Museu Oceanográfico ‘Prof. Eliézer de Carvalho Rios’ abriga uma das mais importantes coleções de moluscos e mamíferos marinhos da América do Sul, e tem sido fundamental para a popularização da ciência e o desenvolvimento de ações educativas. Em 2023, mesmo diante de desastres climáticos, o Museu promoveu diversas atividades formativas e recebeu mais de 69 mil visitantes, reafirmando seu papel transformador.
Já a extensão da mostra Maré de Mudanças até a sede do Museu Antártico – prédio anexo ao Oceanográfico – marca, de forma simbólica e significativa, a reabertura do acervo, após ser atingido por enchentes severas entre os anos de 2023 e 2024. Com sua fundação datada em 1997, a instituição cultural é considerada um centro de referência, reproduzindo as primeiras instalações da Estação Antártica “Comandante Ferraz” – trazendo a dinâmica dos mares em ambientes inóspitos.
“Com a instalação do Maré de Mudanças, o Museu Antártico retoma suas atividades públicas e renova seu compromisso com a educação e a preservação ambiental. A exposição reforça o elo entre a universidade e a sociedade, promovendo a conscientização sobre os desafios enfrentados pelos oceanos e inspirando a construção de um futuro mais sustentável”, destaca Guy Barcellos.
Fundado em 1953, o Museu Oceanográfico da Furg é uma referência mundial na área de Oceanografia. Localizado às margens do Canal do Estuário da Laguna dos Patos, o museu abriga a maior e mais completa coleção de moluscos marinhos da América do Sul, com 51 mil lotes, sendo um acervo valioso para o estudo dos ecossistemas marinhos. Criado pelo Professor Eliézer de C. Rios, diretor e fundador do museu, o espaço mantém exposições permanentes que retratam a vida e dinâmica dos oceanos, com exemplares de animais marinhos de todos os oceanos, com vastas coleções: malacológica e osteológica.
Além de sua função educativa e cultural, o Museu Oceanográfico da Furg é um centro ativo de pesquisa, apoiando alunos de graduação, mestrado e doutorado em Oceanografia. O local conta com quatro laboratórios e uma grande coleção de recursos para o desenvolvimento de monografias, teses e projetos especiais. O museu tem se mostrado uma peça chave para a formação de novos pesquisadores e para a criação de soluções para a conservação dos oceanos e suas espécies.
Inaugurado em 1997, o Museu Antártico apresenta peças em exibição sobre a vida no continente gelado e o papel crucial que o Brasil desempenha na Antártica. Anexo ao Museu Oceanográfico, o museu reconstitui as primeiras instalações da Estação Antártica “Comandante Ferraz”, oferecendo uma imersão na história da conquista e exploração do Pólo Sul.
Através de painéis informativos e fotos detalhadas, o museu ilustra a dinâmica dos mares, a vida no Pólo Sul e o esforço brasileiro para manter uma base em um ambiente tão inóspito.
O acervo do Museu Antártico inclui objetos utilizados pelos pesquisadores brasileiros, além de amostras geológicas e biológicas da Antártica. Com foco na educação e conscientização sobre a importância da preservação ambiental, o museu também reforça o compromisso do Brasil com a ciência e a exploração responsável dos recursos naturais do continente gelado. Além disso, é réplica e testemunho da antiga e histórica Estação Antártica Comandante Ferraz.
O Complexo de Museus e Centros Associados da FURG é um exemplo claro do compromisso da FURG com a educação, a pesquisa e a preservação ambiental. O espaço não só preserva e exibe coleções valiosas, mas também promove intercâmbios e parcerias para a realização de ações conjuntas de cooperação e divulgação científica, alcançando não apenas estudantes e pesquisadores, mas também o público em geral.
Com um modelo de museu dinâmico e acessível, o Complexo de Museus da Furg oferece a oportunidade de aprendizado contínuo sobre a biodiversidade marinha e as ciências que envolvem a preservação do nosso planeta, cumprindo assim sua missão de promover a educação ambiental e a conscientização sobre a importância da preservação dos oceanos e da Antártica.