CUT-RS promove debate sobre transição energética

Seminário discute racismo ambiental, mudanças climáticas e transição energética com justiça e geração de trabalho e renda

CUT-RS promove debate sobre transição energética

Foto: Pixabay

O Rio Grande do Sul, em meio à reconstrução após as enchentes de maio de 2024, está confrontado com a urgência imperativa da transição energética.

Longe de ser um conceito abstrato, a substituição das fontes de energia baseadas em combustíveis fósseis por alternativas renováveis – solar, eólica, hidrelétrica e biomassa – se impõe como agenda a todos os setores da socieade como saída para a mitigação de eventuais novas catástrofes climáticas e também como base para uma economia mais resiliente e equitativa.

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Cenci, da CUT-RS: “é essencial que a transição energética ocorra de forma justa e igual para todos os trabalhadores e trabalhadoras

Foto: Matheus Piccini / CUT-RS

“A transição energética é um tema cada vez mais urgente na agenda global, mas é essencial que esse processo ocorra de forma justa e igual para todos os trabalhadores e trabalhadoras”, ressalva Amarildo Cenci, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-RS). Essa é a proposta da entidade, que promove no dia 13, a partir das 8h30min, no SindBancários (Rua General Câmara, 424), em Porto Alegre o seminário Transição Energética Justa: Desafios e Possibilidades para os Trabalhadores e Trabalhadoras no RS. Para participar, é necessário fazer a inscrição prévia.

O seminário tem organização da CUT/RS, SindBancários Poa, SindiPetro/RS, Escola Sul da CUT, Aurora Lab, Sinpro/RS Ambiental, Sindiserf/RS, Sindiágua/RS, Adufrgs/Sindical, Comitê Popular da Cristovão, Senergisul, SindipoloRS e Dieese.

A transição energética, definida como o processo de combate às mudanças climáticas e a promoção de uma economia sustentável, ganha no cenário local contornos de complexidade e criticidade: a da justiça social, explica o dirigente. O desafio, diz, é garantir que essa transformação não apenas reduza as emissões de gases de efeito estufa, mas também promova novas oportunidades de trabalho e minimize os impactos sociais negativos, especialmente para as comunidades mais vulneráveis que são as mais impactadas em momentos de crise pelos extremos do clima.

“O objetivo é abrir um processo de discussão entre os dirigentes sindicais sobre esse tema que a CUT considera primordial no enfrentamento da emergência climática. Não há como discutir o desenvolvimento de uma cidade, do estado, do país e do planeta sem considerar a urgência de uma transição energética. Vamos debater 1ue tipo de transição, como incluir as pessoas, o que está em disputa nesse processo de transição. E tem mais essa questão do RS pós-enchentes, o carvão, o uso da água, das fontes renováveis que a gente tem e como a gente pensa o RS para o próximo período”, enumera Cenci.

De acordo com o presidente da CUT-RS, o seminário representa uma abertura para o debate que vai se desdobrar em encaminhamentos de continuidade com focos mais específicos que pensem um período mais longo. “Eu acho que os palestrantes e as pessoas que estão participando desse encontro têm esse objetivo. Não há consensos, vamos ter debates, opiniões diversas, tirar sínteses para defendermos juntos algo comum”, aponta.

O cavalo no telhado e racismo ambiental

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Cattaneo, da Ufrgs: consequências climáticas do neoliberalismo

Imagem: Reprodução

Dilermando Cattaneo, professor de geografia da Ufrgs, irá abordar a crise climática a partir do avanço do neoliberalismo e suas repercussões sobre a classe trabalhadora, com especial foco no Rio Grande do Sul e nas inundações de maio de 2024, com a palestra “O cavalo no telhado e a tragédia ignorada: consequências climáticas do neoliberalismo”.

Outro dos palestrantes mais aguardados do seminário, Fagner Jandrey, do Movimento Nacional de Catadores e Catadoras de
Material Reciclável (MNCR), abordará questões como o racismo ambiental, o impacto dos resíduos sólidos no clima e alternativas que reconheçam o trabalho dos catadores frente ao contexto de emergência climática.

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Jandrey: “Nossa classe é a que tem menos infraestrutura, convive com a precarização da vida e sofre de uma forma desigual os impactos da emergência climática”

Imagem: Reprodução

“O racismo ambiental se dá na forma como os serviços públicos e ações são direcionadas prioritariamente às classes média e alta, deixando os pobres sempre para depois, chegando a situações em que nem sequer são atendidos. Nossa classe é a que tem menos infraestrutura, convive com a precarização da vida e sofre de uma forma desigual os impactos da emergência climática”, explica Jandrey.

Segundo ele, esse contexto gera uma potencialização de injustiça e opressão, pois em muitas situações o trabalho que gera a renda dessas famílias fica prejudicado, principalmente e mais ainda em lugares onde as políticas públicas de reconhecimento e valorização dos catadores e catadoras não são implementadas.

“E em outras categorias informais também, pois não conseguem acessar os centros comerciais para ganhar o seu pão. Como vivenciamos nas enchentes, grande parte do povo da periferia sem poder gerar sua renda porque o centro estava alagado”, ilustra.

Programação

O seminário será aberto às 9h, com a exibição de vídeos curtos que proporcionarão uma contextualização sobre as questões climáticas e laborais envolvendo a transição energética.

A programação inclui duas mesas de debate. A primeira, marcada para às 9h15, abordará o tema “Trabalho e Clima”, no qual Rosalina Amorim, Secretária Nacional de Meio Ambiente da CUT, Dilermando Cattaneo, professor de geografia da Ufrgs, Fagner Jandrey,  do MNCR; e Eduardo Ragusi, membro da Amigas da Terra e Cúpula dos Povos, irão discutir como as mudanças climáticas podem afetar o mercado de trabalho.

A segundo mesa inicia a partir das 10h30, e se concentrará na “Transição Energética, impactos e possibilidades para o RS”, explorando como o estado pode se beneficiar dessa transformação de forma inclusiva. Nelson Karam, do Dieese, Miriam Cabreir, presidente do Sindipetro/RS, Frei Sérgio, do Instituto Padre Josimo e Antônio Jailson da Silva Silveira, presidente do Senergisul RS coordenaram os trabalhos.

8h30 – Recepção/Café
9h – Abertura
Amarildo Cenci – CUT/RS
Luciano Fetzner – Presidente do Sindbancários
Luz González – Aurora Lab
Ricardo Franzói – Dieese
9h10 – Vídeos curtos de contextualização da mesa
9h15 – Trabalho e Clima
Coordenação da mesa: Ana Berni Helebrandt – Sindbancários
Rosalina Amorim – Secretária Nacional de Meio Ambiente da CUT
Prof. Dilermando Cattaneo (UFRGS/Geografia)
Fagner Jandrey – Movimento Nacional de Catadores e Catadoras de
Material Reciclável (MNCR)
Eduardo Ragusi – Amigas da Terra e Cúpula dos Povos
10h – Debate
10h30 – Transição Energética, impactos e possibilidades para o Rio Grande do Sul
Coordenação da mesa: Arilson Würsh – Secretário de Meio Ambiente da CUT/RS
Nelson Karam – Dieese
Miriam Cabreira – FUP/Sindipetro/RS
Frei Sérgio – Instituto Padre Josimo
Antônio Jailson da Silva Silveira – Senergisul RS
11h30 – Debate
12h15 – Considerações Finais
12h30 – Agradecimentos e encerramento

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