Ambiente
Estudo identifica agrotóxicos na água potável de 52% dos municípios de SC
Ao menos 42 ingredientes ativos de agrotóxicos foram mapeados, incluindo cinco de uso proibido no…

Em setembro, as queimadas proliferaram na Amazônia, no Cerrado, Xingu, Parque Nacional de Brasília (foto) e até pelo interior de São Paulo
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil
Uma área comparável ao estado de Roraima foi queimada no Brasil entre janeiro e setembro. Foram 22,38 milhões de hectares –13,4 milhões a mais que em 2023, de acordo com o levantamento de outubro do Monitor do Fogo do MapBiomas, que apontou um aumento de 150% na comparação com o mesmo período de 2023. Mais da metade, ou 11,3 milhões de hectares, da área queimada fica na Amazônia. Predomina a destruição da vegetação nativa (73%), principalmente formações florestais (21%). O agronegócio queimou 4,6 milhões de hectares para renovar o pasto para o gado.
Mais da metade da área queimada no país (56%) fica em apenas três estados: Mato Grosso, Pará e Tocantins. O Mato Grosso responde por 25% do total, com 5,5 milhões de hectares de fogo. Pará e Tocantins ficaram em segundo e terceiro lugares, com 4,6 milhões e 2,6 milhões de hectares, respectivamente. As maiores áreas queimadas estão em São Félix do Xingu (PA) e Corumbá (MS), com 1 milhão de hectares e 741 mil hectares.
O Cerrado foi o segundo bioma mais afetado pelo fogo em setembro, com 4,3 milhões de hectares queimados. No Pantanal, a área queimada aumentou 2.306% (1.479.475 hectares a mais), em comparação à média dos cinco anos anteriores. Na Mata Atlântica, o fogo consumiu 896 mil hectares de janeiro a setembro, sendo que 71% da área afetada estava em áreas agropecuárias. Houve redução de queimadas no Pampa, para 3,1 mil hectares, devido às chuvas acima da média, e na Caatinga, a qual teve 151 mil hectares atingidos pelas queimadas, queda de 18% em relação ao mesmo período de 2023.
No início de setembro, em 48 horas, todas as unidades da federação registraram focos de queimadas. Mato Grosso e Pará, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), lideraram os incêndios, com mais de 2,3 mil em cada um. Foram 148 mil queimadas até o dia 5, 100% de aumento em relação à primeira semana de setembro de 2023. As queimadas de toda ordem, inclusive criminosas, vêm crescendo desde 2010 na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal – e já chegaram ao Xingu, às áreas metropolitanas e ao interior do Distrito Federal e de São Paulo. A fumaça que começou sufocando moradores de Porto Velho e Manaus se espalhou para o Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Rio Grande do Sul, que viveram dias de uma primavera sem sol e encoberta pela fuligem.
O país vive a pior seca desde 1950, porém as causas de tantas queimadas estão longe de ser um fenômeno puramente da natureza. Em menos de 30 dias, a Polícia Federal abriu 101 inquéritos para investigar incêndios criminosos país afora. Um crime praticamente tolerado, já que as punições são risíveis. A Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998) estabelece em quatro anos de reclusão e multa para incendiários, mas só quando comprovado o dolo. Se a queimada for culposa, a pena cai para seis meses a um ano. Propostas de aumento da punição para esse tipo de crime e até a sua classificação como hediondo estão emperradas no Congresso Nacional. A proposição mais severa é o PL 3.304, de 2024, o qual aumenta a punição para seis a dez anos de prisão.