Ambiente
Estudo identifica agrotóxicos na água potável de 52% dos municípios de SC
Ao menos 42 ingredientes ativos de agrotóxicos foram mapeados, incluindo cinco de uso proibido no…

Famílias do MST no Vale do Rio Doce recebem curso de formação em agrofloresta, que usa tecnologia para o reflorestamento
Foto: MST/ Divulgação
O dia 5 de novembro de 2015 marca a data do maior crime ambiental já registrado na história do Brasil. E que resultou nas mortes de 19 pessoas, além de condenar o Rio Doce à lama, desde sua nascente à foz.
Em 2020, completou-se cinco anos da impunidade desse crime, cuja responsabilidade é da Vale (Samarco e BHP) pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana.
O crime, apelidado de tragédia pelos meios de comunicação, expôs as debilidades do modelo de mineração no estado de Minas Gerais, que continua resultando em graves problemas como o rompimento da barragem em Brumadinho, ocorrido em janeiro de 2019, matando desta vez 272 trabalhadores.
De lá para cá, o luto permanente em memória dos mortos, lutas sociais pelos direitos às indenizações dos atingidos e a construção de alternativas populares de recuperação da bacia por parte dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) são algumas das ações na tentativa de devolver a vida ao Rio Doce.
INICIATIVA POPULAR – Diante da morosidade das propostas de reparação e recuperação encampadas pelas empresas, e no caso da bacia do Rio Doce, pela Fundação Renova, os trabalhadores sem-terra atingidos pelos crimes da Vale decidiram assumir o protagonismo das ações.
Desde 2018, tomou-se as seguintes diretrizes para as ações nas bacias impactadas: é legítimo o direito das famílias impactadas de buscar o acesso às indenizações e participar dos processos de recuperação.
Todas as ações construídas nos territórios da reforma agrária precisam fortalecer a Agroecologia, que se opõe ao modelo minerário atual. É necessário envolver as entidades dos trabalhadores nos processos de elaboração e execução dos projetos.
Assim, na Bacia do Rio Doce, o Programa Popular de Recuperação já iniciou. São projetos de reflorestamento em áreas de recarga hídrica e áreas de proteção permanente, focando na implantação de Sistemas Agroflorestais, que conciliam o plantio de árvores e produção de alimentos. E assistência técnica às famílias com intuito de garantir a recuperação econômica e ambiental das áreas atingidas. Também, um programa de formação em agroecologia, com capacitações, envolvendo diretamente as famílias atingidas.