Recorde de focos de incêndio no Brasil e na Argentina altera condições climáticas no RS

As queimadas triplicaram na região em relação a 2019, passando de 9 mil para 35 mil. No Rio Grande do Sul, estão concentradas no bioma Mata Atlântica, em Cambará do Sul
O mês de julho bateu recorde de queimadas em todo o país, com 20,6 mil quilômetros quadrados, 60% a mais do que em junho e 9% em relação ao ano passado

O mês de julho bateu recorde de queimadas em todo o país, com 20,6 mil quilômetros quadrados, 60% a mais do que em junho e 9% em relação ao ano passado

Imagem: MetSul/ Reprodução

O alto volume de queimadas registrado no Norte da Argentina e no Sudeste do Paraguai tem causado efeitos climáticos severos também no Rio Grande do Sul. A fumaça trazida ao estado pelo vento da Amazônia, que elevou as temperaturas em pleno inverno, é encorpada pelas queimadas nos Aparados da Serra e no Planalto Sul Catarinense. Os registros são recordes na série histórica medida pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O epicentro das queimadas é a província de Formosa, no Norte da Argentina e na divisa com o Paraguai. O número de focos de incêndio triplicou na região em relação a 2019, passando de 9 mil para 35 mil. No Paraguai a situação é igualmente grave, com mais que o dobro de focos este ano em relação a 2019. No Mato Grosso do Sul, na divisa com Paraguai, o aumento no volume de pontos de queimada chegou a 92%.

Condições climáticas deverão favorecer registro mais acentuado de fumaça nesta semana no RS, diz Nachtigall

Condições climáticas deverão favorecer registro mais acentuado de fumaça nesta semana no RS, diz Nachtigall

Imagem: Twitter MetSul/ Reprodução

Mas a concentração de focos no Rio Grande do Sul, especialmente no município de Cambará do Sul, também chama a atenção. A área faz parte do bioma Mata Atlântica, um dos mais afetados do país pelas queimadas em 2020.

Segundo a MetSul Meteorologia, as condições climáticas deverão favorecer um registro mais acentuado de fumaça nesta segunda-feira, 10, em todo o estado.

“As correntes de vento de Norte que trazem o ar quente transportam junto a fumaça para as latitudes médias da América do Sul. No Rio Grande do Sul, a fumaça tem sido perceptível com cores mais alaranjadas e avermelhadas do sol ao fim da tarde e da lua à noite, especialmente no Oeste e no Sul gaúchos, que estão mais próximos da área de concentração de fumaça”, explicou o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall.

Névoa seca e partículas de fuligem chegam a Serra

Também há registros de névoa seca e partículas de fuligem em cidades da Serra gaúcha, como Caxias do Sul, Farroupilha e Nova Petrópolis, entre outras. “Podemos afirmar que se trata de fuligem porque o material particulado altera a coloração do ambiente, que fica mais avermelhado que o normal”, completa Nachtigall. O efeito também pôde ser observado em Porto Alegre no final de semana

A região Sul do Brasil, incluindo Santa Catarina e Paraná, concentrou o maior aumento no número de pontos de incêndio entre janeiro e agosto deste ano, com 71% de alta em relação a 2019. O índice é muito superior à média nacional, de 9%.

Segundo levantamento publicado pela MetSul, com informações de satélites da Nasa (a agência espacial norte-americana), a região de abrangência do Estado concentrava fumaça em um território estimado de 1,8 milhão de quilômetros quadrados – que inclui todo o Paraguai, Norte da Argentina e pelo menos dois terços do território gaúcho.

O bioma característico dessa região é uma extensão do Cerrado e do Pantanal brasileiros, bastante afetados pelas condições climáticas de calor excessivo e baixa umidade do ar.

Em Porto Alegre, capital gaúcha, por exemplo, a umidade média do ar nesta segunda-feira, 10, deve ser de 22%. O ideal é que esse índice fique em torno de 60%.

Queimadas na região de abrangência do Paraguai, Norte da Argentina e dois terços do RS produzem 1,8 milhão de km2 de fumaça, névoa seca e partículas de fuligem que atingem a Serra gaúcha

Queimadas na região de abrangência do Paraguai, Norte da Argentina e dois terços do RS produzem 1,8 milhão de km² de fumaça, névoa seca e partículas de fuligem que atingem a Serra gaúcha

Imagem: MetSul/ Reprodução

Desmatamento

O mês de julho bateu recorde de queimadas em todo o país, com 20,6 mil quilômetros quadrados, 60% a mais do que em junho e 9% em relação ao ano passado. O Pantanal foi o bioma que mais registrou alta, com aumento de três vezes em relação a julho de 2019.

No Rio Grande do Sul foram registrados mais de 2,2 mil focos de incêndio este ano, com alta de 73% em relação a 2019 segundo os dados do Inpe.

“O fogo ainda é uma das principais ferramentas para o desmatamento, especialmente por grileiros e agricultores, para limpar áreas de pastagem ou plantio. Os registros de incêndio se acentuam com as condições climáticas mas, igualmente, pela falta de uma política de proteção ambiental e de prevenção a novos focos”, afirmou o porta-voz da ONG ambientalista Greenpeace, Rômulo Batista.

O bloqueio atmosférico que foi responsável pelo predomínio do tempo seco, com muitos dias de sol desde o começo do mês, vai cair a partir desta terça-feira,11, com o avanço de uma frente fria impulsionada por uma massa de ar polar.

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