Diploma universitário dobra salários, mas evasão preocupa

Relatório da OCDE mostra que 25% dos alunos deixam o curso já no 1º ano; brasileiros de 25 a 64 anos com diploma universitário recebem, em média, 148% a mais que aqueles com ensino médio
Diploma universitário dobra salários, mas evasão preocupa

A OCDE considera todos os estudantes, incluindo os de instituições privadas, que representam 80% das matrículas no Brasil. Já o governo contabiliza apenas os alunos das universidades públicas

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

No Brasil, concluir o ensino superior pode mais que dobrar os salários em relação a quem tem apenas o ensino médio. Ainda assim, a evasão segue alta: um em cada quatro estudantes abandona o curso já no primeiro ano.

Os dados estão no relatório Education at a Glance (EaG) 2025, da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O estudo reúne informações de 38 países-membros e parceiros, como Argentina, China, Índia e Brasil.

Segundo o documento, brasileiros de 25 a 64 anos com diploma universitário recebem, em média, 148% a mais que aqueles com ensino médio. A diferença supera a média da OCDE, de 54%. Apenas Colômbia (150%) e África do Sul (251%) apresentam índices maiores.

Apesar da vantagem financeira, apenas 20,5% dos brasileiros de 25 anos ou mais concluíram o ensino superior, de acordo com o IBGE. Entre os jovens de 25 a 34 anos, só 24% terminam os estudos, menos da metade da média da OCDE, de 49%.

O relatório alerta que 25% dos ingressantes no ensino superior brasileiro desistem no primeiro ano, enquanto a média da OCDE é de 13%. Após três anos além do prazo esperado de conclusão, só 49% finalizam a graduação, contra 70% nos países da organização.

Segundo o texto, a evasão precoce pode refletir “um descompasso entre as expectativas dos alunos e o conteúdo ou as exigências de seus programas, possivelmente ligado à falta de orientação profissional ou ao apoio insuficiente para novos ingressantes”.

Outro desafio é a alta taxa de jovens que não estudam nem trabalham. No Brasil, 24% dos jovens de 18 a 24 anos estão nessa condição, conhecida como NEET na sigla em inglês, contra 14% da média da OCDE. A desigualdade de gênero é significativa: 29% das mulheres e 19% dos homens brasileiros estavam nessa situação em 2024.

O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, afirma que a baixa conclusão prejudica o retorno do investimento público e limita oportunidades. Ele defende “opções de ensino superior mais inclusivas e flexíveis, programas personalizados para estudantes do ensino profissional e processos de admissão que reconheçam melhor os diversos perfis de alunos”.

A OCDE também aponta problemas de qualidade. A Pesquisa de Competências de Adultos 2023 revelou que, em média, 13% dos graduados nos países avaliados não atingiram sequer o nível básico de alfabetização.

No Brasil, os investimentos públicos em ensino superior foram estimados em US$ 3.765 por aluno, valor bem abaixo da média da OCDE, de US$ 15.102. Contudo, o Inep contestou os cálculos e afirmou que o gasto correto em universidades públicas é de US$ 15.619 por aluno, superior à média internacional.

A discrepância se deve à metodologia: a OCDE considera todos os estudantes, incluindo os de instituições privadas, que representam 80% das matrículas no Brasil. Já o governo contabiliza apenas os alunos das universidades públicas.

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