Educação
Começam as negociações coletivas da educação básica e superior
Nas tratativas com o Sinepe/RS e Sindiman/RS, está a renovação de quatro Convenções Coletivas, com…

Foto: Antonio Scarpinetti /Unicamp
Minoria entre docentes do ensino superior, mulheres recebem salários menores e menos promoções. E, apesar de serem maioria entre mestres e doutores no Brasil, as mulheres representam menos da metade do corpo docente no ensino superior. Essa disparidade de gênero foi o ponto de partida do estudo de doutorado da pesquisadora Daniela Atães, feito no Instituto de Geociências (IG) da Unicamp. A partir da análise de dados nacionais e internacionais, Daniela constatou que as instituições de ensino superior, especialmente as universidades públicas com forte atuação em pesquisa, mantêm estruturas que dificultam o avanço feminino na carreira acadêmica.
Na investigação, Atães revelou que homens representam 55% do quadro docente nas universidades públicas de grande porte, com programas de pós-graduação consolidados. Além disso, as melhores oportunidades – como os cargos com dedicação exclusiva – são menos acessíveis às mulheres, o que contribui para uma desigualdade salarial significativa. “As pessoas podem ter o mesmo tempo de carreira, mas recebem salários diferentes porque não têm a mesma oportunidade de ascender”, afirma a pesquisadora.
A pesquisa foi orientada pela socióloga Ana Maria Carneiro, professora do Programa de Pós-Graduação em Política Científica e Tecnológica da Unicamp. Segundo ela, a presença de mais professoras influencia positivamente a trajetória das alunas. “Estudos internacionais mostram que a composição equilibrada de gênero entre docentes aumenta a confiança das estudantes e está ligada a melhores condições profissionais das egressas”, explica.
O estudo foi dividido em três etapas. A primeira consistiu na análise dos dados do Censo da Educação Superior, com foco nos vínculos de trabalho, cargos de gestão e distribuição de gênero e raça. Os homens brancos lideram a hierarquia acadêmica, seguidos por mulheres brancas, homens pardos e pretos e, por fim, mulheres pretas. A desigualdade é mais acentuada quando se cruzam os fatores de raça e gênero.
Negligência
A segunda parte da pesquisa investigou como as IES enfrentam – ou negligenciam – o problema. Atães examinou o planejamento de 45 universidades, analisando se estratégias e metas contemplam políticas de equidade. A pesquisadora utilizou como base metodológica documentos e práticas de instituições da União Europeia e do Reino Unido. As categorias observadas incluíram liderança, recrutamento, combate à discriminação e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Os melhores resultados foram encontrados nas universidades públicas, embora de forma incipiente.
Entrevistas
A etapa final do estudo foi qualitativa, baseada em entrevistas com gestores e ativistas da Unicamp, USP, UNB e UFSC – instituições selecionadas por já apresentarem melhores índices de inclusão de mulheres. Daniela Atães buscou compreender como as universidades estruturam políticas para reduzir desigualdades. Um dos principais achados foi a criação de ações voltadas à construção de uma cultura institucional de equidade. As universidades contam com orçamento específico, programas de acolhimento a vítimas de discriminação e monitoramento contínuo dos dados para correção de desequilíbrios.