Israel anuncia deportação de Greta Thunberg, Thiago Ávila e demais ativistas

Ativistas garantem ter sido raptados pelas forças israelenses; Nethanyahu alega que eles estão "encenando uma provocação midiática"

Israel anuncia deportação de Greta Thunberg, Thiago Ávila e demais ativistas

Foto: Coalizão Flotilha da Liberdade/Divulgação

O Ministério das Relações Exteriores de Israel anunciou que irá deportar a ativista sueca Greta Thunberg, o brasileiro Thiago Ávila e outros integrantes da Coalizão Flotilha da Liberdade, organização internacional que atua contra o bloqueio israelense à Faixa de Gaza. Os militantes foram detidos por soldados israelenses na segunda-feira, 9 de junho, enquanto tentavam entregar ajuda humanitária à região palestina. A informação é da estatal de comunicação britânica BBC.

Segundo o governo israelense, o barco em que os ativistas estavam segue “em segurança” rumo à cidade portuária de Ashdod, sob escolta. Em comunicado oficial, a pasta ironizou a ação do grupo: “Existem maneiras de entregar ajuda à Faixa de Gaza — elas não envolvem selfies no Instagram”, declarou.

A Suécia, por meio de seu Ministério das Relações Exteriores, confirmou que mantém contato com o governo israelense. “Caso haja necessidade de apoio consular”, informou o órgão, “a embaixada israelense e o ministério avaliarão a melhor forma de ajudar a cidadã sueca Greta Thunberg a resolver sua situação”.

A Coalizão Flotilha da Liberdade já organizou outras iniciativas similares no passado, sempre com o objetivo de desafiar o bloqueio marítimo imposto por Israel desde 2007, quando o grupo Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza. As autoridades israelenses consideram essas ações provocativas e afirmam que existem rotas humanitárias legais para o envio de suprimentos à região.

Israel anuncia deportação de Greta Thunberg, Thiago Ávila e demais ativistas

Foto: Coalizão Flotilha da Liberdade/Divulgação

De acordo com a agência de notícias Reuters, a Marinha de Israel interceptou no domingo, 9 de junho, o navio Madleen, que transportava ajuda humanitária à Faixa de Gaza e levava a bordo 12 ativistas internacionais, incluindo a sueca Greta Thunberg e o brasileiro Thiago Ávila. A embarcação, pertencente à Coalizão da Flotilha da Liberdade, foi desviada para o porto de Ashdod, no sul de Israel. A ação gerou forte reação internacional e acusações mútuas entre os governos envolvidos.

O grupo de ativistas, com integrantes de França, Alemanha, Brasil, Turquia, Suécia, Espanha e Holanda, partiu da Itália em 1º de junho com o objetivo de romper o bloqueio israelense imposto à Gaza — região assolada pela escassez de ajuda humanitária. Após a interceptação, os ocupantes denunciaram terem sido “raptados” e pediram apoio consular aos seus países. “Se virem este vídeo, fomos interceptados e raptados em águas internacionais”, declarou Greta Thunberg em vídeo pré-gravado, divulgado pela Coalizão, movimento internacional criado em 2010 em apoio à Palestina.

As autoridades israelenses divulgaram imagens que mostram os ativistas recebendo água, comida e coletes salva-vidas. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou: “Espera-se que os passageiros regressem aos seus países” e ironizou os participantes da missão humanitária: “Existem maneiras de entregar ajuda à Faixa de Gaza — elas não envolvem selfies no Instagram”. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu classificou a ação como “uma provocação midiática com o único objetivo de fazer publicidade a si próprios”.

Israel anuncia deportação de Greta Thunberg, Thiago Ávila e demais ativistas

“Se virem este vídeo, fomos interceptados e raptados em águas internacionais”, declarou Greta Thunberg em vídeo pré-gravado, divulgado pela Coalizão, movimento internacional criado em 2010 em apoio à Palestina

Foto: Ministério das Relações Exteriores de Israel

A resposta internacional foi imediata. O Irã condenou o episódio, chamando-o de “ato de pirataria”. A Turquia criticou o que definiu como “violação flagrante do direito internacional”. Já a França informou que busca “facilitar o rápido regresso” dos seis cidadãos franceses detidos a bordo. O Ministério das Relações Exteriores da Suécia também declarou estar em contato com as autoridades israelenses para avaliar a situação de Greta Thunberg.

A embarcação se aproximava de Gaza após ter passado pela costa do Egito, ignorando os alertas do governo israelense. Na rede social X (antigo Twitter), os ativistas haviam solicitado publicamente a intervenção de seus governos. Além de Thunberg e Ávila, estava a bordo a eurodeputada franco-palestina Rima Hassan.

A missão reforça a crescente tensão sobre a crise humanitária em Gaza, onde o bloqueio israelense dificulta a entrada de bens essenciais. “Cada vez mais ataques têm ocorrido junto a centros de distribuição de ajuda, desestimulando os palestinos de se deslocarem até esses locais”, alertam organizações internacionais. A crise, segundo especialistas, já atinge milhões de pessoas, tornando as iniciativas de ajuda cada vez mais urgentes — e também mais arriscadas.

Ofensiva israelense já matou 54 mil palestinos em Gaza, 70% são mulheres e crianças

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Foto: Nour Alsaqqa/MSF/Divulgação

Desde outubro de 2023, quando o Hamas lançou um ataque surpresa contra o sul de Israel, matando mais de 1,2 mil pessoas e capturando 251 reféns, a região enfrenta uma escalada sem precedentes. Em resposta, Israel deu início a uma ofensiva militar devastadora que já causou a morte de mais de 54 mil palestinos, segundo dados atualizados — sendo cerca de 70% mulheres e crianças. A operação deixou grande parte do território de Gaza em ruínas, enquanto o cerco israelense impede o acesso de ajuda humanitária.

A ONU tem alertado para o agravamento da crise, com a maioria dos 2,3 milhões de habitantes da Faixa de Gaza enfrentando fome extrema. A entrada de suprimentos é dificultada por um bloqueio rigoroso imposto por Israel, que afirma se tratar de uma medida de segurança contra o Hamas. “O Estado de Israel não permitirá que ninguém quebre o bloqueio naval em Gaza, cujo objetivo principal é impedir a transferência de armas para o Hamas”, declarou um ministro do governo israelense. Paralelamente, Tel Aviv autorizou a construção de 22 novos assentamentos na Cisjordânia, ampliando para cerca de 700 mil o número de colonos israelenses vivendo em uma área considerada território palestino e ilegal pelo direito internacional.

Do lado palestino, Khalil al-Hayya, principal negociador do Hamas nas tratativas com Israel, afirmou nesta semana que o grupo está disposto a entregar imediatamente o controle do governo em Gaza a um ator palestino consensual, caso Israel encerre a ofensiva. Apesar das crescentes pressões internacionais, os Estados Unidos vetaram uma resolução apresentada no Conselho de Segurança da ONU pedindo um cessar-fogo permanente e imediato. A proposta recebeu apoio dos outros 14 países membros do colegiado.

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