Levantamento do Cpers expõe colapso estrutural das escolas estaduais

Sindicato denuncia colapso estrutural e humano que afeta o aprendizado de estudantes e as condições de trabalho de educadores
Levantamento do Cpers expõe colapso estrutural das escolas estaduais

Professores relataram ao Cpers comprometimento da rede elétrica, telhados danificados, infiltrações, problemas hidráulicos e ausência de climatização nas escolas estaduais

Foto: Cpers/ Divulgação

O Cpers Sindicato, que representa o magistério público estadual, divulgou relatório que mostra as condições precárias de escolas da rede pública estadual. O levantamento precede a mobilização da categoria, que terá assembleia geral de mobilização no próximo sábado, 11, para deliberar a pauta de revindicações do magistério.

O levantamento realizado em todo o estado entre os dias 27 de fevereiro e 20 de março aponta que há o comprometimento do aprendizado e das condições de trabalho dos professores na rede estadual de ensino devido às más condições físicas das escolas e da falta de pessoal, entre outras carências.

“As respostas coletadas, por meio do Radar do Cpers, evidenciam um quadro de precariedade que contrasta diretamente com a narrativa oficial do governo Eduardo Leite (PSDB). Enquanto a administração estadual insiste em divulgar uma suposta normalidade, os dados colhidos apontam para um colapso estrutural e humano que afeta diretamente o aprendizado de estudantes e as condições de trabalho dos educadores”, afirma a presidente do Cpers.

Levantamento do Cpers expõe colapso estrutural das escolas estaduais

Além da falta de 660 professores, Radar Cpers mapeou as disciplinas que estão sem professores na rede estadual

Infográfico: Cpers

O levantamento é voltado à comunidade escolar. Revela que nas escolas estaduais faltam ao menos 1.634 profissionais, entre docentes, funcionários e especialistas. A ausência desses trabalhadores impacta diretamente a qualidade do ensino e provoca a sobrecarrega àqueles que permanecem em atividade. De acordo com o Radar, faltam 660 professores, 544 funcionários técnicos e administrativos e 430 especialistas.

Entre as disciplinas com maior déficit de docentes, Inglês lidera a lista, com 58 vagas em aberto, seguida por Matemática (45), Educação Física (34) e Língua Portuguesa (27). Também estão entre as matérias com grande carência Artes (22), Física (18) e Geografia (18). Outras disciplinas fundamentais, como Ciências (15), História (15), Biologia (14) e Espanhol (11), também registram falta de profissionais, evidenciando um impacto direto na qualidade do ensino ofertado aos estudantes da rede estadual.

A Secretaria Estadual de Educação foi questionada sobre o déficit de professores, mas não se manifestou.

Rede elétrica no limite

As condições precárias das escolas também são denunciadas através da pesquisa. Das 886 respostas, 472 relataram problemas estruturais graves, sendo os mais recorrentes o comprometimento da rede elétrica (310), telhados danificados (241), infiltrações (177), problemas hidráulicos (142) e obras atrasadas (121). Ao todo, 101 pesquisados alertaram que na escola onde lecionam ou estudam existem muros que ameaçam desabar.

Além disso, quando questionados sobre a capacidade da rede elétrica para suportar o uso de equipamentos eletrônicos, 282 pessoas afirmaram que não suporta, e 143 disseram que suporta parcialmente. Ainda, 274 escolas possuem obras iniciadas e nunca finalizadas, “evidenciando o descaso do governo com o patrimônio público e a segurança da comunidade escolar”.

Altas temperaturas

Os meses de fevereiro e março foram marcados por temperaturas extremas e uma batalha judicial para a suspensão das aulas devido à falta de ventiladores ou ar-condicionado nas escolas. O governo estadual não se sensibilizou com as temperaturas que nesses meses bateram nos 45 graus e insistiu no cumprimento do calendário escolar.

A maioria das mais de 2,3 mil escolas da rede estadual não possui estrutura adequada para lidar com esse cenário de calor extremo, alerta o levanamento do Cpers. Não existem ventiladores ou ar-condicionado em 117 escolas e 143 possuem ventiladores em espaços restritos. Apenas 242 escolas têm ar-condicionado que abrangem as salas de aula e 92 têm o equipamento apenas em espaços restritos.

“A falta de climatização torna a permanência dos alunos e educadores insuportável. Quando questionados se, em dias de calor extremo, é possível manter as aulas de forma adequada, 388 responderam que não, evidenciando um problema grave de conforto e saúde”, destaca a Outro fator crítico é a falta de espaços de sombra e áreas de convivência: simplesmente não há espaços de sombra em 128 escolas e há pequenos refúgios em 171. Apenas 191 escolas possuem espaços adequados para se proteger do calor.

Abandono após a enchente

Levantamento do Cpers expõe colapso estrutural das escolas estaduais

De acordo com o levantamento, 63 atingidas pela enchente e até o momento e 17 ainda aguardam a conclusão de obras para recuperação

Foto: Cpers/ Divulgação

A crise estrutural também se reflete nos danos causados pelas enchentes de maio de 2024. De acordo com os dados coletados, 63 escolas foram atingidas pelo desastre e até o momento 17 ainda aguardam a conclusão de obras para recuperação.

“A morosidade do governo Leite agrava ainda mais a situação dos estudantes e trabalhadores da educação, que seguem convivendo com os impactos da tragédia”, ressalta a dirigente.

Rosane destaca que a Caravana do Cpers percorreu escolas nas regiões dos 42 núcleos do sindicato, entre os dias 11 de março e 4 de abril deste ano, e evidenciou essa realidade. “A EEEB Padre Fernando, de Roca Sales, é um exemplo: a instituição sofreu com duas enchentes, a primeira em setembro de 2023 e a segunda em maio de 2024. Hoje, a escola funciona em salas de uma igreja da cidade, locais onde antes ocorriam aulas de catequese”. Cerca de 200 estudantes estão divididos em pequenas salas, algumas com apenas uma janela basculante.

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