Ambiente
Estudo identifica agrotóxicos na água potável de 52% dos municípios de SC
Ao menos 42 ingredientes ativos de agrotóxicos foram mapeados, incluindo cinco de uso proibido no…

Foto: Giulian Serafim / PMPA
Um estudo inédito divulgado pela WRI Brasil (World Resources Institute), analisou a expansão urbana no país nas quase três décadas entre 1993 e 2020, aponta que as grandes metrópoles brasileiras, com mais de um milhão de habitantes, passaram por um intenso processo de verticalização. Cidades (metrópoles) como Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte e Curitiba lideram o processo de verticalização no Brasil.
Nelas, mais da metade (55%) do crescimento populacional foi absorvido pela expansão vertical ou pela estabilização do espaço construído. As cidades médias e pequenas, por outro lado, seguiram um padrão distinto, expandindo-se predominantemente de forma horizontal. Os resultados foram apresentados em webinar gratuito, realizado pelo WRI Brasil no dia 27 de março.
Vale lembrar que, segundo o Observatório das Metrópoles e com base o Censo de 2022, de 686.414 domicílios particulares permanentes na capital gaúcha, 558.151 estavam ocupados, 101.013 vagos e 27.250 eram de uso ocasional. Durante o período da tragédia climática, que se passou quatro anos depois do ano de corte do estudo da WRI, a capital gaúcha chegou a registrar três vezes mais imóveis vazios do que a demanda por moradia de desabrigados, que girou em torno de 30 mil pessoas. Isso sem contar o déficit habitacional permanente de Porto Alegre, que de acordo com o Censo era de 90 mil moradias.
Nas regiões que mais cresceram para cima, esta verticalização se deu principalmente pelo adensamento e pelo aumento do volume construído. Por outro lado, capitais de médio porte, como Campo Grande, Cuiabá, Natal, Manaus, Palmas e Teresina, viveram uma forte expansão horizontal, inversa. O estudo revela que, nessas capitais, a urbanização ocorreu de forma mais dispersa, o que pode gerar maiores custos de infraestrutura e impactos ambientais mais significativos.
“Cidades mais compactas facilitam o acesso da população às oportunidades urbanas e podem oferecer padrões de mobilidade mais eficientes, reduzindo o consumo de energia e a emissão de poluentes”, afirma Henrique Evers, gerente de Desenvolvimento Urbano do WRI Brasil.
“Este estudo lança um primeiro olhar sobre de que forma as cidades brasileiras têm crescido, e oferece uma metodologia que pode apoiar a formulação de políticas públicas voltadas para a sustentabilidade urbana”, destaca.
Para os autores, a tendência de verticalização nas grandes metrópoles pode estar relacionada à otimização do uso da infraestrutura já existente e à necessidade de acomodar a crescente demanda por moradia em espaços limitados. Contudo, o estudo também sugere que esse fenômeno pode ser impulsionado por fatores econômicos, como a financeirização do espaço urbano, levando à construção de edificações com menos pessoas morando.
No caso das cidades médias, o padrão de crescimento horizontal reflete a continuidade do processo de urbanização brasileiro, mas em um ritmo mais moderado se comparado ao êxodo rural do século XX. Os autores ressaltam que um crescimento espraiado pode comprometer a sustentabilidade urbana, uma vez que exige mais recursos para prover serviços básicos como transporte, saneamento e energia.
Entre as principais descobertas, destaca-se que o volume construído nas grandes cidades cresceu em um ritmo superior ao do aumento populacional, evidenciando um descompasso entre densidade demográfica e densidade edificada. “O estudo mostrou que a expansão do tecido urbano, para cima e para os lados, vem avançando sem relação com os movimentos populacionais. Provar que a questão existe nas principais metrópoles do país é um primeiro passo importante”, avalia Guilherme Iablonovski, pesquisador e consultor sobre ciência de dados e autor do estudo.
“A análise detalhada do estudo pode contribuir para a formulação de políticas urbanas que promovam um equilíbrio entre densidade populacional e oferta de infraestrutura”, ressalta Evers. “O planejamento urbano sustentável deve considerar a relação entre expansão horizontal e vertical para garantir cidades com um acesso menos desigual às oportunidades urbanas, especialmente à moradia adequada”, sintetiza Evers.
A pesquisa utilizou dados de sensores de radar para mapear a evolução da forma urbana em 185 concentrações urbanas do Brasil, que foram cruzadas com informações demográficas do IBGE e de uso do solo da plataforma MapBiomas.
Segundo Guilherme Iablonovski, o estudo também contribui para a produção científica sobre o tema, ao mostrar que é possível usar bases de dados abertas e sensores até então ignorados por sua restrita escala espacial para gerar conhecimento até então indisponível sobre o processo de urbanização no Brasil. Os dados e cálculos da pesquisa também foram disponibilizados. “A metodologia abre caminho para pesquisas futuras avaliando as correlações entre a expansão do volume construído e fatores como consumo de energia. O cruzamento com marcadores sociais como cor, gênero e renda pode esclarecer a relação entre a expansão urbana e a desigualdade social, e a busca de correlação com tipos de empreendimentos, como condomínios fechados e unidades de habitação de interesse social, pode dar pistas sobre quais produtos imobiliários estão afetando esses processos”, exemplifica Iablonovski.
Sobre o WRI Brasil – O WRI Brasil é um instituto de pesquisa que trabalha em parceria para gerar transformação. Atua no desenvolvimento de estudos e implementação de soluções para que as pessoas tenham o essencial para viver, para proteger e restaurar a natureza, pelo equilíbrio do clima e por comunidades resilientes. Alia excelência técnica à articulação política e trabalha com governos, empresas, academia e sociedade civil. O WRI Brasil faz parte do World Resources Institute (WRI). Fundado em 1982, o WRI conta com cerca de 1,7 mil profissionais pelo mundo, com escritórios no Brasil, China, Colômbia, Índia, Indonésia, México e Estados Unidos, além de escritórios regionais na África e na Europa. Mais informações no site.