Saúde
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Foto: Freepik
Estudo com orientações para ampliar a proteção de crianças e adolescentes nas plataformas on-line foi entregue ao governo da Espanha por especialistas vinculados à Associação Europeia para a Transição Digital (AETD). O documento denominado Relatório do Comitê de Especialistas para o Desenvolvimento de um Ambiente Digital Seguro para a Juventude e a Infância avaliou diferentes faixas-etárias e elencou recomendações para minimizar impactos negativos das telas, como cyberbullying, exposição a conteúdos inadequados e problemas de saúde mental.
O trabalho foi encomendado pelo Ministério da Juventude e Infância espanhol e sugere 107 medidas. Um texto definitivo deverá ser apresentado nos próximos meses e será utilizado como base para novos planos do governo com foco na segurança digital de crianças e adolescentes.
A principal recomendação é que os menores tenham acesso restrito e gradual a dispositivos digitais (celulares, tablets, computadores, entre outros) até completarem 13 anos. De acordo com os especialistas, a medida contribui para mitigar possíveis problemas de saúde pública, como: ansiedade, depressão, dependência digital, sedentarismo, riscos à autoestima e identidade, dependência à pornografia e distúrbios de sono.
Concluído em dezembro por 50 profissionais multidisciplinares espanhóis, antes do anúncio da polêmica mudança de política de moderação das redes sociais da Meta (Facebook, Instagram e Threads), o relatório chega a sugerir que o governo da Espanha considere adicionar um rótulo de aviso nos dispositivos digitais vendidos no país.
O objetivo é informar os consumidores sobre os riscos à saúde que o uso de redes sociais e dispositivos digitais podem causar aos seus usuários, além dos possíveis impactos que o acesso a conteúdos inadequados pode ter no desenvolvimento de crianças.

Ana Caballero, advogada especializada em tecnologia e vice-presidente da AETD
Foto: AETD/Reprodução
Ana Caballero, advogada especializada em tecnologia e vice-presidente da AETD, entende que “é urgente a criação de uma regulação que projeta e traga mais seguranças para as crianças e adolescentes no ambiente digital. Enquanto as leis não avançam, as famílias terão que adotar uma atitude mais proativa e controlar tudo o que está relacionado com a atividade de seus filhos na Internet”.
Para crianças de até três anos, a recomendação dos especialistas é que não haja nenhum tipo de exposição a dispositivos digitais. Já para as idades entre quatro e seis anos, a proposta é que o acesso aos meios digitais se dê apenas em situações excepcionais.
Já, entre os seis e os 12 anos, a sugestão é que seja priorizado o uso de telefones simples, sem acesso à internet e com limites de chamadas. O estudo ainda ressalta que para essas faixas etárias é importante estimular atividades que não utilizem as telas, como a prática de esportes.
Dos 12 aos 16 anos – caso pais ou responsáveis permitam o acesso a dispositivos digitais – a ideia é a adoção de medidas de proteção, como a instalação de ferramentas de controle parental que permitam evitar o acesso a conteúdos inadequados, bem como gerenciar o tempo de exposição.
“As crianças já têm um celular próprio muito cedo, por isso é preciso protegê-las e educá-las para que alcancem uma autonomia digital e aprendam a identificar os riscos e ameaças”, conclui a vice-presidente da AETD.