Entidades médicas defendem inclusão do teste de HIV na rotina de todas as especialidades

Sociedades destacam diagnóstico precoce como estratégia central para conter a epidemia e garantir qualidade de vida

Entidades médicas defendem inclusão do teste de HIV na rotina de todas as especialidades

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O aumento de novos casos de HIV no Brasil levou entidades médicas do Rio Grande do Sul a defenderem que o teste anti-HIV seja incorporado como prática de rotina em todas as especialidades médicas. A recomendação foi feita em nota conjunta da Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs), da Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI-RS) e da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Seção RS (SBD-RS).

De acordo com o Boletim Epidemiológico de HIV e Aids 2024, do Ministério da Saúde, o país registrou em 2023 um crescimento de 4,5% nos novos diagnósticos em relação ao ano anterior. Apesar do aumento, a mortalidade por Aids caiu para 3,9 óbitos por 100 mil habitantes — a menor taxa desde 2013. O levantamento mostra ainda que 70,7% das novas infecções ocorreram em homens, 63,2% em pessoas autodeclaradas pretas ou pardas, e 53,6% em homens que fazem sexo com homens. A faixa etária mais afetada foi a de 20 a 29 anos, responsável por 37,1% dos diagnósticos.

No Rio Grande do Sul, os índices permanecem acima da média nacional, com Porto Alegre entre as capitais que apresentam os maiores coeficientes de detecção. O cenário, segundo as entidades, reforça a necessidade de ampliar a testagem.

“A incorporação do teste anti-HIV ao rol de exames de rotina deve seguir a mesma lógica de outros marcadores clínicos, como o perfil lipídico ou a glicemia. O diagnóstico precoce permite início imediato da terapia antirretroviral, com impacto direto na sobrevida, na qualidade de vida e na redução da transmissibilidade”, afirmou o infectologista Dimas Kliemann, tesoureiro da SGI-RS e integrante da Câmara Técnica de HIV/Aids da Secretaria Estadual da Saúde.

O presidente da SBD-RS, Juliano Peruzzo, destacou a importância da testagem também na prática dermatológica. “Muitas ISTs são diagnosticadas no consultório dermatológico, às vezes até sem que o paciente suspeite. Ao identificar uma IST, o médico deve considerar o risco de outras, incluindo o HIV, e realizar o rastreamento ou solicitar o exame confirmatório. Essa atuação aumenta as chances de detecção antecipada e tratamento adequado”, observou.

Segundo as entidades, o tratamento atual, geralmente feito com dose única diária, garante expectativa de vida semelhante à da população em geral. Além disso, a prevenção combinada — que inclui a testagem sistemática, a PrEP, o tratamento de outras ISTs e o enfrentamento ao estigma — é considerada fundamental para conter a epidemia.

“A solicitação do exame deve fazer parte da rotina das consultas médicas, independentemente da especialidade e do motivo da visita. A infecção pode acometer qualquer indivíduo sexualmente ativo”, reforça a nota.

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