Saúde
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Hemocentros de todo o país estão com estoques de sangue aquém do necessário para abastecer hospitais devido à redução nas doações em virtude do frio
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A busca ativa por novos doadores e o apelo a quem já é doador para que não deixe de doar regularmente está mobilizando ainda mais a equipe do Hemocentro do Rio Grande do Sul (Hemorgs), em Porto Alegre, nesta época do ano marcada pelo frio intenso.
As baixas temperaturas trazem uma combinação preocupante de fatores que fazem despencar mais os estoques de sangue do Hemocentro, que atende 42 hospitais conveniados em Porto Alegre, da Grande Porto Alegre, Litoral e Serra. Por um lado, intimida as pessoas de dedicarem este tempo para a doação. Por outro, provoca o agravamento de doenças.
As dificuldades para manter os estoques de hemocomponentes para encaminhar aos hospitais conveniados já são uma constante ao longo do ano e se agravam nesta época de frio, afirma a enfermeira e mestre em enfermagem Ana Lúcia de Leão Dagord, responsável pelo setor de captação de doadores de sangue do Hemocentro,
“Assim como entram novos doadores, há uma demanda maior dos hospitais”, resume a enfermeira. Cada doação de sangue gera quatro componentes que são processados pela equipe de enfermeiros e técnicos, bioquímicos, biomédicos e farmacêuticos e se tornam aptos para transfusão, ou seja, para salvar vidas”, lembra.
A meta da busca ativa é trazer mais de 100 doadores por dia para o Hemocentro. “Se não fizermos esse movimento vamos ter em torno de 30 doadores por dia, quando precisamos, no mínimo, de 100 para atender as demandas diárias”, explica a coordenadora.
“Todas as cirurgias de grande porte demandam doadores previamente organizados, assim como vítimas de acidentes ou pacientes com doenças graves. São situações que requerem um movimento de familiares no sentido de que tenhamos condições e estoques para atender essas demandas”, observa Ana Lúcia. A ideia é que tenhamos mais doadores voluntários para que os familiares não tenham que procurar doadores de última hora”, ressalta.
A enfermeira afirma que há muitos mitos em torno da doação de sangue e lembra que “doar não dói, não afina nem engrossa o sangue, não requer jejum prévio”.
O procedimento, após a triagem, dura cerca de 35 minutos e para ser doador é necessário ter entre 16 e 69 anos, estar bem alimentado e hidratado e ter dormido bem à noite. Homens podem doar a cada 60 dias e quatro vezes ao ano e mulheres, a cada 90 dias, três vezes ao ano.
“Se mais pessoas doassem sangue uma vez por ano já seria um grande avanço para estar com os estoques em dia e não sempre críticos como nós estamos, a ponto de chamar individualmente os doadores. Doar sangue é um ato extremamente importante e generoso que pode salvar vidas, é fundamental para ajudar pessoas que precisam de transfusões devido a doenças, acidentes ou cirurgias”, destaca.