Saúde
Cultura Doadora promove painel sobre hemodiálise e transplante renal
Especialistas se reúnem no dia 12 de março, Dia Mundial do Rim, para discutir a…

Alimentação saudável contra a fome e a obesidade de crianças: entrega de produtos pelo PAA ao Sacolão Popular e Pastoral do Povo de Rua, do Padre Júlio Lancelotti
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Um estudo divulgado no início de abril por pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Cidacs/Fiocruz Bahia), em colaboração com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a University College London, revelou que as crianças brasileiras estão mais altas e mais obesas. Entre 2001 e 2014, a estatura infantil, em média, aumentou um centímetro. A prevalência de excesso de peso e obesidade também teve aumento, de 3% entre os grupos analisados.
A pesquisa foi publicada na revista The Lancet Regional Health – America e baseou-se na observação das medidas de mais de 5 milhões de crianças brasileiras. Segundo os pesquisadores, tais resultados indicam que o Brasil, assim como os demais países em todo o mundo, está longe de atingir a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de deter o aumento da prevalência da obesidade até 2030.
Para a pesquisadora associada ao Cidacs/Fiocruz Bahia e líder da investigação, Carolina Vieira, a obesidade infantil é alarmante. Tanto o sobrepeso quanto a obesidade referem-se ao acúmulo excessivo de gordura corporal. A obesidade é fator de risco para enfermidades, como doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão e alguns tipos de câncer.
“Tem estudos que indicam que a criança que vive com obesidade aumenta a chance de persistir com essa doença durante todo o ciclo da vida dela”, alerta Carolina. “Em termos de saúde pública, pensamos que a carga dessas doenças crônicas não transmissíveis e os custos associados à obesidade aumentam ao longo do tempo. Então, é necessária uma ação efetiva e coordenada, porque, senão, as repercussões dessa doença para a saúde pública nos próximos anos serão bem alarmantes.”
O estudo analisou dados de 5.750.214 crianças, de 3 a 10 anos, que constam no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), no Sistema de Informação de Nascidos Vivos (Sinasc) e no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan). Isso possibilitou uma análise longitudinal, ou seja, ao longo da vida de cada uma das crianças, por meio de informações coletadas no decorrer dos anos.
Além do aumento da obesidade relacionado ao consumo de alimentos ultraprocessados, o Brasil enfrenta a fome. Estudo do Instituto Fome Zero revela que o número de pessoas em situação de insegurança alimentar grave no Brasil chegou a 20 milhões no quarto trimestre do ano passado. Apesar de estar aumentando a prevalência da obesidade, o país vive a dupla carga de má nutrição: prevalência de crianças desnutridas e de crianças com obesidade.
Pesquisadores da Fiocruz e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) compararam os primeiros seis anos de vida de dois grupos de crianças nascidas de 2001 a 2007 e de 2008 a 2014 e constataram um aumento da prevalência de excesso de peso de 3,2% entre os meninos e 2,7% entre as meninas. No caso da obesidade, a prevalência entre os meninos passou de 11,1% no primeiro grupo para 13,8% no segundo grupo, o que significa aumento de 2,7%. Entre as meninas, a taxa aumentou de 9,1% para 11,2%, acréscimo de 2,1%.