Rio Grande do Sul em alerta para aumento de casos de Covid-19

Com todas as regiões do estado classificadas com alto risco, secretarias da Saúde recomendam que rede hospitalar reative estruturas e UTIs e aumente equipes para enfrentar agravamento da pandemia
Estruturas que foram desmobilizadas após o recrudecimento do primeiro pico da pandemia, devem ser reativados para fazer frente ao agravamento da pandemia esperado pelas autoridades de saúde

Estruturas que foram desmobilizadas após o recrudecimento do primeiro pico da pandemia, devem ser reativados para fazer frente ao agravamento da pandemia esperado pelas autoridades de saúde

Divulgação/Hospital Geral de Caxias do Sul

O Rio Grande do Sul passa pelo momento mais crítico da pandemia de coronavírus. Com o número de pacientes internados em leitos clínicos e em UTIs atingindo o pico da série histórica, o mapa preliminar da 30ª semana do Distanciamento Controlado, divulgado nesta sexta-feira, 27, traz, pela primeira vez, todas as 21 regiões Covid-19 em bandeira vermelha – indicativo de risco epidemiológico alto.

Na quinta-feira, 26, o estado chegou a 1.183 pacientes hospitalizados por conta do coronavírus e a 775 pessoas internadas em leitos de UTI. Com a manutenção do total de leitos e o aumento de 13% nos pacientes confirmados por Covid-19 internados em UTI, houve nova redução de leitos livres, chegando ao menor nível desde o início do Distanciamento Controlado: 0,67.

O quadro fez com que o indicador específico que mede a capacidade de atendimento do Estado como um todo recebesse a classificação de risco altíssimo (bandeira preta), cenário que se repete em cinco das macrorregiões (Metropolitana, Serra, Missioneira, Centro-Oeste e Norte).

O Hopital Nossa Senhora Conceição, do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) tem 75 leitos operacionais UTI, dos quais 70 estão ocupados, sendo 28 pacientes Covid-19

O Hopital Nossa Senhora Conceição, do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) tem 75 leitos operacionais UTI, dos quais 70 estão ocupados, sendo 28 pacientes Covid-19

Foto: Imprensa GHC

Houve uma piora em diversos indicadores ao longo da última semana. O número de casos ativos para doença cresceu 13% e ultrapassou a marca de 21 mil pessoas que testaram positivo apenas nesse período.

Pela primeira vez, ao menos três regiões tiveram média ponderada que as aproximou da classificação final em bandeira preta: Bagé, Erechim e Uruguaiana. Além da situação piorar em toda a macrorregião Norte, Erechim foi a única que alcançou classificação de risco máximo nos quatro indicadores regionais.

A situação piorou significativamente no último mês. De 30 de outubro a 26 de novembro, os indicadores apontam elevação de 26% (de 830 para 1.047) no número de hospitalizações confirmadas pela doença e aumento de 30% (de 712 para 928) de internados em UTI por síndrome respiratória aguda grave (SRAG).

Além disso, o número de internados em leitos clínicos com coronavírus cresceu 54% (de 768 para 1.183) e o número de óbitos subiu 31%, de 211 para 276.

Conforme o mapa preliminar da 30ª rodada, todos os 497 municípios do Rio Grande do Sul estão em bandeira vermelha, o que corresponde a 100% da população gaúcha (total de 11,3 milhões de habitantes). No entanto, 207 municípios, que correspondem a 930.400 habitantes ou 8% da população, podem adotar protocolos de bandeira laranja, porque cumprem os critérios da Regra 0-0, ou seja, não têm registro de óbito ou hospitalização de moradores nos últimos 14 dias, desde que a prefeitura crie um regulamento local.

Para o governador Eduardo Leite (PSDB), os indicadores monitorados pelo modelo de Distanciamento Controlado, mostram o pior momento da pandemia no estado. “Estamos de fato vivendo uma segunda onda de coronavírus aqui no Rio Grande do Sul e também em outras regiões”, admitiu.

Estado registrou 2,6 mil contágios em 24 horas

Mapa da 30ª rodada do distanciamento controlado classifica todas as regiões com alto risco de contágio

Mapa da 30ª rodada do distanciamento controlado classifica todas as regiões com alto risco de contágio

Arte: GDO

Nesta sexta-feira, 27, o estado contabiliza 311.123 casos confirmados de contágio por Covid-19, sendo 2.622 registrados nas últimas 24 horas, e 6.725 mortes, 39 notificadas em um dia. A taxa de lotação de UTI nos hospitais do estado aumentou de 75,7% na quinta-feira, para 80,7%. São 2.047 pacientes internados em 2.538 leitos. Todos os 497 municípios gaúchos foram atingidos pela pandemia. Os dados da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre estão desatualizados e são divulgados com pouca transparência no portal da prefeitura. Até às 18h, os dados disponíveis ainda eram do dia anterior. Com 55.772 casos confirmados e 1.511 óbitos por Covid-19, a capital gaúcha está com a oferta de leitos de UTI no limite: 89,13%.

Rede hospitalar de prontidão

A Secretaria da Saúde (SES) e o Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (Cosems/RS) publicaram nesta sexta-feira, 27, um alerta à rede hospitalar gaúcha relativo ao aumento da demanda de atendimento de pacientes com Covid-19 nas próximas semanas.

De acordo com o documento, a rede de saúde deve reativar estruturas e equipes de profissionais que foram desmobilizados após o primeiro pico da pandemia, avaliar a suspensão ou o adiamento de cirurgias eletivas e garantir o acesso prioritário de pacientes graves de Covid-19 aos leitos de UTI, entre outras medidas, para enfrentar um esperado agravamento da pandemia – segunda onda.

O setor hospitalar não se manifestou sobre o alerta. A Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde do Rio Grande do Sul não respondeu aos contatos e a administração do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) informou por meio de sua assessoria que não vai se manifestar.

Evitar sobrecarga na saúde pública

Com o intuito de evitar sobrecarga do serviço público de saúde, o documento orienta que os hospitais adotem medidas de interesse público, como a reativação de estruturas e equipes de profissionais da saúde assim como estavam estruturadas no primeiro pico da pandemia. O texto visa garantir atendimento de pacientes em situações graves e de urgência, seja por Covid-19 ou não, especialmente nas áreas de oncologia e cirúrgicas em geral.

“Para os pacientes com Covid-19 recomenda-se uma área isolada, como vem sendo realizado, mas caso não exista a possibilidade de isolamento, deve-se igualmente internar o paciente, isolando-o como possível”, explica o diretor do Departamento de Regulação Estadual, Eduardo Elsade.

A nota assinada pela presidente do Cosems/RS, Cláudia Daniel, e pela secretária estadual de Saúde, Arita Bergmann, recomenda que seja avaliada a suspensão, se necessária, das cirurgias eletivas que não comprometam a saúde do paciente e também recomenda que não ocorra redução da força de trabalho no período de final de ano e verão. As instituições hospitalares devem continuar atualizando diariamente a ocupação de pacientes e disponibilidade de leitos no sistema de informações da SES/RS.

Comentários