Política
De Caracas a Teerã – a lógica de Trump
Especialistas divergem: para um, Trump segue uma lógica para atingir a China; para outro, o…

“Trump é um mafioso de baixo nível. Não pagava os próprios funcionários, vivia sendo processado, declarou falência seis vezes”
Foto: Daniel Cima/ CIDH
Há uma nítida busca de intervenção por parte dos Estados Unidos na soberania do sistema judiciário do Brasil. Uma escalada que expõe a lógica imperialista e um retorno do intervencionismo norte-americano na América Latina. A análise da crise instaurada pelo tarifaço e das chantagens de Donald Trump não é de um brasileiro, mas de um conterrâneo do atual presidente dos Estados Unidos. “Trump é um bully. Ele não tem força real. É o gorila que entra na festa, derruba a mesa, bebe todo o uísque e assedia as mulheres. É esse o estilo da política atual dos EUA”, resume o professor James Cavallaro.
Nascido no Brooklyn, em Nova York, Cavallaro leciona Direitos Humanos nas universidades de Yale e Columbia e foi cofundador e diretor executivo da University Network for Human Rights. Ex-professor de Direito em Stanford (2011-2019) e Harvard (2002-2011), trabalhou na Human Rights Watch e fundou o Centro de Justiça Global no Brasil. De 2013 a 2017, foi comissário e presidiu a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).
Uma das vozes mais relevantes em defesa dos direitos humanos, dentro e fora da academia e na diplomacia, inclusive por sua experiência, Cavallaro foi alvo de sanção em 2023, quando o então presidente Joe Biden retirou sua recondução para a CIDH após ele descrever Israel como “estado de apartheid”. Esse episódio exemplifica a seletividade geopolítica nos direitos humanos que ele critica nesta entrevista, concedida com exclusividade ao Extra Classe desde Lisboa, Portugal.
Extra Classe – O senhor tem criticado a seletividade geopolítica em relação aos direitos humanos. O que defende?
James Cavallaro – O meu pensamento é guiado pelo respeito aos parâmetros estabelecidos nos tratados internacionais e, também, o Direito Constitucional dos direitos humanos. Quer dizer, levo a sério, acho fundamentais os valores incorporados nos instrumentos internacionais de direitos humanos. Pensar, analisar e aplicar os direitos humanos exige um pensamento e uma prática radicais. Basicamente, meu pensamento é o da dignidade humana; o de que cada ser humano tem um valor igual e precisa ser tratado como tal. Se o mundo realmente pensasse e trabalhasse criando estruturas internacionais coerentes com essa lógica que eu falei, seria absolutamente diferente. Eu poderia dizer que sou um radical, mas sou radical porque acredito na promessa dos direitos humanos e no cumprimento dos direitos humanos, que é outra coisa.
EC – Como o senhor vê a tensão criada pelo presidente Donald Trump ao tentar interferir em questões internas do Brasil?
Cavallaro – Eu vejo como um tema extremamente preocupante. Uma aberração em todos os sentidos. Primeiro, em termos das relações internacionais: mesmo que fosse – e não é – um processo sem base legítima contra Jair Bolsonaro, não caberia ao presidente de outro país interferir, de maneira tão violenta, no Poder Judiciário de uma nação soberana. O mínimo, mesmo diante de dúvidas sobre a gravidade das acusações, seria respeitar a soberania e as instituições democráticas do Brasil. Mas o que vimos foi uma tentativa de intervenção feita de forma desastrosa: uma carta mal escrita, que parecia birra de criança que não recebeu o doce preferido. E, além disso, baseada em dados falsos sobre o comércio entre os dois países. Trump alegou que havia um déficit para os Estados Unidos, quando, na verdade, é o contrário. Ou seja, uma justificativa completamente equivocada, usada como pretexto para pressionar o Judiciário brasileiro. Isso é coisa do século retrasado. Uma lógica imperialista, arrogante, descabida.
EC – Essa intervenção é um episódio isolado ou faz parte do padrão mais amplo da política de Trump?
Cavallaro – É exatamente isto: um padrão. E digo isso não como brasileiro – não sou brasileiro, embora minha esposa seja –, mas como cidadão dos Estados Unidos. É uma forma de política imperialista, prepotente, que remete ao século 19 e, infelizmente, a vários episódios do século 20, quando os EUA facilitaram invasões e golpes. Do ponto de vista do direito internacional e dos direitos humanos, não há cabimento. É uma política aberrante, violenta e destrutiva. São medidas que, a médio e longo prazo, prejudicam mais os Estados Unidos do que os países-alvo. Estamos vendo um governo que combina arrogância e incompetência – uma mistura brutal. Isso já se reflete internamente: a inflação começa a subir nos Estados Unidos por conta de tarifas e sobretaxas que encarecem produtos e insumos. Quem paga é o consumidor americano. Além disso, anos de políticas de cooperação com países vizinhos e aliados – Brasil, Canadá, México – estão sendo destruídos.

“O certo, o que Lula e outros estão fazendo, é mostrar ao povo quem realmente manda no Brasil. Não são os americanos, mas o povo brasileiro”
Foto: Daniel Cima/ CIDH
EC – Como isso impacta o Brasil?
Cavallaro – No curto prazo, claro, o Brasil é afetado. Mas o que vejo é uma sucessão de perdas autoinfligidas pelos Estados Unidos. E quando, daqui a cinco ou 10 anos, analisarmos o fim da Pax Americana, a perda de influência global dos EUA, vamos poder dizer: “Isso começou mais ou menos em janeiro de 2025”.
EC – Essa analogia à Pax Romana remete a Marx: “A vida se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.
Cavallaro – Aliás, acho que estamos na segunda fase. Na fase da tragédia. Mas a resposta do governo brasileiro é uma resposta digna. Dizer: “Não, sinto muito”. E está fazendo de tudo: negociando, tentando evitar essa taxação de 50%. O Lula está certo. Faço aqui um contraste com a União Europeia, que aceitou uma taxação de 15%. Essa foi uma solução entre aspas. Não foi uma resposta digna. Foi ceder às pressões de um bully (valentão). Porque o Trump é isso, um bully. Ele não tem força real, não tem competência. O que ele tem são berros, ameaças e violência. E quando você cede ao bullying, o que acontece? Mais bullying. Então é preciso dizer: “Não, senhor”. O Brasil pode até sofrer alguns meses, ter que buscar produtos na China, na Índia, em outros lugares. Vai ser difícil, mas é o caminho certo. Se ceder, ele (Trump) canta vitória, faz com a Índia, depois com o próximo país, e continua. Na realidade, Trump está expondo que os Estados Unidos não são uma democracia que respeita parceiros e soberania. Nunca foi bem assim, mas agora é descarado: é o gorila que entra na festa, derruba a mesa, bebe todo o uísque e assedia as mulheres. É esse o estilo da política atual dos EUA.
EC – Trump usa a relação comercial com outros países para fazer valer sua ideologia?
Cavallaro – Totalmente. Não há dúvida. A família Bolsonaro foi a Washington. Está claro, Trump quer aliados neofascistas pelo mundo. Só que aí entra a incoerência. Veja o caso da Índia. Modi (Narendra, primeiro-ministro), que também é um etnonacionalista da mesma linha do Trump, está sofrendo taxação altíssima porque comprou petróleo da Rússia. Então, não existe lógica geopolítica consistente. Se fosse “quem é de extrema direita recebe benefícios”, a Índia estaria blindada. Mas não está.
EC – Qual é a lógica real dessa política externa?
Cavallaro – A lógica real é mafiosa. Eu sou descendente de sicilianos, cresci no Brooklyn, conheço bem esse estilo. É como entrar num café e ver sete ou oito mafiosos fumando charuto, dividindo o território: quem controla drogas, quem controla prostituição, quem fica com cada quarteirão. Agora imagine que alguém entra ali e diz: “Temos um novo negócio. Vamos para Washington controlar os Estados Unidos”. Essa é a lógica do Trump. Não é uma lógica de Estado, de pensar os interesses do país por 20 ou 40 anos. É o que você pode dar para ele e seus amigos hoje, amanhã, semana que vem. Se for um avião de 400 milhões de dólares, tudo bem. Se for a promessa de construir hotéis em Gaza depois de um massacre, tudo bem também. É transação pura. Muita gente tenta aplicar uma lógica geopolítica da ultradireita americana como se fosse o império do século 21. Não é isso. É lógica de máfia. E Trump, pessoalmente, é um mafioso de baixo nível. Não pagava os próprios funcionários, vivia sendo processado, declarou falência seis vezes. Fala inglês como um idiota, com vocabulário pobre.
EC – Por que funciona?
Cavallaro – Ele ganha votos com esse populismo barato, falando “como o povo fala”. Uma parte do eleitorado entende que está sendo enrolada e lucra com isso. Outra parte não entende nada, mas compra o discurso: “Meu inimigo é o imigrante mexicano”. E assim ele constrói esse projeto étnico nacionalista de baixo nível.
EC – Steven Levitsky, autor de Como as democracias morrem, disse que o Brasil agiu certo em relação ao 8 de janeiro, ao contrário dos Estados Unidos após a invasão do Capitólio. Concorda?
Cavallaro – Totalmente de acordo. Se formos avaliar juridicamente, o Brasil fez muito mais, de forma mais eficaz. Está processando não só Bolsonaro, mas várias outras pessoas, não apenas pelo 8 de janeiro, mas também por atos anteriores. Nos Estados Unidos, houve dois grandes erros. Primeiro, ninguém foi processado imediatamente. Quando começaram a processar, foi meses depois, usando a lógica típica dos promotores americanos, a chamada prosecutorial logic. Pode-se negociar penas para conseguir testemunhos, transformar “peixes pequenos” em informantes para atingir os grandes. Isso funciona em casos normais, mas o caso do Capitólio não foi normal. Isso deu tempo para Trump reconstruir sua base no Partido Republicano. O segundo erro foi acreditar que, com Joe Biden no poder, “tudo ia ficar certo”. Não ficou. Trump reconquistou o partido, e aí ficou impossível processá-lo politicamente. Já o Brasil, pelo contrário, agiu rapidamente: cassou direitos políticos de Bolsonaro, prendeu envolvidos no 8 de janeiro e começou a processar líderes importantes. Portanto, o Brasil é muito mais eficaz nesse sentido. Quem falhou nos Estados Unidos foi Merrick Garland, o procurador-geral que tinha condições de agir nos primeiros meses, quando havia consenso político suficiente. Mas a hesitação permitiu que Trump se fortalecesse novamente, e o país pagou o preço. Levitsky tem razão: as instituições brasileiras se saíram melhor do que as americanas nesse episódio.

“Quem falhou nos Estados Unidos foi o procurador-geral, que hesitou e permitiu que Trump se fortalecesse novamente, e o país pagou o preço”
Foto: Juan Manuel Herrera/ OAS
EC – No Brasil, há um segmento político que apoia as sanções e estimula a chantagem contra o Parlamento e o sistema de justiça.
Cavallaro – É terrível, mas não me surpreende. Aqueles que se chamam nacionalistas, muitas vezes no Brasil e na América Latina, especialmente na direita, têm uma história nefasta de se alinhar aos interesses americanos contra os interesses nacionais. Na história do continente, durante um século, as elites brasileiras e latino-americanas frequentemente colocaram seus interesses acima dos do país, alinhando-se aos da direita americana. No Brasil, há bolsonaristas que se identificam com MAGA (Make America Great Again), com os Estados Unidos, e que prefeririam ver um golpe planejado, financiado pelos americanos, contra o governo de Lula, especialmente se fosse um governo mais progressista. Não é especulação: já fizeram isso antes – em 1964, durante os 25 anos da Doutrina de Segurança Nacional e com o apoio da CIA no Plano Condor. Essas pessoas fingem ser nacionalistas, fingem amar o Brasil, mas os interesses delas não são os do povo brasileiro; são os da classe dominante brasileira, protegidos pela classe dominante nos Estados Unidos. O choque de interesses é evidente. O certo, o que Lula e outros estão fazendo, é mostrar ao povo quem realmente manda no Brasil. Não são os americanos, mas o povo brasileiro.
EC – O conceito de liberdade de expressão americano é muito mais permissivo que o brasileiro. Enquanto a 1ª Emenda da Constituição de vocês dá proteção quase absoluta, com poucas exceções, como incitação à violência iminente, no Brasil o artigo 5º garante, mas com limites, como discurso de ódio, racismo e apologia ao crime. Estamos caminhando num campo minado, mas qual é a sua visão sobre isso?
Cavallaro – Você aludiu corretamente o caso Brandenburg versus Ohio, que estabelece exatamente esse limite: a incitação à violência iminente. Posso fazer discursos terríveis, violentos, de ódio – posso dizer que um grupo X é subumano, que todos deveriam morrer –, mas não posso convocar a turma na esquina para atacar alguém com um taco de beisebol. Até chegar a esse ponto, a lei protege minha fala. Eu acho que a regra da maioria dos países, que criminaliza discurso de ódio, é mais coerente com os princípios de direitos humanos do que essa visão quase absoluta da 1ª Emenda americana. Pessoalmente, prefiro a versão brasileira ou europeia. Mas reconheço os argumentos de quem defende a versão americana. Por exemplo, um compatriota meu – você deve saber de quem estou falando, Greenwald (Glen, jornalista) – defende a visão absoluta da primeira emenda, de que não deveria haver nenhum limite à liberdade de expressão. O direito, no entanto, é flexível. Não existe norma absoluta dizendo que a versão americana está certa e a brasileira ou europeia, errada. Ambas são permitidas dentro do direito internacional.
EC – A sua recondução à CIDH foi retirada pelo governo Biden depois que o senhor afirmou que Israel promovia um “estado de apartheid”. Nesse caso, a liberdade de expressão da Constituição do seu país foi relativizada, não?
Cavallaro – Eu diria, como crítico, que chamar Israel de um “estado de apartheid” é uma forma de denúncia que compara com crimes internacionais graves, embora apartheid seja menos grave que genocídio. Eu estive várias vezes documentando as condições na Palestina, estive em Israel, apresentei queixas e denúncias. Quem viu o que aconteceu no dia 7 de outubro sabe que houve crimes de guerra. Não defendo matar civis, mas se não houver controle e limitação dos abusos do Estado israelense, isso evolui para genocídio. Mas o que aconteceu comigo não é, estritamente, uma questão de liberdade de expressão. Eu fui escolhido como especialista independente, não como representante do governo, para atuar de forma totalmente independente, baseada na capacidade e no conhecimento em direitos humanos.
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EC – Por que sua nomeação foi retirada?
Cavallaro – Alguém considerou problemático meu posicionamento crítico sobre Israel. Politicamente, para o governo Biden, era mais “seguro” me retirar da posição do que enfrentar a pressão de lobbies poderosos, como a APAC (American Israel Public Affairs Committee, um grupo de lobby que promove os interesses do Estado de Israel nos EUA e exerce grande influência sobre o Congresso americano). Isso mostra o quão limitado é o compromisso americano com direitos humanos quando ele entra em conflito com os interesses de Israel. Minha retirada da nomeação é mínima diante do que está acontecendo na Palestina: genocídio, fome orquestrada pelo Estado, ataques a hospitais, escolas, jornalistas – uma destruição sistemática das condições básicas de vida. A verdade é que, nesse contexto, minha nomeação é uma questão menor. O problema real é a destruição contínua de pilares do direito internacional, dos direitos humanos e do direito humanitário. Estamos, de certa forma, revivendo os anos 30. Todo dia acordo esperando sair desse pesadelo, mas ele continua.
EC – Por que o mundo, nações como os Estados Unidos, que falam tanto de direitos humanos, não param essa insanidade?
Cavallaro – Ah, porque não quer. Não o mundo inteiro, mas os Estados Unidos, o governo, não quer. O dia que eles decidirem parar o conflito, termina. É terrível, mas é simples assim. Israel não teria como continuar bombardeando com essas bombas de 2 mil toneladas sem o fornecimento de armamentos dos Estados Unidos e de alguns países europeus, mesmo com restrições. Além disso, quem veta resoluções no Conselho de Segurança? Não é mistério, é terrível. Daqui a 20 anos, talvez a gente se sente e tome um cafezinho, analise melhor, mas a verdade é que o sistema global é totalmente desproporcional. O Conselho de Segurança dá poder de veto aos chamados P5 – Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido – que nem sempre representam os interesses do mundo de forma equilibrada. Se um novo Conselho fosse constituído em 2025, países como Brasil e Índia deveriam ter assento e o poder de veto precisaria ser repensado. O que vemos na Faixa de Gaza e na Palestina é o fracasso desse modelo: um país exerce o veto de forma irresponsável, ignorando o sofrimento humano. Historicamente, a União Soviética ou a China vetaram resoluções também, mas hoje quem usa o veto de forma descarada são os Estados Unidos. O Reino Unido e a França raramente o usam. O resultado é a implosão da ONU, do direito internacional, dos direitos humanos e do direito humanitário. E isso me afeta emocionalmente todo dia. Estamos vendo um império que protege Israel para que ele possa continuar a agir sem limites.
EC – Pessoas como Trump e Elon Musk ficam extremamente irritados quando se fala em regulação das redes sociais, algo que tem sido enfrentado na Europa e, aqui no Brasil, tem andado, embora devagar. Considerando o papel das redes na disseminação de desinformação, na manipulação política e no impacto sobre direitos humanos — temas que discutimos ao longo da entrevista e que também se relacionam com as sanções que os EUA aplicam ao Brasil – qual a sua opinião sobre essa regulação?
Cavallaro – Eu apoio totalmente a regulação rigorosa do Vale do Silício. Preciso enfatizar demais o quanto isso é importante. Passei uma década lá quando lecionei em Stanford. Estudei como essas empresas funcionam, como monopolizam tudo, compram qualquer inovação interessante – WhatsApp, Meta, e por aí vai. A inovação é capturada pelas grandes empresas e pelos venture capitalists, que só querem lucrar, e isso mina a competição. Quem está ganhando com isso? Os chineses. Eles conseguem fazer, por exemplo, sistemas de inteligência artificial por valores irrisórios comparados ao que se gasta lá. Agora, falando pessoalmente, quem viveu lá percebe que essas pessoas se acham as mais brilhantes do mundo. Acham que todos os outros são babacas e não precisam ouvir ninguém. Eles acreditam que podem fazer o que quiserem, sem regras.
EC – Pode dar algum exemplo desse pensamento?
Cavallaro – Te dou um exemplo. Estava em um evento sobre inteligência artificial e fui convidado como especialista em direitos humanos. Um dos CEOs, do MidJourney, uma empresa bilionária, contava que, se ele fosse um padeiro e alguém morresse comendo um cupcake malfeito entre 200, ele continuaria a produzir cupcakes. Isso mostra duas coisas: primeiro, ele acha legítimo continuar mesmo depois de causar dano; segundo, acha que todos vão concordar com ele. Esse é o pensamento dentro do Vale do Silício: todos se acham os mais inteligentes e desprezam a regulação. Exatamente por isso, eles precisam desesperadamente de regulamentação. Quem mais precisa de regras é justamente quem acha que não precisa.