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A PEC voltou à pauta por decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), após acordo político costurado com o ex-presidente Arthur Lira (PP-AL) para pacificar a disputa pela Mesa Diretora
Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados
A Câmara dos Deputados pautou, para esta quarta-feira, 27, a votação da chamada PEC das Prerrogativas (PEC 3/21), apelidada por críticos de PEC da Blindagem ou Pacote da Impunidade. A proposta altera regras de imunidade parlamentar e restringe a prisão em flagrante de deputados e senadores.
Segundo o texto original, apresentado em 2021 pelo então deputado e atual ministro do Turismo Celso Sabino (União-PA), parlamentares só poderiam ser presos em casos de flagrante por crimes inafiançáveis listados na Constituição, como racismo, terrorismo, tráfico de drogas e crimes hediondos. O relator, Lafayette de Andrada (Republicanos-MG), deve apresentar versão ajustada para análise em plenário.
A PEC voltou à pauta por decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), após acordo político costurado com o ex-presidente Arthur Lira (PP-AL) para pacificar a disputa pela Mesa Diretora.
Além dela, também deve ser discutida a proposta de fim do foro privilegiado para crimes comuns, aprovada no Senado em 2017 e parada na Câmara desde 2018. Apesar da tramitação avançada, líderes partidários admitem falta de consenso para aprovar o texto.
Há ainda um terceiro projeto em pauta, que limita a atuação de partidos políticos em ações de constitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF).
Conforme matéria do Extra Classe publicada no dia 12 de agosto, as movimentações ocorrem em meio a mais de 35 investigações no STF contra parlamentares, muitas relacionadas a suspeitas de desvios de emendas do chamado orçamento secreto. Críticos apontam que as propostas representam uma tentativa de blindagem legislativa.
Para a diretora de programas da Transparência Brasil, Marina Atoji, trata-se de “legislação em causa própria”: “Deslocar processos para a primeira instância aumenta o risco de impunidade, seja por interferência política, seja pela prescrição dos crimes”.
O consultor legislativo aposentado Luiz Alberto Santos avalia que o debate perdeu caráter moralizante: “O que era uma pauta moralista agora é oportunista. Aprovar PEC para beneficiar indivíduos é desvio de finalidade”.
Atualmente, ao menos 80 deputados estão sob investigação no STF. Entre eles estão Josimar Maranhãozinho (PL-MA), réu por corrupção e organização criminosa; Carla Zambelli (PL-SP), condenada por ataque hacker ao CNJ; Eduardo Bolsonaro (PL-SP), investigado por articulações contra autoridades brasileiras no exterior; e Marcos Do Val (Podemos-ES), suspeito de ataques a ministros do Supremo.
Para analistas, caso a proposta avance, o alcance do STF será reduzido e muitos processos poderão ser paralisados ou arquivados nas instâncias inferiores.