Quando Deus e Jesus são usados como cabos eleitorais

Gutierres Fernandes Siqueira, presbítero da Assembleia de Deus posicionado como conservador de centro-direita, alerta para os riscos de reduzir o evangelho a interesses partidários  
Quando Deus e Jesus são usados como cabos eleitorais

Malafaia discursa em ato pró-anistia aos que participaram dos atos golpistas e antidemocráticos que culminaram no ataque à Praça dos Três Poderes no dia 8 de janeiro de 2023

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A polarização política invadiu os púlpitos brasileiros e transformou fé em trincheira ideológica. É o que diz Gutierres Fernandes Siqueira, presbítero na Igreja Evangélica Assembleia de Deus, Ministério do Belém, em São Paulo, autor de Igreja Polarizada: Como a guerra cultural ameaça destruir a nossa fé  (Editora Mundo Cristão), em pré-venda, com lançamento previsto para o final de abril e venda nas livrarias a partir do dia 19 deste mês.

Ele também é autor de Quem tem medo dos evangélicos?: Religião e democracia no Brasil de hoje, lançado em 2022, lançado pela mesma editora.

Siqueira, em seu novo livro,  alerta para os riscos de “reduzir o Evangelho a uma bandeira partidária, comprometendo a comunhão entre os crentes”.

Gutierres se define como um conservador de centro-direita. Mesmo assim já cansou de ver o termo “comunista” estampado em sua testa por discordar de posturas populistas da extrema-direita ligadas ao bolsonarismo.

Ele chegou de “forma lateral” a participar nos protestos que culminaram com o impeachment de Dilma Rousseff e até das discussões de formação do partido Novo. Porém, recentemente chegou a lamentar em suas redes sociais que a extrema-direita é infinitamente mais ameaçadora à democracia, ao Estado de Direito e à própria Igreja, do que têm sido as esquerdas brasileiras. “A extrema direita é também destrutiva para a Igreja. Não há precedentes e nem simetria possível”, afirma.

Quando Deus e Jesus são usados como cabos eleitorais

O livro está em pré-venda, com lançamento previsto para o final de abril e venda nas livrarias a partir do dia 19 deste mês.

Foto: Mundo Cristão / Divulgação

Formado em jornalismo, ele atuou diretamente no Mercado Financeiro, campo em que possui pós-graduação. Também é pós-graduado em Teologia.

Ao Extra Classe Gutierres refere que o livro Igreja Polarizada foi inspirado pelas reflexões da jornalista e escritora norte-americana Anne Applebaum sobre a direita polonesa. Para ele, uma trajetória semelhante ao Brasil, onde antigos defensores da liberdade adotaram posturas populistas alinhadas ao extremismo político.

Gutierres ainda observa que, nas últimas décadas, os evangélicos brasileiros passaram de uma postura antipolítica para uma identificação intensa que se transformou, em parte, sua identidade.

Essa fusão, para ele, pode levar à intolerância, onde discordâncias mínimas são vistas como traição. Fenômeno agravado pela influência de figuras como Olavo de Carvalho, que, apesar de católico tradicionalista, conquistou espaço entre evangélicos ao se apresentar como defensor público do cristianismo.

Extra Classe – O senhor relata ter sido chamado de comunista e progressista, mesmo se identificando como um conservador de centro-direita. O que essa distorção revela sobre o atual estágio do debate político nas igrejas evangélicas no Brasil?
Gutierres Fernandes Siqueira – Revela que a política virou uma identidade, de alguma forma. E por ser uma identidade, qualquer rachadura nela se torna um risco, né? Então, eu posso ali estar concordando com a pessoa com 90% das suas visões políticas, mas, se eu discordo 10%, eu já sou um perigoso comunista.  Então, isso é uma mudança na postura dos evangélicos, porque por muito tempo os evangélicos tiveram até uma postura antipolítica. “Ah, política é coisa do diabo, a gente não quer saber de política, vamos manter distância disso”. E aí, nesses últimos 15 anos, com esse envolvimento cada vez maior, a política passou dessa postura de distanciamento para virar uma espécie de identidade. Então, isso é bastante perigoso, assim, na minha visão. Até como um conservador, um liberal, de você abraçar a política como se fosse ela a resposta para tudo na sua vida, né? Então, atribuo isso. A política como identidade. Eu não posso ter nenhuma rachadura nessa identidade, senão eu entro em colapso.

Quando Deus e Jesus são usados como cabos eleitorais

Gutierres Fernandes Siqueira, presbítero na Igreja Evangélica Assembleia de Deus, Ministério do Belém, em São Paulo

Foto: Acervo/Divulgação

EC – Como líderes religiosos como Silas Malafaia contribuíram para que críticas ao bolsonarismo fossem tratadas como uma espécie de traição à fé?
Gutierres – Olha, eu até diria que isso é até anterior ao Malafaia, porque o discurso anticomunista sempre foi muito forte entre os evangélicos. Até por uma questão histórica, devido à perseguição ao cristianismo nos países comunistas. O que é novidade, e talvez o Malafaia seja até uma representação simbólica dessa mudança, foi atribuir “comunismo” à esquerda clássica brasileira. Essa leitura não era feita. Ela ocorre mais ou menos por volta de 2010. Para mim, o ponto de inflexão foi quando a Dilma promete para os pastores que apoiaram ela – entre eles ali o Malafaia, o Marcos Feliciano, especialmente – que ela não ia colocar em pauta a questão do aborto. Mas aí, quando ela indicou o Barroso (Luís Roberto), para o Supremo – que sempre foi conhecido por ser um jurista a favor do aborto –, ali foi um ponto que a bancada evangélica se viu traída. Há uma inflexão no discurso a partir dali também. Mas claro que não é só isso. Porém este é um dos pontos que explica um pouco essa mudança. Então, todo aquele discurso anticomunista que já existia nas igrejas, que não era novidade foi colocado em cima do PT ou em cima de qualquer manifestação de esquerda. Você pode ser social-democrata, como a gente vê ali no Fernando Henrique (Cardoso) ou mesmo na Marina Silva. Tudo é comunista agora.

EC – Você disse que não é só isto. O que mais?
Gutierres – Tem um evento paralelo que é o crescimento da filosofia nem sei se a gente pode chamar de filosofia, mas do pensamento do Olavo de Carvalho. O Olavo educa muitos evangélicos também nesse anticomunismo maluco, exagerado. Inclusive, até uma curiosidade, a primeira vez que eu ouvi falar do Olavo de Carvalho, foi em uma citação que o Malafaia fez dele. Isso lá, talvez, 2003 ou 2004, para você ter ideia. Então, antes mesmo do rompimento do Malafaia com o PT, por exemplo.

EC – Já que estamos entrando na questão do Olavo de Carvalho, como um católico tradicionalista – com passagens pelo esoterismo, que considerava até o Papa um comunista – tornou-se referência para muitos evangélicos? Conceitos como “marxismo cultural” e “globalismo” migraram de círculos ideológicos para os púlpitos. de que forma teorias da conspiração encontraram aceitação tão rápida em comunidades religiosas?
Gutierres – Pois é. Desde que existem evangélicos, existe também essa tradição chamada, na teologia, de apologética — que é a defesa da fé. Então, é comum que qualquer figura que pareça erudita, inteligente e defenda o cristianismo no espaço público acabe sendo bem vista. Não foi só com o Olavo, mas ele acabou ocupando esse lugar. Agora, se um evangélico levar a filosofia do Olavo a sério, ele tem que deixar de ser evangélico. Para o Olavo, a Reforma Protestante é a origem de todas as revoluções (risos). Mas como ele tinha coluna no Globo, no Jornal do Comércio e aparecia sempre defendendo o cristianismo, ele acabou sendo respeitado, até querido, por muitos evangélicos. Foi essa postura dele que atraiu. Mas eu conheço gente que se envolveu com o pensamento do Olavo e deixou de ser evangélico. Virou católico tradicionalista mesmo, daquele tipo que rejeita o Concílio Vaticano II, acha que o papa Francisco é comunista, essas coisas. A entrada nesse pensamento começava com essa defesa pública da fé cristã.

Quando Deus e Jesus são usados como cabos eleitorais

Foto: Acervo/Divulgação

“Agora, se um evangélico levar a filosofia do Olavo (de Carvalho” a sério, ele tem que deixar de ser evangélico”

EC – O apoio a Bolsonaro assumiu tons de devoção quase religiosa em comunidades evangélicas, com ele sendo visto como “salvador da pátria cristã”. Como essa narrativa impactou a espiritualidade das igrejas, substituindo o foco em Cristo por lealdades partidárias? Há risco de um legado duradouro dessa visão messiânica na política evangélica?
Gutierres – Eu tenho um amigo que diz que eu sou otimista demais. Mas acho que não, sinceramente espero que não. E digo isso pela própria história do Brasil. O Brasil vive essas euforias populistas por um tempo, e depois o mesmo líder é chutado como cachorro. Minha esperança é que isso aconteça de novo, que o povo enjoe do Bolsonaro. Mas o impacto dele na igreja já ficou. Hoje, o que já acontecia nos Estados Unidos está acontecendo aqui: a associação direta entre igreja evangélica e um grupo político. Lá é comum: “sou evangélico, sou republicano.” Aqui virou: “sou evangélico, sou bolsonarista.” Nesse ponto, acho que já não tem volta. Já se formou uma direita evangélica, e ela veio para ficar — mesmo que o Bolsonaro passe, mesmo que o bolsonarismo passe. Essa direita evangélica continua. Prova disso é o Nikolas Ferreira — muito jovem e, a não ser que algo muito grande aconteça, deve crescer ainda mais com o apoio evangélico. Não só ele. Michelle Bolsonaro também. Minha impressão é que ainda vamos ver esses nomes por muito tempo na política brasileira.

EC – Recentemente, o deputado federal Otoni de Paula, afinadíssimo com Bolsonaro durante o governo dele, fez uma mea-culpa e até orou para o presidente Lula. Como você vê isso? Vê sinceridade ou mais um movimento político?
Gutierres – Esse movimento do Otoni era algo que eu e alguns amigos já vínhamos comentando. A gente dizia: na bancada evangélica também tem centrão. Então vai ter gente ali que vai sempre defender quem está no poder. Isso não muda. Vejo a postura do Otoni muito por aí. É capaz de mudar o discurso agora e mudar de novo depois. Para mim, sendo bem sincero, não surpreende. O que até me surpreende, na verdade, é que mais nomes da bancada evangélica não tenham feito o mesmo. Minha impressão é que, se o governo Lula fosse popular — como era em 2010, por exemplo —, a gente veria muito mais gente da bancada fazendo esse mesmo movimento. Então é mais um cálculo político mesmo. Tem a ver com os interesses locais do Rio e com a posição que ele quer ocupar.

Quando Deus e Jesus são usados como cabos eleitorais

Foto: Acervo/Divulgação

“As armas pra vencer a batalha espiritual são paz, verdade e justiça. Isso é totalmente o oposto da tal guerra cultural, onde se mente, se espalha fake news, não se age com justiça”

EC – Você critica a ideia de “guerra cultural” por falta de base bíblica, mas muitos pastores a veem como uma batalha espiritual. Como responder a essa “teologia militante” que justifica polarização e até ódio? Existe um antídoto teológico para essa visão beligerante da fé?
Gutierres – O cara que interpreta essa batalha política exagerada e intensa que a gente vive como uma batalha espiritual, não leu bem o texto bíblico. Paulo (Apóstolo) é muito claro: a batalha é espiritual, não é contra carne ou sangue — ou seja, não é contra pessoas. Ele está dizendo que a nossa vitória é espiritual, e para isso a gente usa armas espirituais. E aí ele cita três armas: a justiça — fazer o que é certo; a verdade — ter compromisso com ela; e o evangelho da paz. Isso é interessante, porque o Paulo normalmente fala só “evangelho”, mas nesse trecho ele fala “evangelho da paz”. Ou seja, as armas pra vencer a batalha espiritual são paz, verdade e justiça. Isso é totalmente o oposto da tal guerra cultural, onde se mente, se espalha fake news, não se age com justiça — a balança sempre favorece os amigos e prejudica os inimigos — e paz não é prioridade nenhuma. É o completo oposto do que o texto bíblico ensina. E isso mostra não só uma leitura rasa do texto, mas uma cegueira mesmo para o que ele está dizendo.

EC – Amigos seus perderam ministérios por se oporem ao bolsonarismo. Como as estruturas de poder eclesiástico foram instrumentalizadas para silenciar vozes dissidentes? É possível reverter essa cultura de exclusão ou a polarização já cristalizou divisões irreparáveis?
Gutierres – Olha, se a gente olha a história das grandes lideranças evangélicas, nada é irreversível. Eles brigam, expulsam alguém, e depois se reconciliam — isso é comum. Mesmo quem foi censurado pode voltar para a mesma estrutura. Para mim, não seria surpresa. Essas brigas sempre existiram, geralmente por disputa de poder eclesiástico, mais do que por teologia. Agora entrou a política. Mas já vi muita reconciliação acontecer, mesmo que leve anos. Então, não acho esse processo irreversível.

EC – O que pode ser feito para reverter isso?
Gutierres – Tenho duas respostas, depende do público. Se estou falando com um cristão, diria que a melhor ferramenta política é viver o evangelho. E isso não significa ser alienado — dá para viver o evangelho sendo filiado a partido, participando da militância, desde que essa atuação siga os valores do evangelho. E esses valores vão além da pauta da sexualidade. Falo de coisas como promover a paz e a reconciliação, que são centrais no evangelho. Agora, para sociedade em geral — seja a pessoa religiosa ou não — o caminho é seguir levando a sério a defesa da democracia. Esses movimentos são pendulares, uma hora o povo enjoa da polarização. Mas a democracia não é garantida. Mesmo quando a gente sair desse momento, vai ser essencial manter o ensino sobre democracia nas escolas, e o papel da mídia em explicar o básico do que é viver numa democracia. Isso precisa ser uma pauta constante. A democracia nunca é um jogo ganho.

EC – A “direita evangélica brasileira” parece espelhar o movimento americano, cristalizado há décadas. Quais são as semelhanças perigosas e as diferenças que podem evitar uma instrumentalização permanente das igrejas por partidos? O Brasil está fadado a repetir o mesmo ciclo de radicalização?
Gutierres –
A semelhança é impressionante. Às vezes parece mesmo uma cópia do que nasce nos Estados Unidos e depois chega aqui. O evangélico brasileiro tende a se espelhar na igreja americana em tudo — não só na política, mas também na forma de fazer igreja, na liturgia. Tudo que vira sucesso lá, chega aqui. Isso já faz parte da cultura evangélica. A diferença, que pode ser positiva para gente é o Centrão. Ele é uma maldição e uma bênção ao mesmo tempo (risos). Este grupo oportunista, que sempre está do lado do poder, acaba nos protegendo de uma radicalização completa. Um exemplo é a discussão da anistia. Muito provavelmente o Senado não vai levar isso adiante, graças ao Centrão. Não é do interesse deles. Nos Estados Unidos, isso seria diferente. O sistema bipartidário lá não tem esse tipo de controle paralelo. Nesse ponto, acho até que estamos em vantagem.

EC – Graças ao centrão? 
Gutierres – É, graças aos nossos defeitos (risos).

EC – Se, para você, a polarização é a “ruína da igreja”, como reconstruir comunidades onde o evangelho não seja refém de ideologias?
Gutierres – Olha, essa é uma pergunta difícil. Conheço pastores com uma mensagem saudável, contrários à polarização, conscientes dos riscos e que ensinam isso nas suas igrejas. Ainda assim, há fanáticos nas comunidades. E muitos olham para o próprio pastor com desconfiança — acham que ele está “meio comunista” ou algo assim. Ou seja, mesmo com boa orientação, sempre vai ter uma cota de polarização ali no meio. Mas é aquilo: o fanatismo está no ar, mas depende de lideranças carismáticas para se espalhar. Se a liderança da igreja tem consciência disso, já é mais da metade do caminho. Por isso, hoje, prefiro falar com lideranças evangélicas — futuros pastores, teólogos, pessoas com influência. Porque se eles têm essa clareza, muita coisa já pode ser contida desde o começo.

“Em 2022, chegamos mais perto do fascismo do que de qualquer comunismo, isso é muito claro”

EC – Certo, mas aí, nas lideranças, nós também temos um problema, não? Você mesmo falou do Nikolas. Não é pastor, mas atua como pregador, tem grande alcance nas redes e um discurso radicalizado. Na sua visão, há formas de conter ou neutralizar a influência de lideranças como ele, que se colocam como representantes da palavra de Deus?
Gutierres – É por isso que eu insisto no trabalho de base com a liderança. A gente precisa formar lideranças tão carismáticas e influentes quanto o Nikolas — mas com outro tipo de postura. E não estou falando em criar um “Nikolas progressista”, mas sim líderes capazes de contestar esse populismo dentro das suas comunidades e exercer influência real. A gente não vai convencer o Nicolas. Não tem como. Ele ganha com a polarização — ganha visibilidade, voto, dinheiro. Então o caminho não é tentar mudar quem está se beneficiando disso, mas sim formar outras lideranças que tenham força e influência para oferecer alternativas. Acredito mais nisso do que na possibilidade de convencer alguém como ele.

EC – Existem exemplos de líderes ou movimentos evangélicos que estão conseguindo equilibrar fé e política sem sectarismo?
Gutierres – Pois é, essa é uma boa pergunta. Para quem vê de fora, parece que a igreja evangélica está dominada por pequenos Nikolas e Malafaias. Mas, convivendo no dia a dia, não é bem assim. Eu tenho o privilégio de viajar muito, pregando e dando palestras, e nessas ocasiões converso com muitos pastores, almoço com lideranças. Desde 2018, quando a polarização se intensificou, a maioria dos pastores com quem conversei não é polarizada nesse nível. Já encontrei alguns bem engajados politicamente, até promotores de marchas pró-Bolsonaro, mas, na minha experiência, são minoria. Me surpreendi principalmente em 2021 e 2022. Lembro de uma viagem ao Maranhão em que um diácono começou a falar de política meio receoso. Quando percebeu que eu não era bolsonarista, ele se abriu e fez críticas à polarização. Era um senhor simples, de classe média baixa, mas muito bem informado e moderado. Vi muita gente assim nas minhas viagens — mais do que os extremistas.

EC – Para finalizar, que conselho você daria a evangélicos que se sentem esmagados pela pressão entre fé e militância?
Gutierres – Olha, o conselho que eu dou — e que tento praticar — é olhar pra essa igreja evangélica que não está polarizada. E também tentar entender quem vota em candidatos com os quais eu não concordo, seja de direita ou de esquerda. Nem todo mundo que vota no Bolsonaro é fanático. Às vezes a pessoa tem uma preocupação legítima com segurança pública ou economia, áreas onde a esquerda tem dificuldade de avançar. A gente precisa ouvir mais. Porque, se só alimentarmos nossos medos — seja o da esquerda achando que o Brasil virou um fascismo, seja o da direita achando que virou comunismo —, a gente paralisa. E, sim, em 2022, chegamos mais perto do fascismo do que de qualquer comunismo, isso é muito claro. Mas o medo não ajuda em nada. O que precisamos é ser propositivos. Tem muita gente que vota diferente da gente, mas não está tomada pelo fanatismo. É com essas pessoas que a gente precisa dialogar e apoiar, para que continuem assim: críticas, conscientes, mas sem paixão doentia.

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