Política
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Foto: Geraldo Magela/Agência Senado Fonte: Agência Câmara de Notícias
O partido do atual presidente Jair Bolsonaro (PL) consolidou nestas eleições a posição de maior bancada da Câmara dos Deputados, com crescimento dos 76 deputados atuais para 99 na próxima legislatura. São 23 a mais do que na legislatura anterior. O mesmo se dá no Senado, com 14 cadeiras. O que mostra a influência do atual presidente na composição do Congresso.
Mesmo que não se inviabilize uma eventual eleição de Inácio Lula da Silva e sua governabilidade em caso de vitória no segundo turno, este resultado revela que o campo da direita mais extremada veio para fincar suas bandeiras no Congresso.
E não define governabilidade porque o alinhamento com Bolsonaro, dado o histórico do PL, é fisiológico e só existe, de fato, no caso de vitória de Bolsonaro. Uma vez definida a eleição, o PL volta a ser Centrão e deixa de ser governo, passando a negociar de acordo com seus interesses como sempre fez.
Na cola do PL, vem a federação PT-PCdoB-PV, com 80 deputados eleitos (PT – 68, PCdoB – 6, e PV – 6). Doze a mais do que os três partidos possuem na legislatura atual, com 68 parlamentares.
Mas a conta real que precisa ser feita é que os partidos do campo progressista ou como se convencionou chamar, à esquerda, somam 138 cadeiras. O que em caso de vitória do petista, se transformará na base do governo. Isso inclui os dez partidos que apoiam Lula, mais o PDT de Ciro Gomes – indeciso sobre o apoio –, mas que também é de Carlos Lupi, mas suscetível apoiar Lula. Juntas, as legendas somam 59 vagas.
Já o PSL se uniu ao DEM e se tornou União Brasil, que hoje tem 51 deputados e terá a terceira maior bancada a partir de 2023, com 59 deputados.
O cenário repete a aparente polarização política iniciada em 2018, quando o PT elegeu 54 deputados e o PSL, então partido do presidente Jair Bolsonaro, 52.
PL – 99 (23 a mais)
PT/PCdoB/PV – 80 (12 a mais)
União – 59 (8 a mais)
PP – 47 (11 a menos)
PSD – 42 (4 a menos)
REP – 41 (2 a menos)
MDB – 42 (5 a mais)
PSDB/Cidadania – 18 (11 a menos)
PDT – 17 (2 a menos)
PSB – 14 (10 a menos)
PSol/Rede – 14 (4 a mais)
Podemos – 12 (3 a mais)
Avante – 7 (1 a mais)
PSC – 6 (2 a menos)
Solidariedade – 4 (4 a menos)
Patriota – 4 (1 a menos)
Novo – 3 (5 a menos)
Pros – 3 (1 a menos)
PTB – 1 (2 a menos)
Conforme dados do site da Câmara dos Deputados, a fragmentação partidária continua sendo uma marca do sistema político-eleitoral brasileiro, embora novas regras venham diminuindo ao longo do tempo o número de partidos com representação.
Em 2018, saíram das urnas deputados de 30 partidos diferentes, número que foi reduzido para 23 na composição atual da Câmara. Após as federações e as eleições de 2022, haverá 19 partidos com representação na Câmara dos Deputados.
O tamanho das bancadas é fundamental na atuação parlamentar. As presidências das comissões e as vagas na Mesa Diretora são definidas a partir da proporcionalidade partidária, ou seja, as maiores legendas ou blocos ocupam os cargos mais importantes da Casa.
A composição das casas do Congresso (Câmara e Senado) também tem impacto direto na governabilidade do presidente eleito, já que ele terá de negociar a votação das pautas prioritárias com as legendas.
O tamanho das bancadas no Congresso também tem impacto direto no financiamento dos partidos, pois a maior fatia dos recursos do Fundo Partidário é repartida entre os partidos de acordo com a votação para deputado federal.
Bancadas maiores também recebem mais recursos do fundo especial que financia as campanhas eleitorais e do tempo de televisão.
Os resultados finais para ocupação de cadeiras no Congresso do último ainda poderão ser alterados em decorrência de eventuais recursos decididos pela Justiça Eleitoral. O Judiciário analisa ações sobre abuso do poder econômico e político nas eleições, ou se o candidato registrado de fato tem todos os requisitos para exercer o cargo.
No Senado o PL passou de 8 para 14 cadeiras. O União Brasil de 6 para 10. O PT passou de 7 para 9. Republicanos subiu de 1 para 3. O MDB reduziu de 13 para 10 senadores. O PSD de 12 para 11. Podemos de 8 para 6. Progressista de 7 para 6. O PSDB de 6 para 4. PDT de 4 para 3 cadeiras. Pros de 2 para 1. Rede, PSC, Cidadania, PSB ficam com 1 senador. O PTB de Roberto Jeferson perdeu as duas vagas que tinha.
Bolsonaristas considerados orgânicos e aliados do Centrão que colaram em Bolsonaro conquistaram 14 das 27 vagas no Senado, mais da metade. Apenas oito candidatos que receberam apoio de Lula conseguiram cadeiras na Casa – seis deles da região Nordeste. Com o resultado, o PL passará a contar com a maior bancada da Casa: 14 senadores, cinco a mais do que a última composição sem Bolsonaro como puxador de votos. É a primeira vez desde a redemocratização que o MDB não vai ter a maior bancada.