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Autor do requerimento, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), acompanhado de parlamentares que apoiam a abertura da CPI do MEC, inclusive aliados de Bolsonaro, em entrevista coletiva no Senado
Foto: Pedro França/Agência Senado
Foi protocolado no início da tarde desta terça-feira, 28, o requerimento de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado para investigar irregularidades no Ministério da Educação (MEC).
Com quatro assinaturas a mais do que o necessário para a apresentação do pedido, a expectativa é que o presidente da casa, Rodrigo Pacheco (PSD/MG) leia a solicitação no plenário e determine abertura até quinta-feira, 30.
O documento assinado por 31 senadores aponta possível interferência do Planalto na investigação do chamado “gabinete paralelo” da pasta que era comandado pelo pastor presbiteriano Milton Ribeiro (PSL/SP).
A prisão preventiva do ex-ministro e dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, alvo da Polícia Federal no último dia 22 foi o estopim do processo de abertura da CPI encabeçado pelo líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP).
O pastor Gilmar Santos é líder do Ministério Cristo para Todos, ramo da Assembleia de Deus, com sede em Goiânia, e Moura, assessor de Assuntos Políticos da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros de Assembleias de Deus no Brasil Cristo para Todos.
Fartas evidencias comprovam que os pastores controlavam a agenda do ministro e até a destinação dos recursos públicos do MEC em reuniões fechadas realizadas em um hotel em Brasília.
Também pesou para o sucesso da iniciativa de Randolfe uma mensagem do delegado da PF Bruno Callandrini a colegas que fizeram parte da operação que culminou com a detenção do ministro.
Um dia após o presidente Jair Bolsonaro (PL) ter dito que a prisão de Ribeiro seria sinal de que ele não intervinha na PF, Callandrini disse que uma “decisão superior” evitou o cumprimento da determinação judicial para a transferência de Ribeiro para Brasília.
Assim, seguiu o delegado, estava comprovado que ele não teria “autonomia investigativa e administrativa para conduzir o Inquérito Policial deste caso com independência e segurança institucional”.
Ribeiro, Santos e Moura, foram soltos no dia 23 por ordem do desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
A mensagem do delegado Callandrini foi classificada pela PF como boato em nota que divulgou a abertura de um procedimento interno de apuração.