Política
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Gastos com cartão corporativo do governo Bolsonaro atingiram R$ 157,45 milhões até setembro, aumento de 24% em relação ao período correspondente de 2018
Foto: Antonio Cruz/ ABr
Em meio à guerra deflagrada pelo presidente Jair Bolsonaro e seus aliados pelo controle dos milionários fundos eleitoral e partidário do PSL, o cartão corporativo da presidência virou munição de deputados fieis ao atual presidente da legenda, Luciano Bivar, e em disputa com o presidente e seus filhos. Ao mesmo tempo em que afirma que a política econômica do governo “está no caminho certo”, o jornal Folha de São Paulo expõe, na coluna Painel da mesma edição desta terça-feira, 5, a rebelião da base aliada, que quer a quebra de sigilo dos gastos presidenciais, numa reação à tentativa de Bolsonaro de fazer uma devassa nas contas do partido. O sigilo das despesas com cartões corporativos do governo federal foi determinado pelo projeto de lei 12527, de 2011. Em maio de 2017, um projeto do deputado federal Antonio Carlos Mendes Thame (PV-SP) propôs a divulgação dos gastos. A proposta ainda está tramitando nas comissões.
Gráfico: Portal da TransparênciaOs parlamentares do PSL, que não são nominados, reclamam de falta de isonomia a Bolsonaro, que exige a devassa nas contas do partido, mas mantém em segredo o detalhamento de seus gastos com alimentação e transporte. A ala do partido que defende a quebra de sigilo lembra que, quando era deputado, Bolsonaro reivindicava transparência no uso da verba presidencial. “Agora, parece ter se esquecido do assunto”. A ex-tropa de choque agora ameaça recorrer ao Ministério Público Federal para solicitar formalmente a descrição dos gastos do Palácio.
De acordo com o Portal da Transparência, os gastos registrados nos cartões corporativos até agora pelos 4.621 portadores de cartões corporativos no Executivo totalizam R$ 157,45 milhões – e equivalem a 0,01% dos gastos públicos. O aumento em relação a 2018 é de 24%. As despesas atribuídas ao presidente da República alcançaram R$ 9,8 milhões e, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, incluindo gastos da Polícia Federal, R$ 14,7 milhões até 1º de setembro.