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Por respostas efetivas à violência de gênero
É no nível local que se pode articular medidas protetivas em rede, como visitas policiais,…
Em que uma bolsa de valores se parece com uma usina atômica?
Em primeiro lugar, poucas pessoas sabem como funciona a bolsa, e ainda menos sabem como funciona uma usina atômica. O acesso aos pregões da bolsa, como o acesso ao bojo de uma usina atômica, também é restrito, e os visitantes também ficam segregados, longe da atividade principal. É preciso proteção para entrar numa e noutra, e a conseqüência da falta de proteção é parecida: as pessoas se queimam.
Em muitas bolsas os funcionários também usam roupas especiais, como nas usinas, e o que acontece nas bolsas e nas usinas é essencialmente a mesma coisa, uma ebulição controlada que produz energia, e na qual há o risco sempre presente de acidentes impensáveis em qualquer outro tipo de atividade. Pois tanto nas bolsas como nas usinas nucleares, nunca se sabe onde e como um acidente vai acabar. “Síndrome da China” seria o nome dado ao hipotético “melt-down” de uma usina nuclear deste lado do mundo que só acabaria quando, depois de atravessar a Terra, a radioatividade descontrolada abrisse um buraco na China. O último quase “melt-down” do sistema financeiro mundial começou na China e em minutos estava deste lado do globo.
A maior semelhança entre as bolsas e as usinas nucleares é que, quando funcionam, as duas beneficiam um número limitado de pessoas e quando se acidentam ameaçam todo o mundo. O proveito dos dois sistemas é seletivo, a contaminação não escolhe quem atinge. E nos dois casos, cada vez que as autoridades dizem que o problema foi resolvido e não há razão para preocupações, aí é que as nossas preocupações aumentam.
Desconfio que os economistas chamam a economia de “ciência maldita” porque é a única maneira de chamá-la de ciência. Ela não é uma arte e só circunstancialmente é um ofício. Melhor a discutível definição de ciência negra do que definição nenhuma.
A economia é mesmo uma grande tentativa. Trata das realidades mais reais do mundo, que são os apetites humanos, e das mais abstratas, como o valor do trabalho, do tempo e das coisas. Tenta tratar o imponderável com precisão, mas sempre deixa claro que a sua ciência só vai até onde começa o mistério do comportamento humano. Assim com a sua própria desculpa embutida. Os búzios e os astros e as teorias e as receitas estão sempre certos, as pessoas é que nem sempre fazem o previsto. No fim do ano em que nem a Lucélia Santos casou com o príncipe Edward nem a economia se comportou como eles disseram, tanto os videntes quanto os economistas continuam com sua reputação intacta e seus clientes crentes.
Mas se é uma atividade à prova de fracassos, não é uma atividade invejável. Os economistas do governo tomam suas decisões, apertam os botões que têm que apertar e depois precisam esperar para ver como vão se comportar essas coisas terríveis, indefiníveis, imprevisíveis que são pessoas. Elas vão gastar, vão poupar, vão correr ao banco, vão acreditar, vão cooperar? A gestão econômica é uma forma de bruxaria, que até a invenção do impulso eletrônico era a única forma de controle a distância que existia. Mas é uma bruxaria de efeito retardado e incerto. A agulha atravessada no boneco pode só funcionar no ano que vem, e na pessoa errada. Como as bruxas, os economistas também têm sua linguagem estranha e suas fórmulas esotéricas, e andam em bandos. Como as bruxas, também precisam ter o coração reduzido a uma passa, ou fingir que têm, para não se impressionar com cenas de choro e miséria.
Não é verdade que se alimentem de ratos com farinha de morcego. Mas não os inveje.