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Foto: Pexels
Quando o jornalismo cumpre seu papel essencial de revelar o que alguns prefeririam manter oculto, toca em nervos sensíveis. A resposta daqueles que habitam o submundo do crime raramente vem por meio de argumentos; vem na forma de ataques vis, mentiras e tentativas grosseiras de intimidação. Não porque a imprensa tenha errado, mas porque ela ameaça o conforto da impunidade e expõe as entranhas de esquemas lesivos à sociedade.
Nos últimos dias, o jornalista responsável pela série de reportagens Fábrica de Diplomas tem sido alvo de ameaças e agressões verbais que revelam o real perfil daqueles que se escondem atrás de títulos de faz de conta. O ataque, porém, não mira um profissional ou um veículo de comunicação. Busca atingir o direito fundamental da sociedade à informação e a possibilidade concreta de interromper a ação daqueles que se beneficiam da desinformação e da fantasia para lesar incautos e o próprio Estado.
As reportagens publicadas, a partir de 1º de agosto, no Extra Classe se sustentam em base sólida e irrefutável: documentos, registros públicos, depoimentos de vítimas e especialistas e um conjunto robusto de evidências verificáveis. O interesse público é evidente; os fatos, inquestionáveis.
Curiosamente, notórios farsantes, acostumados a disseminar inverdades como estratégia de contrainformação, agora tentam se esconder atrás de uma suposta falta de contraditório ou de uma “denúncia” de uso indevido de imagens. Não por uma defesa legítima de princípios, mas para tentar transformar um pilar ético em escudo contra a exposição de sua má-fé.
O contraditório, embora importante, não é uma exigência absoluta que se sobreponha ao interesse público no jornalismo. Há exceções consolidadas — quando os investigados não são localizáveis, quando há risco de destruição de provas ou quando se trata de grupos que não atuam institucionalmente. Da mesma forma, não há qualquer ilegalidade no uso jornalístico de imagens publicamente acessíveis e com relevância informativa. O Extra Classe e seus profissionais não violam a lei nem a ética. Publicar, quando se possuem todos os elementos de um esquema criminoso, é um dever.
É uma piada exigir consentimento prévio para a divulgação de falcatruas. A Constituição brasileira não impõe censura prévia; exige veracidade, diligência e responsabilidade — princípios que sempre nos guiaram. O espaço para manifestação está aberto, mas o jornalismo não suspende o interesse público para aguardar a conveniência de quem opera nas sombras.
Talvez seja por isso que um personagem que transita em defesa do esquema denunciado pelo Extra Classe — preso, em 2003, em flagrante por tráfico de drogas no Ceará — fale tanto em direito de resposta, mas nada encaminhe conforme prevê a legislação.
A coreografia de golpistas é conhecida: teatralidade, reputações autoconcedidas, instituições inventadas e discursos que tentam transformar ilícitos em honra ferida. Essa farsa não abala um trabalho construído ao longo trinta anos e que leva o Extra Classe à beira de 60 prêmios de jornalismo.
História muito diferente daquela de uma publicação digital irrelevante, conduzida por uma figura burlesca envolvida em atividades suspeitas. Embora inexpressivo, esse “veículo” é sintoma de um ambiente em que faltam profissionalismo, seriedade e honestidade — cenário facilitado pela derrubada da exigência de diploma para o exercício do jornalismo, em 2009.
A equipe do Extra Classe é formada por jornalistas graduados em instituições reconhecidas. Já o amontoado de palavras apresentado como jornal, para defender estelionatários e atacar nosso trabalho, é patético. Em seu quadro de colaboradores — entre outros — um “guru” preso preventivamente desde abril e denunciado por estupro, pedofilia e tortura.
Infelizmente, desde a controversa decisão do STF, mais de 55 mil “jornalistas” sem qualquer formação específica foram registrados no país. Isso criou um terreno fértil para que golpistas encontrem novas maneiras de enganar suas vítimas. Não por acaso, também assistimos à amplificação de discursos de ódio e à proliferação de fake news.
Apesar disso, o Extra Classe segue na defesa de uma imprensa qualificada e na esperança de que se restabeleça, via PEC 206/2012, a ordem na profissão do bem informar.
Nenhum áudio vociferado na madrugada, nenhuma ameaça velada e nenhum personagem dantesco fantasiado de autoridade acadêmica ou religiosa tem o poder de ditar nosso trabalho. Quem pauta o Extra Classe são os fatos. E, com a força da verdade, seguiremos publicando e expondo tudo o que prejudica a sociedade.
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