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“O crime organizado das quadrilhas de Marcola irá se misturar ao crime organizado das quadrilhas de Bolsonaro dentro do Congresso”
Arte: Reprodução/Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Bolsonaro e Marcola são chefes de organizações criminosas. O resto é detalhe sobre ramos de atividades, cúmplices, idades, histórico de atleta e informações curriculares irrelevantes.
O que importa é que ambos foram condenados e são considerados líderes de criminosos que se organizam para agir. Bolsonaro tem votos e Marcola não tem. Mas Marcola nunca se aconselharia com Michel Temer.
Só que daqui a pouco as turmas lideradas por Bolsonaro no Congresso não serão diferentes das facções do PCC lideradas por Marcola de dentro da cadeia. Porque acontecerá o que até o ajudante do auxiliar do gavião do tráfico já sabe.
O crime organizado das quadrilhas de Marcola irá se misturar ao crime organizado das quadrilhas de Bolsonaro dentro do Congresso.
É o próximo cenário de Brasília. Organizações criminosas da política, articuladas para aplicar ou apoiar o golpe e desviar dinheiro de emendas, e já misturadas a milícias, serão parte de organizações criminosas que traficam, vendem armas, assaltam e agora estão dentro da Faria Lima.
O previsível, por óbvio, é que a impossibilidade de investigação das facções do Congresso, que estarão protegidas pela PEC da bandidagem, pode significar a inviabilidade de investigações das facções do tráfico, das armas e das fintechs que ainda estão, se é que estão mesmo, fora do Congresso.
Porque todos estarão misturados nas mesmas facções. Não tem complexidade nenhuma. O crime organizado do Congresso será o mesmo crime organizado que ainda estaria fora do Congresso, mas teve a porta escancarada para entrar.
O problema é fazer com que essa realidade chegue com clareza aos que ainda resistem a ver a extrema direita como parte de estrutura criminosa para muito além da articulada para o golpe.
O brasileiro médio sabe disso? Terá como saber? Sabe que Marcola está preso desde 1999 e que talvez Bolsonaro nunca pegue cadeia?
Já se sabe, mas o povo não está sabendo, que organizações criminosas financiam campanhas não só da extrema direita, mas da velha direita. Que o PCC tinha braços dentro das estruturas do poder público de São Paulo. E que agora tem cabeças dentro desse poder.
Sabe-se que o bolsonarismo tem vínculos com as milícias. Que a pregação e as ações moralistas e pretensamente religiosas, que conectam as bancadas da bala e da Bíblia, são parte das mesmas estruturas bolsonaristas.
Sabe-se que esses grupos organizados já contaminaram parte da velha direita e que a PEC da Bandidagem apenas amplia a possibilidade de aproximação entre facções do novo fascismo e do velho coronelismo.
Mas o que ainda chamamos de povo sabe pouco ou não sabe nada disso, geralmente por não querer saber e por ter suas fontes de informação nessas facções. Por isso a coisa funciona, ou o crime seria definido como desorganizado.
Moisés Mendes é jornalista e escreve quinzenalmente para o Extra Classe.