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No Brasil, o potencial para a criação de empregos verdes é vasto, graças à abundância de recursos naturais e ao papel significativo que o país já desempenha em setores como energia (bioenergia, energia solar, eólica e hidrelétrica)
Foto: Ari Versiani/PAC/Agência Brasil/Divulgação
Nos últimos anos, o debate sobre empregos verdes e transição justa ganhou relevância em relação ao futuro do trabalho e ao desenvolvimento sustentável. Assim, surgem desafios e oportunidades para a atuação sindical, seja na proposição de pautas de interesse da classe trabalhadora, seja na elaboração de estratégias organizativas e de mobilização, inclusive em cooperação com outras organizações da sociedade civil.
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), empregos verdes são aqueles que contribuem diretamente para a preservação do meio ambiente e para a mitigação das mudanças climáticas. Esses postos de trabalho se concentram em setores como energias renováveis, eficiência energética, agricultura sustentável, reflorestamento e gestão de resíduos.
No Brasil, o potencial para a criação de empregos verdes é vasto, graças à abundância de recursos naturais e ao papel significativo que o país já desempenha em setores como energia (bioenergia, energia solar, eólica e hidrelétrica). De acordo com o Dieese, a transição para uma economia de baixo carbono poderia gerar milhões de novos postos de trabalho no país. Isso inclui setores emergentes, como a energia solar e eólica, que têm mostrado crescimento robusto nos últimos anos. Apenas no setor de energia solar, o Brasil gerou cerca de 264 mil empregos em 2023, destacando-se como um dos principais mercados da América Latina.
A transição justa refere-se à necessidade de garantir que, durante a mudança para uma economia ambientalmente sustentável, os trabalhadores e as comunidades sejam positivamente impactados. Para o DIEESE, isso implica que as políticas de transição energética, por exemplo, devem considerar a requalificação da força de trabalho, a criação de empregos decentes, a proteção social e a inclusão de grupos historicamente marginalizados, como mulheres, jovens e populações de baixa renda.
Sociólogo, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, membro do CDESS – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável da Presidência da República, membro do Conselho Deliberativo da Oxfam Brasil, consultor e ex-diretor técnico do DIEESE (2004/2020).
O Dieese investe na produção técnica dessa temática dos empregos verdes e da transição justa, oferecendo subsídios valiosos para a atuação sindical.
Os estudos do Dieese indicam que uma transição justa no Brasil deve abordar questões estruturais, como a desigualdade social e as disparidades regionais. A expansão de setores como as energias renováveis precisa ser acompanhada por políticas públicas que promovam educação e formação profissional, especialmente para trabalhadores atualmente empregados em setores que podem ser afetados pela descarbonização, como petróleo e gás.
Embora a criação de empregos verdes ofereça grandes oportunidades para o desenvolvimento sustentável, os estudos do Dieese alertam para os seguintes desafios:
O Dieese propõe uma série de políticas para facilitar a transição justa no Brasil, entre elas:
A transição para uma economia verde representa uma oportunidade única para o Brasil combinar desenvolvimento econômico e proteção ambiental. No entanto, o sucesso dessa transição dependerá de como o país enfrentará os desafios relacionados à inclusão social, à qualificação da força de trabalho e à distribuição regional das oportunidades de emprego. Os estudos do Dieese mostram que uma transição justa é possível, mas exigirá o comprometimento de governos, empresas e sindicatos para garantir que ninguém fique para trás.
* Clemente Ganz Lúcio é Sociólogo, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, membro do CDESS – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável da Presidência da República, membro do Conselho Deliberativo da Oxfam Brasil, consultor e ex-diretor técnico do DIEESE (2004/2020).
ESTUDOS DO DIEESE – Empregos Verdes e Sustentáveis no Brasil”, 2022. “Transição Justa: Oportunidades e Desafios para uma Economia de Baixo Carbono no Brasil, 2021; O Meio Ambiente na Negociação Coletiva: A Inclusão das Questões Ambientais nas Pautas Sindicais, 2020; e Empregos Verdes no Pós-Pandemia: Um Modelo de Desenvolvimento Sustentável, 2021 estão disponíveis em www.dieese.org.br