Movimento
Feminicídio cresce 190% em 11 anos e expõe falência da proteção às mulheres
Entre 2015 e 2025, o Brasil acumulou 13.474 vítimas de feminicídio. O crescimento é contínuo,…

Em Porto Alegre, o ato foi realizado na Esquina Democrática, no Centro da capital
Foto: Igor Sperotto
Atos públicos realizados nesta quinta-feira, 8, em capitais do país lembraram os três anos da tentativa de golpe de Estado e dos ataques às sedes dos Três Poderes, ocorridos em 8 de janeiro de 2023, em Brasília. As mobilizações reuniram movimentos sociais, entidades sindicais, parlamentares e representantes da sociedade civil.
Em Porto Alegre, a Esquina Democrática, no Centro da capital, foi palco de uma manifestação iniciada por volta das 17h30. O ato reuniu organizações populares e sindicais e teve como pautas centrais a defesa da democracia, da soberania nacional e a rejeição a propostas de anistia aos envolvidos nos ataques. Durante a atividade, participantes entoaram palavras de ordem como “Sem anistia” e defenderam a responsabilização dos autores dos atos. “Estamos aqui para celebrar a vitória da democracia e da soberania do povo brasileiro sobre aqueles que atentaram contra o Estado Democrático de Direito. Não queremos anistia nem dosimetria para golpistas. A democracia precisa ser defendida todos os dias”, afirmou.

Amarildo Cenci, presidente de CUT-RS
Foto: Igor Sperotto
O historiador e ex-deputado federal Raul Pont abriu a manifestação com uma análise do cenário político latino-americano, mencionando tensões regionais, disputas geopolíticas e ameaças às instituições democráticas. Em sua fala, contextualizou o debate brasileiro no quadro mais amplo da história política da região.Também discursou Fabiano Salazar, representante da Associação Cultural José Martí/RS e do Sindicato dos Servidores da Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (Sindjus). Ele abordou a situação política da Venezuela e defendeu o diálogo e a soberania entre os países da América Latina.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores do Rio Grande de Sul (CUT-RS), Amarildo Cenci, afirmou que o 8 de janeiro deve ser tratado como parte de um processo contínuo de enfrentamento a tentativas de ruptura democrática. Segundo ele, a mobilização buscou reforçar a importância da memória histórica, do devido processo legal e da responsabilização dos envolvidos nos ataques às instituições.

Foto: Igor Sperotto
Integrante da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Rio Grande do Sul, Lara Rodrigues destacou que os atos ocorreram de forma articulada em âmbito nacional. Segundo ela, a mobilização teve como eixo comum a defesa da democracia, apesar das diferentes pautas dos movimentos participantes.
Representantes de centrais sindicais e movimentos de mulheres também se manifestaram durante o ato, ressaltando a necessidade de defesa das instituições democráticas e da soberania nacional, além de expressarem solidariedade a povos da América Latina diante de conflitos internacionais.
O ato contou ainda com intervenções políticas e culturais e encerrou com uma caminhada pelas ruas do Centro Histórico, reafirmando o compromisso com a democracia, a soberania popular e o combate a qualquer tentativa de retrocesso autoritário.

Foto: Igor Sperotto
Em São Paulo, um manifesto foi lançado na noite desta quinta-feira, 8, durante ato realizado na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP). O documento, intitulado Manifesto em Defesa da Democracia, da Justiça e da Soberania Nacional, relembra a tentativa de golpe de 2023 e destaca a importância da preservação da memória para evitar novas rupturas institucionais.

Um manifesto foi lançado na noite desta quinta-feira, 8, durante ato realizado na Faculdade de Direito da USP
Foto: Paulo Pinto/ Agência Brasil
O texto foi elaborado pelo grupo Prerrogativas, pelo setorial jurídico do Partido dos Trabalhadores de São Paulo e pelo Centro Acadêmico 11 de Agosto, e recebeu apoio de movimentos sociais, partidos políticos e advogados. O manifesto também faz referência ao cenário internacional e à necessidade de atenção permanente a ameaças à soberania nacional.
Antes da leitura do documento, houve um princípio de tumulto em uma das entradas do Salão Nobre, causado por opositores ao ato, que foram retirados do local.
Centrais sindicais e movimentos sociais fizeram, nesta quinta-feira (8), um ato em defesa da democracia na Cinelândia, região central do Rio de Janeiro. A mobilização marcou os três anos dos atentados de 8 de janeiro de 2023, ponto crítico da tentativa de golpe de Estado julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Naquele dia, apoiadores do então ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o STF, em Brasília.


Ato em defesa da democracia na Cinelândia, região central do Rio de Janeiro
Foto: Tânia Rego/Agência Brasil
Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores do Estado do Rio de Janeiro (CUT-RJ), Sandro César, a data simboliza a necessidade de vigilância permanente.
“Esse ato marca mais um ano do inominável movimento que foi feito pelos golpistas do Brasil no sentido de aviltar a democracia brasileira, de derrubar o Estado Democrático de Direito. É algo que nós achávamos que estava distante, mas voltou a acontecer no Brasil”, disse Sandro.
Em Boa Vista (RJ), manifestantes participaram, na noite desta quinta-feira, 8, de um ato em defesa da democracia no bairro Alvorada, na zona Oeste da cidade. A mobilização ocorreu no Ponto de Cultura Ulisses Manaças, com o lema “8 de Janeiro Nunca Mais”, e reuniu representantes de movimentos sociais, artistas e moradores. A programação incluiu apresentações culturais e falas políticas sobre a data.