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No dia 29 de outubro, mais de 7,5 mil pessoas oriundas de 32 municípios gaúchos participaram da ocupação da Annoni, uma área de 9,3 mil hectares em Pontão, no norte do estado, no que seria a gênese do movimento pela reforma agrária
Foto: MST/ Arquivo
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) comemora os 40 anos da ocupação da Fazenda Annoni, com atividades políticas e culturais no Assentamento 16 de Março, na Fazenda Annoni, no Assentamento 16 de Março, localizada em Pontão, no Rio Grande do Sul, na próxima sexta-feira, 24, e sábado 25.
Os 40 anos de um dos primeiros assentamentos da reforma agrária no estado serão marcados pela Feira Estadual da Reforma Agrária Popular – MST 40 anos e a Conferência Estadual da Reforma Agrária Popular: Memória, Luta e Desafios Atuais.
Também estão programadas exposição fotográfica do artista plástico e fotógrafo Eduardo Vieira da Cunha e exibições da Trilogia da Terra, de Tetê Moraes. A cineasta virá ao Rio Grande do Sul para as celebrações dos 40 anos da Annoni. Os filmes Terra para Rose (1987), O sonho de Rose (2000) e Fruto da Terra (2008) terão sessões no CineBancários, em Porto Alegre.
Foto: MST/ ArquivoApós a recepção na manhã do dia 24 terá início o roteiro nos Caminhos da Reforma Agrária, que inclui sete pontos de visitação, destacando o Educar, a Cooperlat, a Encruzilhada Natalino (onde teve o acampamento embrião do MST), a Área 10 (local do acampamento original) e a Cooptar (organização coletiva).
Ao meio-dia, haverá a Cerimônia de Nomeação da Rodovia Caminhos da Reforma Agrária e almoço coletivo. À tarde, após a Mística e a Abertura Oficial da Feira, serão realizados Espaços de Convergência, incluindo seminários sobre saúde, direitos humanos, cooperação, agroecologia e a presença de escritores e pesquisadores da luta pela terra. A noite será marcada pela Jornada Socialista – Roseli Nunes e uma Noite Cultural com apresentações artísticas.
No sábado, a programação inicia com a Conferência Estadual da Reforma Agrária Popular: Memória, Luta e Desafios Atuais, que terá a presença de João Pedro Stédile, José Geraldo Souza e Alessandra Gasparotto. Após o almoço, haverá apresentações culturais e o Ato Político em Defesa da Reforma Agrária, com falas de representações do governo, apoiadores institucionais e convidados. O evento será encerrado à noite com uma confraternização.
Foto: Daniel Andrade/Arquivo MST
A ocupação da Fazenda Annoni não é a primeira da história da reforma agrária no estado, que começou com a Fazenda Sarandi, em 1979. Mas é um marco histórico na luta pela terra no RS e está na origem da fundação do MST. O latifúndio da Annoni, uma área de 9,3 mil hectares coberta pela espécie de capim que deu nome ao lugar, foi ocupado na noite de 29 de outubro de 1985. Mais de 7,5 mil pessoas participaram do movimento. Em mais de 200 caminhões, ônibus e carros, os sem-terra saíram de 32 municípios para ocupar a fazenda, que estava sob litígio judicial desde 1972 e era improdutiva na maior parte da sua área. A luta organizada resultou no assentamento de 1.250 famílias. Foram oito anos de resistência até que as primeiras famílias foram oficialmente assentadas em 1992, um ano antes do assentamento definitivo.
Atualmente, o assentamento produz uma variedade de alimentos, incluindo suínos, verduras, hortaliças, feijão, ovos, leite, frutas, soja, milho e trigo. A Cooperlat, uma das cooperativas do assentamento, fornece alimentos para a merenda escolar de 220 mil crianças em 52 municípios e 74 escolas estaduais do RS, além de fornecer produtos para quartéis do exército e 17 cozinhas solidárias em Porto Alegre. Os assentados afirmam estar entre os maiores pagadores de impostos do município.
O assentamento abriga o Instituto Educar, que oferece o único Curso Superior do município de Pontão, com graduação em Agronomia com ênfase em Agroecologia, já tendo formado centenas de profissionais. A Escola 29 de Outubro permitiu que cerca de 600 filhos de assentados tivessem acesso à educação. Muitos desses jovens seguiram para o ensino superior, tornando-se professores, médicos, agrônomos, advogados e engenheiros.
A Fazenda Annoni se tornou um polo de pesquisa acadêmica, recebendo visitantes de universidades de todo o Brasil e do exterior. A organização coletiva e a força de trabalho dos assentados contribuíram significativamente para a emancipação do município de Pontão.

Roseli Seleste Nunes da Silva, Rose, e seu filho Marcos Tiaraju em marcha a Porto Alegre
Foto: MST/ Divulgação
Na programação paralela, às 19h30min de quarta-feira, 22, o CineBancários, em Porto Alegre, terá exibição especial de Terra para Rose, documentário de Tetê Moraes que mostra a luta por terra e pela reforma agrária no Brasil da Nova República. No dia 22 também será aberta exposição de fotos da ocupação da Fazenda Annoni e de Encruzilhada Natalino, do artista plástico e fotógrafo Eduardo Vieira da Cunha, que na época fez a cobertura do movimento pela sucursal Sul de O Globo.
Após a exibição, haverá debate com a presença da cineasta, do fotógrafo Cezar Moraes, e da diretora gaúcha Tatiana Sager e Marcos Tiaraju, filho de Roseli Nunes. Nos dias 23 e 24, às 15h, serão mostrados os outros dois filmes que compõem a Trilogia da Terra, Sonho de Rose e O fruto da terra.