Tarifaço: sindicatos terão o papel de negociar para evitar demissões sem precarizar

Sem medidas de mitigação, mais de 700 mil trabalhadores de diversos setores podem perder o emprego em um ano, com impacto negativo de 0,35% no PIB
Tarifaço: sindicatos terão papel de negociar para evitar demissões sem precarizar

O ministro do Trabalho e Emprego Luiz Marinho, defendeu a defesa da nossa democracia, defesa das nossas instituições, defesa da nossa soberania diante do tarifaço

Foto: YouTube/Reprodução

A CUT e demais centrais sindicais realizaram, na manhã desta quarta-feira, 13, um debate online (live) com transmissão ao vivo para discutir medidas de preservação do emprego e de reajustes salariais diante da sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, também participou do encontro, por vídeo.

Durante o debate, o presidente da CUT, Sergio Nobre, afirmou que as sanções representam “um ataque muito forte à soberania do nosso país” e que o objetivo seria “desestruturar a nossa economia, que tem se mostrado muito forte”. Ele defendeu a reação do governo federal.

“O presidente Lula vem reagindo de maneira muito correta, com serenidade e também com muita firmeza. A gente sabe que os Estados Unidos têm mais instrumento de pressão do que o Brasil em relação a eles, mas a gente não é um país qualquer. A gente é uma nação grande e a gente tem que tratar isso de cabeça erguida e não ser subserviente aos Estados Unidos”, declarou.

Dados apresentados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) indicam que, sem medidas de mitigação, mais de 700 mil trabalhadores de diversos setores podem perder o emprego em um ano, com impacto negativo de 0,35% no Produto Interno Bruto (PIB). Diante desse cenário, Sergio Nobre defendeu a negociação coletiva como estratégia prioritária.

“A gente propôs que cada setor, cada empresa afetada forme uma mesa de negociação séria, que não pode passar de 10 dias para a gente conversar e estabelecer as medidas”, disse.

Ele também apoiou o pacote de R$ 30 bilhões anunciado pelo presidente Lula para enfrentar o tarifaço, com a condição de preservação dos postos de trabalho pelas empresas que acessarem os recursos.

Tarifaço: sindicatos terão papel de negociar para evitar demissões sem precarizar

Sérgio Nobre, Presidente da CUT

Foto: CUT/Divulgação

“É preciso tomar cuidado com aquelas empresas que demitem previamente porque sabem que vai ter que se comprometer com o emprego, então demite antes. É muito importante que a gente fortaleça as campanhas salariais do segundo semestre, porque tem empresas já se aproveitando dizendo que o cenário está incerto e pedem para transferir a campanha salarial para o ano que vem, e nós não podemos entrar nessa”, afirmou.

No plano internacional, o presidente da CUT informou que está sendo articulado, para setembro, um encontro virtual entre centrais sindicais do Brasil, México, Canadá, Estados Unidos e Europa para elaboração de um documento conjunto sobre o tarifaço.

“O comportamento do Trump desorganiza o processo de produção e a troca comercial entre os países de maneira criminosa. É uma posição comum. Então, eu também estou solicitando para que o presidente da  Organização Mundial do Comércio (OMC) receba todas as centrais sindicais desses países para a gente conversar sobre a perversidade desse programa e o impacto que tem no emprego, não só no Brasil, mas também no mundo”, disse.

Impactos e propostas das centrais

A diretora-técnica do Dieese, Adriana Marcolino, apresentou estudo sobre os impactos da taxação em setores econômicos brasileiros e possíveis efeitos sobre negociações coletivas no segundo semestre. No documento apresentado há uma avaliação dos impactos da taxação em diversos setores econômicos brasileiros e as potenciais consequências para as negociações coletivas no segundo semestre, além de destacar propostas das centrais sindicais. O documento completo pode ser lido aqui.

Entre as propostas das centrais sindicais estão:

  1. Defesa da produção nacional

  2. Proteção do emprego e da renda

  3. Negociação coletiva e participação sindical

  4. Institucionalização do diálogo social

  5. Transição ecológica justa e inclusiva

  6. Nova estratégia comercial externa

Posição do ministro do Trabalho sobre tarifaço

Em sua participação por vídeo, Luiz Marinho destacou a importância de os sindicatos acompanharem de perto as negociações coletivas entre setembro e novembro.

“Vejo que esse episódio do Trump nos coloca a obrigação de estar mais atento para termos efetivamente o quadro de cada empresa para não comprar gato por lebre. Pode ter muitas empresas que busquem aproveitar de forma oportunista nesse momento para evitar dar um reajuste de salário ou negociar de forma rebaixada”, afirmou.

O ministro ressaltou que a dependência comercial do Brasil em relação aos EUA caiu de 25% em 2003 para 12% em 2025 e que o país abriu 387 novos mercados nos dois anos e meio do atual governo.

“Queremos continuar sendo parceiro forte, mas queremos continuar diminuindo ainda mais essa nossa dependência. Seguramente, quando terminar esse processo, o Brasil estará mais forte e menos dependente ainda do mercado norte-americano”, disse.

Mobilização nacional no 7 de setembro

As centrais anunciaram um ato para 7 de setembro, com manifestações em todo o país. Em São Paulo, será na Praça da República, a partir das 9h.
“Temos de demonstrar para o mundo que o povo brasileiro está disposto a defender a sua soberania, o seu emprego, que o nosso país e a classe trabalhadora não ficam de joelhos a ninguém”, afirmou Sergio Nobre.

As entidades também lançaram um site para compartilhamento de informações sobre impactos do tarifaço nas negociações coletivas, suspensões de contratos e demissões, disponível em https://centraissindicais.org.br/emprego/.

Além de Sergio Nobre e Luiz Marinho, participaram da live Miguel Torres (Força Sindical), Ricardo Patah (UGT), Ronaldo Leite (CTB), Moacyr Tesch (NCST), Álvaro Egea (CSB) e Nilza Almeida (Intersindical), sob coordenação de Clemente Ganz Lúcio.

Assista a íntegra do debate:

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