MST ocupa área do Banco do Brasil e denuncia crime ambiental

Famílias reivindicam destinação de fazenda em Viamão para a reforma agrária e apontam descarte irregular de agrotóxicos

MST ocupa área do Banco do Brasil e denuncia crime ambiental

Foto: MST/Divulgação

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Rio Grande do Sul (MST) ocupou, na manhã desta segunda-feira, 25, a Fazenda Rincão de São Brás, também conhecida como Fazenda Barcelos, em Itapuã, Viamão. Cerca de 130 famílias vindas de acampamentos no estado participaram da ação, que pressiona o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a concluir a aquisição da área junto ao Banco do Brasil.

Segundo o MST, no local foram encontrados descartes ilegais de agrotóxicos às margens da Lagoa dos Patos. A prática configura crime ambiental, previsto na Lei 14.785, de 27 de dezembro de 2023, que trata do tema e revogou a antiga Lei 7.802/1989. O MST solicitou a presença do superintendente do Incra na fazenda.

A dirigente estadual do MST/RS, Carla Camila Marques, afirmou que a área de 351 hectares foi anunciada para fins de reforma agrária pelo programa Terra da Gente e indicada ao movimento em negociação com o Incra/RS, no dia 23 de dezembro de 2024.

MST ocupa área do Banco do Brasil e denuncia crime ambiental

Foram encontrados grandes quantidades de descartes ilegais de agrotóxicos no local, localizado ás margens da Lagoa dos Patos

Foto: MST/Divulgação

“O MST busca o avanço nas negociações entre a União e o Banco do Brasil e segue na negociação com o Incra para a liberação das áreas prometidas para novos assentamentos no estado ainda em 2025”, disse Marques.

O programa, lançado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, organiza as chamadas “prateleiras de terras”, que mapeiam e sistematizam diferentes formas de obtenção de áreas para a reforma agrária.

Conforme o Incra, a meta é beneficiar 295 mil famílias até 2026, sendo 74 mil em novas áreas e 221 mil em assentamentos já existentes. No Rio Grande do Sul, cerca de mil famílias vivem hoje em acampamentos à espera de assentamento.

Para a dirigente nacional do MST no estado, Lara Rodrigues, o objetivo central é fortalecer a produção de alimentos. “Os assentamentos gaúchos se destacam pela produção de uma grande variedade de alimentos. Além disso, o Rio Grande do Sul é o maior produtor de arroz orgânico da América Latina, e essa liderança é impulsionada principalmente pelos assentamentos da reforma agrária.”

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